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ANÁLISE

Texto baseado no relato de acontecimentos, mas contextualizado a partir do conhecimento do jornalista sobre o tema; pode incluir interpretações do jornalista sobre os fatos.

Mauro Cezar: As pessoas vão deixar de se aglomerar se não tiver futebol?

Do UOL, em São Paulo

05/03/2021 18h10

Com o Brasil vivendo o seu pior momento na pandemia, com o número de mortes em 24 horas passando de 1.700 nos últimos dias, a continuidade das competições de futebol gera questionamentos com os deslocamentos das equipes, algumas delas tendo jogadores diagnosticados dom a covid-19 nos últimos dias, além das aglomerações provocadas pelos torcedores, como ocorreu no título do Palmeiras na Libertadores e no do Flamengo no Brasileirão.

No podcast Posse de Bola #105, Mauro Cezar Pereira se diz contrário à paralisação do futebol no Brasil, discorda de pedido do Ministério Público para que as competições sejam interrompidas e cita as aglomerações que estão acontecendo em diversos outros segmentos, além de criticar a assinatura de decreto por João Doria (PSDB), governador de São Paulo, para definir igreja como atividade essencial em meio à pandemia.

"Elogio o Ministério Público, mas algumas ações não são necessárias. Honestamente, acho que antes de se preocupar com futebol, poderia, por exemplo tentar impedir o que o governador Doria acabou de, há dois dias, de decretar aqui em São Paulo que as igrejas podem ficar abertas. No Rio de Janeiro, ontem, tivemos um culto na quadra da Grande Rio com milhares de pessoas, um culto religioso, aí a escola de samba diz o seguinte 'eu só aluguei a quadra'. Você está alugando a quadra no meio da pandemia", diz Mauro Cezar.

O jornalista afirma que as críticas feitas a Renato Portaluppi, quando o técnico defendeu que o futebol é um dos segmentos mais seguros na pandemia em entrevista coletiva após a vitória do Grêmio sobre o Brasil de Pelotas na última quarta-feira.

"O Renato Gaúcho foi alvo de muitas críticas injustas nessa semana, porque muita gente nitidamente nem ouviu o que ele falou, nem se deu ao trabalho de acompanhar a coletiva dele. Ele foi super ponderado, nem parecia o Renato dessas frases meio desconectadas do que acontece em campo de jogos recentes, que a gente tem até criticado. Ele contextualizou, ele não criticou o Lisca, ele colocou lá o ponto de vista dele, lembrando que ninguém testa a quantidade de vezes como o pessoal do futebol", diz Mauro Cezar.

Ele também cita as aglomerações que ocorrem em transporte público, aeroportos e até promovida por políticos e questiona por que não se faz nada para evitar, enquanto agora se questiona a sequência dos campeonatos de futebol, citando também aglomerações como a de quando o presidente Jair Bolsonaro (sem partido) nadou em meio a banhistas no litoral paulista no início do ano.

"Essas pessoas que se aglomeram para esperar ônibus, para ir para aeroporto, alguém acha que essas pessoas não vão se aglomerar se não tiver futebol? Elas vão se aglomerar. No culto religioso, na praia. E as praias aqui de São Paulo? E o Bolsonaro nadando com o pessoal na praia? Por que aquela praia estava aberta? Ele com a camisa do Santos mergulha de um barco, sai nadando aos aplausos dos seguidores, por que aquela praia estava repleta de gente, com ou sem o presidente da República ali?", questiona.

"Por que as praias do Rio de Janeiro, Copacabana fica entupida de gente e todo mundo vê aquilo ali, por que a praia não é interditada? Então acho que as aglomerações não estão acontecendo pelo futebol. Dois ou três mil malucos que vão para a porta do Maracanã para receber o ônibus do Flamengo antes do jogo contra o Inter ou para a porta do Morumbi quando o São Paulo for enfrentar o Grêmio, eles são inclusive a minoria em relação aos milhões que ficam em casa vendo o jogo da televisão, vendo o jogo pela televisão, a maioria não vai, alguns idiotas vão lá e se aglomeram, não têm que fazer isso. Como outros vão lá para a igreja, agora, por que os governadores permitem que as igrejas fiquem abertas? Por uma questão política", completa.

O jornalista também lembra que na volta do futebol quando houve a paralisação em 2020, vários jogadores foram diagnosticados com covid-19, sendo que os jogos não estavam sendo realizado.

"O futebol está sendo disputado lá fora, está sendo praticado aqui no Brasil, os jogadores quando ficaram 90 dias em quarentena, ou mais, voltaram dezenas deles com covid. O Corinthians mesmo, que está com um monte de jogador com covid voltou com mais de 20 com covid, esses caras estavam fazendo quarentena? Essas pessoas estavam guardadinhas em casa ou estavam se relacionando com outras? O futebol está reproduzindo o que é a nossa sociedade", diz Mauro.

"Eu acho que o problema não é o futebol, eu acho que o futebol tem um rigor no controle que eu não vejo nenhuma outra atividade, talvez até na área de saúde não tenha, não sei se na área da saúde se testa tanto quanto no futebol. Os protocolos não são perfeitos, evidentes que não, eles podem e devem ser discutidos e aprimorados, mas eu acho que o futebol sempre é alvo desse tipo de questionamento porque ele dá muita visibilidade", conclui.

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** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do UOL

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