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Por que ação contra homofobia é tão significativa para atacante do Vasco

João Pedro, atacante do Vasco, entre a mãe, Priscila, e a companheira dela, Luana - Reprodução/Instagram
João Pedro, atacante do Vasco, entre a mãe, Priscila, e a companheira dela, Luana Imagem: Reprodução/Instagram

Igor Siqueira

Do UOL, no Rio de Janeiro

28/06/2021 04h00

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João Pedro entrou em campo já aos 41 minutos do segundo tempo na partida contra o Brusque, um minuto antes do segundo gol, que assegurou a vitória do Vasco, ontem (27), em São Januário, pela Série B. Para o atacante, por mais que o tempo em ação tenha sido curto, o vestir a camisa cruz-maltina em um jogo no qual o modelo do uniforme remeteu à ação pela causa LGBTQIA+ teve um componente especial. Dá para dizer que pessoal.

Cria da base vascaína, João Pedro, de 21 anos, tem em casa um motivo a mais para endossar e sentir, nas palavras dele, "orgulho" pela ação do clube. A mãe do jogador, Priscila Contreiras, de 39 anos, tem como companheira Luana Cavalcante. Foi com elas que João Pedro postou uma foto após a partida em São Januário.

"Essa da direita é a minha mãe. A da esquerda é a companheira dela, minha segunda mãe. E como é bom ver esse amor de perto, esse companheirismo e a felicidade delas. Orgulho é a palavra de hoje. Orgulho dessas duas mulheres, orgulho de fazer parte desse clube gigante que segue fazendo história e orgulho de estar dando um passo de cada vez", publicou o jogador nas redes sociais.

A parceria entre Prisicila e Luana observada de perto por João Pedro teve recentemente até um viés empreendedor. Em fevereiro, elas inauguraram uma barraca de culinária nordestina em uma feira cultural no bairro da Glória.

Na postagem feita pelo atacante, o zagueiro Miranda, por exemplo, respondeu: "Parabéns pela família, irmão". O meia-atacante Lucas Santos também escreveu: "Que família linda, irmão".

João Pedro faz parte de uma geração de crias da base do Vasco que se destacou na Copa São Paulo de Futebol Júnior de 2019 e tem contrato até 30 de janeiro de 2022. O atacante foi uma opção do técnico Marcelo Cabo para preencher o lado esquerdo vascaíno, substituindo MT durante o jogo contra o Brusque.

Apesar da juventude, João Pedro já tinha se mostrado atento a causas sociais durante o movimento Black Lives Matter.

"Em tempos como hoje, não deveríamos estar lutando por algo tão simples como o RESPEITO e a IGUALDADE, mas, infelizmente, isso é utópico e ainda estamos aí, como sempre na luta... Não iremos recuar!", escreveu ele, em junho do ano passado.

Mais exemplos em campo

Quando entrou em campo, João Pedro já tinha visto Cano comemorar de uma forma singular o primeiro gol vascaíno: o artilheiro ergueu a bandeirinha de escanteio — com as cores do arco-íris — como um estandarte para simbolizar a ação do clube contra a homofobia, reforçada naquele dia.

"O que estava escrito na nossa social resumiu tudo: respeito. Respeito pela causa. A gente entende que merece respeito e a gente apoia dentro do que é a história do Vasco. É institucional. A gente prega respeito a todos os segmentos. Da minha parte também. Há dados relevantes, a gente precisa sempre respeitar e apoiar o ser humano", disse o técnico Marcelo Cabo.

O endosso de João Pedro, a comemoração de Cano e o posterior elogio de Léo Matos, autor do gol da vitória, se somaram às notas e ações de marketing do Vasco, mas contrastaram com a interpretação dada a uma postagem de Leandro Castan. Durante o dia, o capitão postou um texto bíblico, um relato de Gênesis no qual se deu a origem do arco-íris — que na modernidade virou símbolo da causa LGBTQIA+. Depois do jogo, Castan voltou à mesma rede social, citando um outro texto para evitar polêmica.

"Glória a Deus por essa vitória hoje. Sempre respeitei e respeitarei a todos, 'Porque a graça de Deus se manifestou salvadora a TODOS os homens', escreveu o zagueiro.

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