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Cria de Robson Conceição, pupilo Hebert Conceição herda a pressão pelo ouro: 'Sei que tenho condições'

28/07/2021 22h49


Há 16 dias em Tóquio à espera da estreia na Olimpíada, o brasileiro Hebert Conceição enfrenta, nesta quinta-feira (29), às 5h, o chinês Tuoheta Erbieke. Representando o boxe de Salvador, o jovem de 23 anos carrega uma bagagem que o postula como principal potência do ouro olímpico. Conterrâneo e xará de Robson Conceição, o baiano Hebert abre o principal evento da carreira com a expectativa de repetir o feito histórico do amigo e medalhista de ouro nos Jogos do Rio 2016.
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A espera chegou ao fim. A rotina de treinamentos na base brasileira em Ota, condado a cerca de 15km da Vila Olímpica, dará espaço ao início da principal caminhada da carreira do boxeador de 23 anos. Em entrevista ao L!, o tricampeão brasileiro e medalhista no Jogos Pan-Americanos (2019, Peru) e no Mundial de Boxe (2019, Rússia), Hebert Conceição abriu o coração sobre a trajetória até sua primeira Olimpíada e analisou expectativa e pressão criada sobre seus resultados.

Fugindo do estigma do lutador, o baiano não escolheu o boxe como opção de vantagem em brigas de rua. No coração de Hebert, a paixão pelas luvas sempre falou mais alto. Buscando se profissionalizar na modalidade, aos 14 anos já buscava desdenhava de academias que não o tornassem um atleta de alto rendimento.

- Sempre fui da zoeira, aprontava para caramba, mas nunca fui um cara brigão. As mães dos meus colegas não deixavam eles andarem comigo por que achavam que eu era má influencia. Mas sempre gostei de esporte. Como gostava de tudo, comecei a fazer boxe e descobri esse talento. Desde novo me dediquei exclusivamente ao boxe. Na Academia Champions tive muitas referências - começa.

- O Robson Conceição, apesar de na época não ser campeão olímpico, já era um atleta que tinha bastante resultados internacionais. Pedro lima, Campeão do Pan em 2007, também foi grande referência. Desde novinho pude estar treinando ao lado de grandes atletas, que me deram grande inspiração para poder chegar no mesmo patamar de carreira - completa.

A Olimpíada de Tóquio é motivo de orgulho para muitos atletas que batalharam a vida toda para alcançar o sonho de estar no principal evento esportivo do planeta. Em sua primeira participação, Hebert Conceição diz que passa um filme em sua cabeça.

-Quando moleque, nunca imaginei ser um lutador de boxe. Mas quando comecei a praticar e ter empolgação, isso me gerou ambições. Sempre almejei ser um atleta olímpico, poder representar o brasil, disputar medalha. Estou colhendo frutos do que busquei desde que comecei, em 2013 - afirma.

- Tudo que imaginei conquistar estou conquistando. Quando lembro de algumas dificuldades, isso me motiva ainda mais. Lembrar onde passei e onde quero chegar é algo que me motiva muito. Poder representar o Brasil é uma satisfação e responsabilidade muito grande. É uma satisfação enorme poder fazer o povo brasileiro se sentir representado por mim. Essa é minha maior missão, maior que conquistar medalha. Claro que a medalha é um sentimento enorme, mas fazer o povo se sentir orgulhoso é um sentimento talvez igual o de ganhar uma medalha - diz.

Sobre o fardo de principal potência brasileira no boxe, Hebert aglutina pressão com motivação.

- Sei que existe a expectativa do eu desempenho nos jogos. Acaba sendo uma pressão, mas levo mais como uma motivação. Penso que se tenho essa responsabilidade de representar o Brasil, é por que tenho condições. Penso passo a passo, não posso pensar na medalha de ouro se não passei da primeira luta. A estreia será minha primeira final - crava.

- Estou bastante ansioso, não poderia ser diferente. Minha primeira Olimpíada e no maior evento esportivo do mundo com 23 anos. Não tenho medo, estou ansioso pra ter a sensação de subir no ringue. Dormir é difícil por causa do fuso - brinca

Caso a Olimpíada ocorresse em 2020, Hebert chegaria de recentes conquistas importantes. Medalhista no Brasileiro, Mundial e Pan, o jovem de 23 anos teve sua melhor fase interrompida pela pandemia da Covid-19.

- 2019 foi meu melhor momento. Intervalo de três meses conquistei três medalhas importantíssimas. Mas hoje tenho que estar igual ou melhor que estive em 2019. Foi frustrante no início, estava numa crescente e em um ritmo bom de competição. Busquei pensar que não fui o único atingido. Se cancelou Olimpíada está ruim para todo mundo. Já que não tinha muito tempo para curtir minha família, aproveitei esse tempo para ficar com eles.

Questionado sobre como a rotina de atleta mudou, Hebert revela que aprendeu a gostar de treinar sozinho - como fez muitas vezes.

- Sou um cara que além de disciplinado, gosto muito de treinar boxe. Lógico que segunda-feira, às 6h, eu não acordo sorrindo para treinar. Acordo cansado e com sono, mas a vontade de vencer é maior que tudo isso. É um prazer treinar. Quando estou de folga também treino, por que dois dias sem treinar já fico entediado. No começo da pandemia era ruim por estar sozinho, mas já que não tinha companheiro, ia ouvindo música, aproveitando o momento de desabafo e de desestresse. Amo o que faço independente da circunstância - alega.

Soteropolitano assim como o histórico boxeador Robson Conceição, Hebert afirma que o medalhista é sua grande inspiração, mas pondera que apesar da parceria e semelhança no nome, o baiano de 23 anos quer traçar sua própria história dentro da Olimpíada.

- Sempre gostei de acompanhar Olimpíada. Tenho recordações de 2008, 2012... Em 2016 vibrei bastante com o Robson. As coisas não acontecem só com os outros se corrermos atrás de nossos objetivos. Vi ele chegar em um patamar que achava distante, mas me mostrou que se a gente consegue e faz o que deve ser feito, chegamos lá. Isso me motivou a treinar para chegar no patamar onde ele chegou - pondera.

- A historia dele me inspira muito. Antes de virmos para cá ele fez uma reunião com o grupo, passou os pontos negativos e positivos para gente chegar um pouco mais ligado sobre coisas que podem nos tirar do foco. A influencia dele é bem positiva, ele se preocupa com o grupo. Não é por que ele é campeão olímpico que ele não ter que ninguém mais seja - conclui.

*Estagiário, sob supervisão de Ricardo Guimarães.

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