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Comentaristas do SporTV criticam CBF por manter jogo entre Cuiabá e Guarani

Karine Alves, Lédio Carmona, PC Vasconcellos e Alexandre Lozetti no Troca de Passes - Reprodução
Karine Alves, Lédio Carmona, PC Vasconcellos e Alexandre Lozetti no Troca de Passes Imagem: Reprodução

Do UOL, em São Paulo

15/01/2021 00h53

Até uma hora antes do horário marcado para Cuiabá e Guarani, pela 35ª rodada da Série B, o time campineiro não sabia se teria a quantidade mínima de jogadores para entrar em campo. No início da tarde, o clube divulgou 17 diagnósticos de covid-19 no elenco, e teve seu pedido negado pela CBF para que o jogo fosse adiado. O resultado de 4 a 0 para o time matogrossense ficou em segundo plano, e para os comentaristas do 'Troca de Passes', do 'SporTV', tanto a confederação quanto os clubes, que aceitaram o regulamento, são responsáveis pelo ocorrido.

"Hoje, com todo respeito a CBF, não era para ter jogo. Ainda mais com toda a situação em Manaus, as pessoas morrendo por falta de oxigênio. O futebol poderia dar um exemplo de empatia, bom senso, acolhimento para a sociedade. É entretenimento, mas hoje não era para ser", disse Lédio Carmona.

PC Vasconcellos endossou o discurso do colega de bancada. "Acho que esse 14 de janeiro foi um dia muito triste. Um dia tragicamente marcado por tudo que tem acontecido no Brasil e o que aconteceu em Manaus. Seria muito interessante se todos fizessem uma reflexão sobre o que estamos passando, sobre o que tem sido dito por quem deveria conduzir um processo de equilíbrio, bom senso, em relação a esse período de pandemia, e acredito que a realização de um jogo hoje foi a confirmação de que o bom senso e a sensibilidade, de que o olhar para o outro, o 'espera um pouquinho, hoje não', não está vigorando. O que está vigorando é o 'hoje não', 'temos que fazer', 'pouco importa se as pessoas estão bem', disse.

"E há um detalhe que vem sendo ignorado desde a volta do futebol brasileiro", prosseguiu. "Ignora-se a capacidade de recuperação do jogador. Ele recebe alta e está tudo certo. Sei de várias pessoas que até hoje sofrem com as sequelas. Não podemos achar que os atletas não tem sequelas. Eles não são diferentes. Exercem uma atividade profissional onde o físico tem que estar muito bem, mas a doença não faz distinção entre jogador de futebol e o bancário ou o advogado. Há todo um atropelo onde a insensibilidade de cima para baixo tem nos caracterizado. Esse 14/01/2021 é um dia que vai entrar para história como um dia muito triste", completou.

Em meio à discussão, o programa recebeu algumas críticas de torcedores nas redes sociais. A apresentadora Karine Alves rebateu. "Aqui a gente faz jornalismo. Jornalismo esportivo. A gente fala de esporte, mas também tem o jornalismo. Infelizmente, as notícias envolvendo a covid-19 não são positivas (...) O que me entristece, na hashtag do 'Troca de Passes' eu estou olhando aqui, e muitas pessoas ainda não entenderam o que está acontecendo. O 'csjunior' colocou aqui: 'Por que não tiveram bom senso e deixaram de transmitir o jogo', 'falem da partida', 'deixem isso para os jornais especializados, vou trocar de canal'", contou.

"Eu preciso falar disso, as pessoas estão tão perdidas, está faltando tanta humanidade. Não conseguimos mudar o mundo sozinhos, mudar o mundo do futebol. A CBF podia ter adiado a partida, mas não está nas nossas mãos. Não está nas nossas mãos também a cura da covid-19. A gente não pode só falar de futebol e ignorar essa parte jornalística importante da partida. Nós estamos aqui como jornalistas. Desculpa 'csjunior', mas infelizmente precisamos fazer o nosso trabalho", disse a apresentadora.

PC Vasconcellos ponderou que também é função do jornalista de esportes abordar os assuntos em voga na sociedade. "Às vezes eu acho que há uma certa confusão de achar que quem fala sobre futebol é um ser alienado que vive dentro do planeta bola. Somos todos jornalistas. Eu, você, o Guidi, Lédio, Lozetti. Não deixamos de ser jornalistas porque falamos de futebol. Ao analisarmos um partida, ao emitirmos uma opinião sobre o clube, a ação de um dirigente. Isso não nos coloca à margem do exercício da profissão".

"Se por acaso acontecer alguma coisa que seja notícia, não é porque trabalhamos com esporte, futebol em especial, que deixaremos de noticiar, entrar ao vivo, informar. Percebo essa visão equivocada que a gente só deve falar de bola rolando. Aqui no Grupo Globo os jornalistas que trabalham na área de esportes não são apenas papagaios para falar sobre linha de quatro, de três, marcação alta ou baixa. São jornalistas. E jamais deixaremos de ser ou exercer nossa profissão", completou.

O narrador Henrique Guidi também desabafou. "A gente sempre tem uma interação muito legal com quem está assistindo a Série B. O jogo é um pouco mais cadenciado, conseguimos trazer mais as pessoas para dentro da transmissão. Hoje, quando abri meu computador, pedi desculpas no primeiro momento e falei que não iria fazer. É uma opinão do "csjunior", mas as pessoas perderam completamente a empatia, o senso crítico e a educação".

Lédio argumentou que o aceite dos grandes clubes da Série A em jogar desfalcados pela doença complicou a situação dos que possuem menos poder.

"Os grandes clubes da Srie A, Flamengo, Palmeiras, Vasco, os que me lembro agora, jogaram, esse é o problema. Clubes com poder, a maioria dos clubes da série A que passaram por essa crise acabaram jogando. Se eles não jogassem, com o peso político que têm, talvez isso ficasse mais fácil de ser resolvido a favor do Guarani. Você tem marcas poderosíssimas que cedem diante de uma tragédia como a covid-19, o que o Guarani, um clube hoje na Série B, apesar do grande histórico, vai fazer. O exemplo vem de cima e os clubes da série A, quando tiveram essa chance, não fizeram", defendeu.

"Acho que é impossível não ter futebol, mas você não pode fechar o calendário de qualquer maneira. Abre, joga o futebol mas quando precisar parar, precisar de bom senso, tem que parar. Quando fechar o calendário, fechou. Dá-se um jeito. Uma hora vai se acertar. Não pode é jogar de qualquer maneira, desrespeitando a vida e as pessoas, sem o mínimo de empatia. Eu não sou contra a volta do futebol, nunca fui. Sou contra jogar de qualquer maneira. Sacrificar as pessoas, atletas, todo mundo envolvido no futebol", finalizou.

Errata: o texto foi atualizado
Diferentemente do que foi publicado, o nome correto do comentarista do SporTV é PC Vasconcellos, e não PC de Oliveira. E o Guarani disputa a Série B, e não a Série D. Os erros foram corrigidos.

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