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Mauro: Silêncio após decisão do STJD em caso de racismo é constrangedor

Do UOL, em São Paulo

19/11/2021 15h04

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O Superior Tribunal de Justiça Desportiva (STJD) decidiu ontem pela devolução dos pontos ao Brusque em julgamento pelo caso de racismo proferido contra o jogador Celsinho, do Londrina, durante partida da Série B do Campeonato Brasileiro. O caso ocorreu em agosto e o responsável por ofender o jogador foi Júlio Antônio Petermann, presidente do conselho deliberativo do clube catarinense.

No podcast Posse de Bola #179, Mauro Cezar Pereira critica o silêncio dos clubes de futebol e dos jogadores que não se manifestaram ainda sobre a decisão do STJD, lembrando que amanhã (20), no Dia da Consciência Negra, eles devem fazer postagens contra o racismo nas redes sociais, mas não se posicionam em um caso como o da revisão da pena do Brusque.

"O silêncio dos clubes e da maioria dos jogadores diante dessa decisão do tribunal, ninguém dá um pio. Agora todo mundo gosta de fazer, Dia da Consciência Negra, amanhã, aí cai ter artezinha bonitinha, 'o clube tal luta contra o racismo', tal jogador, a assessoria dele faz uma peça bonitinha, põe no Twitter, no Instagram: 'sou contra o racismo'. Agora, cadê a galera? Pode ter um ou outro aí, mas você procura e não vai encontrar muito, eu não encontrei nenhum", diz Mauro Cezar

"Espero encontrar pelo menos um ou outro que tenha a coragem de falar 'cara, que p* é essa de o tribunal tomar uma decisão dessa? Que negócio é esse?'. Não vejo indignação e aí me incomoda muito quando a luta contra o racismo vira marketing pessoal de alguns para dizerem que são contra o racismo, mas sem se posicionar em um momento importante como esse em que o futebol envergonha todo mundo com essa decisão abjeta do tribunal da CBF", completa.

O jornalista lembra que o Grêmio foi excluído em 2014 da Copa do Brasil em um caso no qual uma torcedora ofendeu o goleiro Aranha, do Santos, e afirma que no caso do clube gaúcho não havia nem como controlar os torcedores, diferentemente do caso do Brusque, já que este foi em um período no qual não estava liberada a presença de torcedores no estádio e o clube deveria ter o controle sobre quem estava no jogo, como o presidente do conselho deliberativo.

"Só para o torcedor entender, o jogo do Grêmio, de fato, o cara compra o ingresso em 2014 e ia para o jogo, o clube não tem como controlar quem compra o ingresso, mas o Brusque tinha o controle sobre os convidados porque não havia a venda de ingressos, foi durante a pandemia, foi antes da liberação do público, ou seja, só entrava no estádio quem o Brusque autorizava. No momento em que você autoriza, em uma pandemia, que o elemento vá assistir a um jogo de futebol no seu estádio, entendo que esse clube está assumindo a responsabilidade sobre o comportamento dessas pessoas que convidou, essa é uma diferença fundamental", diz Mauro.

"O Brusque colocou esse cara lá dentro e ele é presidente do conselho, meu Deus, que vergonha, que coisa constrangedora. E o silêncio eu acho que é quase tão constrangedor quanto essa decisão do STJD", conclui.

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do UOL

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