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Sem público ao vivo, Paralimpíadas devem bater recorde de audiência global

Daniel Wagner, da Dinamarca, mostra seu bronze no salto em distância das Paralimpíadas  - picture alliance/dpa/picture alliance via Getty Images
Daniel Wagner, da Dinamarca, mostra seu bronze no salto em distância das Paralimpíadas Imagem: picture alliance/dpa/picture alliance via Getty Images

Denise Mirás

Colaboração para o UOL, de São Paulo

30/08/2021 16h57

Uma audiência acumulada global em torno de 4,25 bilhões de pessoas acompanhando as Paralimpíadas de Tóquio-2020. É esse o número estimado pelo Comitê Paralímpico Internacional (CPI), em razão do maior número de emissoras, com mais cobertura e mais transmissões ao vivo, conforme comentou Alexis Schaefer, diretor comercial, de parcerias e transmissão do IPC ao site do Comitê Organizador dos Jogos-2020.

"Acredito que quebraremos todos os recordes", disse o diretor, observando que o papel da tevê ganhou em importância porque não foi permitida a entrada no Japão de público do exterior, nem dos locais, nas competições, por causa da pandemia. Considerando apenas a emissora local como exemplo, a NHK vai superar a marca das anfitriãs, com 540 horas de cobertura.

No Rio-2016, foram 4,1 bilhões de espectadores na audiência acumulada. Para chegar a 4,25 bilhões em Tóquio-2020 contribuem os mais de 150 canais de televisão, rádio e online em 177 territórios (outro recorde), que investiram mais para passar ao vivo 21 disciplinas de 19 esportes, com imagens geradas pelo Olympic Broadcasting Services (OBS), com alta tecnologia e —também por isso— mais horas de transmissão.

Schaefer, que também fala sobre o crescimento do apelo de Jogos Paralímpicos e o desempenho esportivo de seus atletas, destacou a campanha "WeThe15", lançada pelo presidente do IPC, o brasileiro Andrew Parsons, que se refere aos 15% da população mundial que tem algum tipo de deficiência (ou mais de um bilhão de pessoas). Além das emoções das disputas esportivas, afirma, as emissoras também estão contando histórias para inspirar a próxima geração a desafiar preconceitos e estereótipos.

 Maryna Lytovchenko, do tênis de mesa paralímpico - Naomi Baker/Getty Images - Naomi Baker/Getty Images
Câmera capta emoção da ucraniana Maryna Lytovchenko, do tênis de mesa paralímpico
Imagem: Naomi Baker/Getty Images

Mais canais, mais horas

As 540 horas da emissora japonesa NHK superam mesmo as do Channel 4 britânico, com seu maior case de sucesso das Paralimpíadas em Londres-2012, que agora disponibiliza 300 horas na tevê sobre Tóquio-2020 e 1200 em todas as plataformas digitais.

O Channel 4 arrasou em casa, em 2012. Comprou apenas as Paralimpíadas-2012 e lançou uma campanha provocativa, dizendo que "depois do aperitivo das Olimpíadas" (em tradução aproximada) os britânicos veriam os "Superhumanos". Levou multidões às competições paralímpicas e atingiu 69% da população. Depois de Tóquio-2020, com 70% de seus apresentadores com algum tipo de deficiência, já tomou a frente e comprou os direitos das Paralimpíadas de Paris-2024.

Pela primeira vez na história, os Jogos da capital francesa terão um logo único, defendendo o nivelamento de olímpicos e paralímpicos.

A NBC dos Estados Unidos está mostrando 1200 horas do evento em Tóquio em todas as suas plataformas, da mesma maneira que o CBC do Canadá e o Channel Seven da Austrália. No Brasil, além do Grupo Globo, a emissora pública TV Brasil (EBC) faz a cobertura em parceria com o Comitê Paralímpico Brasileiro (CPB). Ainda na América do Sul, a TV Nacional do Chile mostra os Jogos pela primeira vez (sua capital Santiago receberá o Parapan-2023).

Há interesse crescente detectado na Ásia e na África. O governo de Hong Kong, por exemplo, garantiu direitos de cobertura para seis emissoras de tevê e outras plataformas. A Malásia passou a ter competições ao vivo e a Indonésia aumentou suas horas de transmissão. Os telespectadores de Taiwan assistem às Paralimpíadas pela primeira vez, enquanto e outros locais também se abrem a mais transmissões, como Índia, Singapura, Malásia, Filipinas e Tailândia.

Na África subsaariana, 49 territórios estão acompanhando os Jogos Paralímpicos, exibidos pela primeira vez em canais de tevê abertos, contra o estigma e a discriminação, atingindo mais de 250 milhões de pessoas.