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Rival de brasileira em SP nasceu no Iraque e fugiu da guerra após ser presa

Randa Markos UFC SP - Bruno Riganti/Agif
Randa Markos UFC SP
Imagem: Bruno Riganti/Agif

José Edgar de Matos

Do UOL, em São Paulo (SP)

21/09/2018 04h00

Aos 33 anos, Randa  Markos vive tranquila no Canadá e tem uma carreira consolidada dentro do Ultimate  Fighting  Championship (UFC). Hoje em São Paulo, para encarar no sábado a brasileira Marina Rodriguez, a lutadora canadense carrega um passado dramático, com lutas mais graves comparadas com as que enfrenta no octógono. Nascida em Bagdá, ela fugiu do confronto bélico e da prisão durante a Guerra do Golfo.

A própria Markos contou a história quando iniciou sua trajetória na carreira de lutadora. Depois de lutar em eventos menores no Canadá e nos Estados Unidos, a atleta recebeu a chance da vida ao participar do reality show The Ultimate Fighter. Agradou, assinou com o UFC e agora atravessa o continente americano para pela primeira vez se exibir no Brasil.

“Tenho poucas memórias de quando escapamos, apenas flashbacks. Estivemos um pequeno período na prisão, me lembro disso. Também me lembro de estar no avião quando chegamos ao Canadá. Era a primeira vez em um avião; minha mãe e minha irmã me contam as histórias, é bem louco”, contou, em entrevista à Vice.

As histórias contadas por mãe e irmã são reflexo dos anos de confronto na região do Oriente Médio, principalmente no Iraque. Randa Markos deixou o país ainda criança, depois de ser detida com os familiares por tentar fugir. Da prisão, pai, mãe e irmãs desembarcaram no Canadá para uma nova vida.

Randa Markos UFC - divulgação/UFC - divulgação/UFC
Cartaz promocional do combate de Markos no Brasil
Imagem: divulgação/UFC

Mesmo no Ocidente e distante do ambiente de guerra, a hoje lutadora cresceu sob a doutrina conservadora gerida pelo pai. Sair de casa, se relacionar com amigos de escola e conhecer mais a fundo a cultura canadense era proibido; ser lutadora naquela época então, algo inimaginável.

“Meu pai dirigia por toda parte para garantir que não saísse com amigos. Eles [pais] tentaram manter a rigidez que era no Oriente Médio, mas você ia para a escola e vê que tudo era completamente diferente”, comentou.

Esta nova visão de mundo fez Randa se “rebelar” diante da criação extremamente centralizadora. A lutadora contou para a Vice que a escola anunciou a abertura de uma nova turma de wrestling, e o interesse foi imediato – assim como o veto instantâneo dos pais.

“Eles invadiram a academia, me puxaram pelos ouvidos e me arrastaram para fora. Disseram que eu nunca mais faria isso de novo”, relembra.

A atual representante canadense do peso palha (até 52 kg) contrariou os pais, começou a praticar a modalidade e pegou gosto pelas lutas. Para conseguir treinar e evoluir, a então jovem usou outro esporte como álibi. “Falava que ia jogar vôlei, mas continuava lutando.”

A escolha pelas artes marciais se mostrou correta. Do drama da infância diante do cenário de guerra no Iraque, vencido pela persistência dos pais que insistiram na fuga, Randa Markos agora vive a carreira de lutadora no principal evento de MMA do planeta. No tatame, ela busca a nona vitória em 15 lutas.

O ambiente hostil da torcida brasileira contra estrangeiros, provavelmente, não será nada diante dos flashbacks da infância em meio ao caos nos primeiros anos de vida, ainda no Oriente Médio.

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