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Filha que Adrianinha levou a Mundial chega a seleção brasileira aos 15 anos

Aaliyah, filha de Adrianinha, joga pela seleção sub-16 - Divulgação/Fiba
Aaliyah, filha de Adrianinha, joga pela seleção sub-16 Imagem: Divulgação/Fiba
Demétrio Vecchioli

Demétrio Vecchioli, jornalista nascido em São Roque (SP), é graduado e pós-graduado pela Faculdade Cásper Líbero. Começou na Rádio Gazeta, foi repórter na Agência Estado e no Estadão. Dedicado à cobertura de esportes olímpicos, escreveu para o UOL, para a revista Istoé 2016, foi colunista da Rádio Estadão e, antes do Olhar Olímpico, manteve o blog Olimpílulas. Neste espaço, olha para os protagonistas e os palcos do esporte olímpico. No Olhar Olímpico têm destaque tanto os grandes atletas quanto as grandes histórias. O olhar também está sobre os agentes públicos e os dirigentes esportivos, fiscalizados com lupa. Se você tem críticas, elogios e principalmente sugestões de pautas, escreva para demetrio.prado@gmail.com

27/08/2021 12h40

Aaliyah Guyton, de 15 anos, entra em quadra hoje (27) em busca de repetir uma experiência que não é nova para ela: ir a um Mundial de Basquete. A menina tinha apenas dois meses quando a mãe, a então armadora Adrianinha, voltou dos Estados Unidos com bebê no colo para disputar o Mundial jogado no Ibirapuera. O tempo passou voando e, agora, 15 anos depois, elas estão juntas na seleção sub-16 que joga a Copa América e está a uma vitória de se classificar para o Mundial da categoria.

Quem acompanha basquete a um pouco mais de tempo conhece Aaliyah. Talvez não como atleta, mas como a criança que acompanhou Adrianinha em grande parte de sua carreira como jogadora, algo até então raro no esporte de alto rendimento. A armadora jogava no Faenza, da Itália, quando engravidou do armador norte-americano A.J. Guyton, 28 anos, que também atuava no basquete italiano e havia jogado na NBA.

Aaliyah (que significa "a maior, a melhor, a mais exaltada" em árabe) nasceu nos Estados Unidos, na cidade de Peoria, próxima a Chicago, e veio ao Brasil com dois meses, porque a mãe aceitou a convocação para disputar um Campeonato Mundial em São Paulo no qual a seleção brasileira foi quarta colocada, naquele que foi o último grande resultado do basquete feminino do Brasil nesse nível. Adrianinha ainda jogou até a Rio-2016, encerrando a carreira depois de cinco Olimpíadas.

Já a menina, até os 12 anos, se dividia ficando a 6 meses no Brasil e 6 meses nos Estados Unidos, com o pai. Na entrada da adolescência, os pais decidiram que o ideal era ela estudar somente nos EUA, exatamente em Peoria. "Escolha difícil, mas achamos que ela teria mais oportunidades ali, uma vez que já estava começando a se dedicar ao basquete", conta Adrianinha.

Adrianinha e a filha na Copa América de 2009 - Arquivo pessoal - Arquivo pessoal
Imagem: Arquivo pessoal

Filha de dois jogadores, Aaliyah acabou escolhendo por conta própria se dedicar à mesma modalidade. "Eu nunca forcei ela a treinar ou entrar no basquete e acho que o fato de ela sempre me acompanhar no basquete fez com que crescesse esse sonho dela de jogar por uma universidade e seguir até onde ela puder. Ela cresceu nas arquibancadas e sempre que possível me acompanhou nas viagens da seleção", afirma.

Uma história que não é inédita. A melhor jogadora de vôlei de praia do país, Duda, cresceu acompanhando a mãe no circuito nacional da modalidade. Ana Cristina, maior promessa do vôlei, fez o mesmo com a mãe, Cida. "Acho que isso acontece muito no esporte, principalmente com nós mulheres. Ser mãe e ser atleta não é uma tarefa muito fácil, mas a força da mulher, junto com a força da atleta, nos faz enfrentar tudo isso com maestria", opina Adrianinha.

Aposentada das quadras, Adrianinha passou a se dedicar ao seu projeto social/clube em Recife, a Associação Adrianinha de Basquete, clube que Aaliyah defende quando vem ao Brasil e que formou outras duas atletas dessa seleção: a ala/pivô Alexia Araújo e a ala Clarice Orange Borges. Por esse trabalho, chegou à seleção de base como gerente técnica e assistente técnica da equipe que tem a própria filha como armadora.

Aaliyah jogando pela Associação Adrianinha - Arquivo pessoal - Arquivo pessoal
Imagem: Arquivo pessoal

"Ela joga na mesma posição, mas o basquete mudou muito", diz Adrianinha, quando perguntada sobre semelhanças entre o modo de jogar das duas. "Ela tem mais técnica e eu era mais na raça mesmo. Temos a baixa estatura em comum, mas sempre gosto de enfatizar para as crianças que o tamanho não é documento, e que elas podem desenvolver outras habilidades dentro do basquete."

A campanha na Copa América, em Guanajuato (México), por enquanto, é irregular. O Brasil até fez boa partida na derrota por 82 a 56 para o Canadá, com quem não tem mais condições de jogar de igual para igual, mas sofreu uma derrota inesperada para Porto Rico por 74 a 67 na segunda rodada. No terceiro e último jogo da fase de grupos, chegou a ficar atrás no placar, mas bateu a Costa Rica por 73 a 31. Aaliyah, que não vinha bem na competição, enfim deslanchou, com 18 pontos.

Hoje, às 19h30 de Brasília, o Brasil enfrenta a Argentina nas quartas de final. Se ganhar, vai à semifinal e se classifica para o Mundial Sub-17 do ano que vem. Se perder, volta para casa sem chance de disputar o Mundial.