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Ídolos do Corinthians se dividem sobre multa a Jô: desatenção e 'mimimi'

Jô, do Corinthians, tenta controlar a bola em partida contra o Bahia no Pituaçu - Jhony Pinho/AGIF
Jô, do Corinthians, tenta controlar a bola em partida contra o Bahia no Pituaçu Imagem: Jhony Pinho/AGIF

Yago Rudá

Do UOL, em São Paulo

21/06/2021 19h31

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A escolha do atacante Jô em utilizar uma chuteira azul-turquesa, que acabou gerando confusão com a cor verde durante a transmissão da partida entre Bahia e Corinthians, no último domingo, causou polêmica com a torcida e o clube decidiu multar o atleta. Na opinião de alguns ídolos do Alvinegro, a postura do centroavante poderia ter sido evitada, assim como a decisão do clube em punir o atleta financeiramente.

Procurado pelo UOL Esporte para comentar o caso, o ex-jogador Marcelinho Carioca afirmou ter certeza que o Corinthians não aplicará a multa anunciada. Na visão do Pé de Anjo, o caso apenas ganhou repercussão devido à má fase da equipe e ao momento do centroavante, que perdeu a vaga na equipe titular com a chegada de Sylvinho.

"O Jô foi criado no Parque São Jorge, ele conhece tudo lá dentro, ele é corintiano. Ele não pode usar verde e ele sabe disso, mas imagina se ele estivesse com a chuteira verde e fizesse três gols. O que iriam fazer? Mandariam ele só jogar de verde. É óbvio que ele não pode ir de short verde e camisa branca e ir treinar. Isso não existe", afirmou o ex-camisa 7 do Corinthians e hoje jornalista.

"A polêmica é porque o time não está ganhando. Eu tinha uma Range Rover verde quando jogava no Corinthians e ninguém falava nada porque quarta e domingo eu fazia gol. Não é a cor da chuteira, não pode colocar em dúvida o caráter do Jô, a formação dele, o coração dele. Ele está acima disso. É muito 'mimimi'. Internamente (referindo-se sobre a multa), não é assim", concluiu Marcelinho em contato com a reportagem.

Autor do gol que tirou o Corinthians da fila de títulos em 1977, Basílio segue a mesma linha de raciocínio e lembra que há uma cultura dentro do clube e, sobretudo na torcida, que veta o uso da cor verde. Para o ídolo da Fiel, o centroavante foi desatento e poderia ter evitado o problema.

"Com certeza é uma polêmica e sempre vai ser. A rivalidade entre Corinthians e Palmeiras é gigante, histórica e o Jô sabe muito bem disso. Eu nunca passei por uma situação dessa, mas essa geração tem ciência de que não pode usar o verde no Corinthians. Eu acho que alguém poderia ter dado um toque no Jô sobre isso", argumentou Basílio.

Velho conhecido da Fiel, o ex-volante Biro Biro entende que a escolha pela chuteira azul-turquesa prejudica a imagem de Jô com a torcida. O momento do clube não é dos melhores, o Corinthians passa por uma fase de reconstrução e um episódio como o do último domingo poderia ser evitado.

"O torcedor se irrita. Não tem nada a ver com o desempenho dele, se está jogando bem ou mal, mas em termos de rivalidade complica. É um negócio que não pega legal para a imagem dele. O Jô vive o Corinthians há muito tempo, cresceu no clube e deveria saber disso. Achei que não foi legal dele entrar com uma chuteira verde", explica Biro Biro, um dos membros da Democracia Corintiana, no início da década 1980.

Por fim, o ex-zagueiro Chicão — campeão com o Corinthians na Série B do Brasileirão em 2007 e também do Mundial de Clubes, cinco anos depois, interpreta que o erro também foi da Nike — fornecedora das chuteiras de Jô. Na visão dele, a empresa poderia ter previsto uma repercussão negativa ao oferecer uma chuteira de uma outra cor ao atacante.

"O maior erro é da fornecedora em mandar uma chuteira dessa. É a mesma coisa que em um Grenal mandar uma chuteira azul para o jogador do Inter ou uma vermelha para um jogador do Grêmio. A fornecedora quer vender a marca dela, mas o Jô sabia e também tem culpa. Ele treinou pelo menos uma semana com ela para levá-la ao jogo, todo mundo sabia e ninguém falou nada?", afirmou Chicão em contato com o UOL Esporte.

O ídolo do clube do Parque São Jorge lembrou que a multa imposta ao jogador é complexa e opinou que não deveria ser aplicada, já que não há nenhuma regra contrária ao uso da cor verde no Corinthians.

"O Corinthians tem tanto problema para resolver e vai se importar com a cor da chuteira do Jô? Não é por aí. Eu acho que ele errou, mas ser multado é uma outra história. Em 2008, o Mário Gobbi nos orientou a apenas usar o material oficial do clube nas concentrações, jogos e entrevistas, mas a chuteira é um material do atleta, não do Corinthians", concluiu Chicão.

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