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Futebol vira exceção e se livra do toque de recolher na França contra Covid

Divulgação/Ligue 1
Imagem: Divulgação/Ligue 1

Karla Torralba

Do UOL, em São Paulo

17/10/2020 04h00

Enquanto países da Europa já enfrentam a chamada segunda onda de contaminações pelo novo coronavírus, o futebol, uma das primeiras áreas a parar no mês de março por causa da Covid-19, continua, pelo menos por enquanto, isento às mudanças constantes de regras dos governos europeus na tentativa de conter um novo avanço da doença. Na França, PSG x Manchester United, pela Liga dos Campeões, acontecerá na próxima terça (20) em horário com toque de recolher vigente em Paris.

A capital francesa está entre as várias áreas colocadas como de alto risco de contaminação pelas autoridades locais. A partir das 21h de hoje (17), ninguém mais poderá circular pelas ruas de Paris, a não ser que tenha motivo como retorno do trabalho. O jogo do PSG, válido pela primeira rodada da fase de grupos da Liga dos Campeões, começa às 21h (da França), 16h (de Brasília).

Em contato com a reportagem, o Ministério do Esporte francês explicou que não há restrição ao esporte profissional em geral, que entra, pelo menos nesse estágio da segunda onda de contaminações no país, como "exceção à regra". "O desporto profissional e o desporto de alto nível beneficiam de isenção para continuar a sua atividade, inclusive, após às 21h para áreas sujeitas a toque de recolher", disse em nota enviada.

A isenção também vale para jogos de outros campeonatos e times. Olympique de Marselha e Bordeaux jogam às 21h (hora da França) de hoje, pela sétima rodada do Campeonato Francês, já com a nova regra vigente. Outras regiões como Grenoble, Lille, Lyon, Aix-Marselha, Saint-Etienne, Rouen, Montpellier e Toulouse também terão toque de recolher pelas próximas quatro semanas, das 21h até 6h.

A única mudança em relação aos jogos de futebol na França diz respeito à presença de torcedores, que voltou a ser proibida em locais com tal restrição. O jogo PSG x Manchester United, por exemplo, teria a presença de torcedores, o que já foi vetado.

A França tem um dos maiores crescimentos de casos de Covid-19 da Europa dos últimos dias. Na quinta (15), chegou a registrar mais de 30 mil novos casos da doença. Na Inglaterra, país do rival do PSG, não é muito diferente e o governo desaconselha viagens para França.

Do lado da Uefa, que viu Cristiano Ronaldo ter resultado positivo de teste de coronavírus durante a Liga das Nações, na última semana, os protocolos de higiene da entidade são exaltados e os jogos seguirão normalmente. A entidade alerta, no entanto, que segue as restrições de casa local, como o caso da presença ou não de torcedores.

"Desde a sua introdução, em agosto de 2020, o Protocolo de Retorno ao Jogo da Uefa foi implementado para centenas de jogos. Cada equipe teve de aderir o regime de testes rigorosos, que é efetuado pela Synlab [laboratório internacional com sede na Alemanha] em nome da Uefa", disse em comunicado a entidade máxima do futebol europeu. Desde o começo de outubro, a entidade permite até 30% de público em jogo que acontecem em cidades permitidos.

A bola continua rolando ainda em outros países que vivem a segunda onda de contaminações, como Alemanha, Espanha, Itália e a própria Inglaterra. Na Espanha e na Itália o futuro das competições esportivas ainda é incerto.

Os italianos já admitem uma nova paralisação dos jogos em meio a contaminações crescentes entre os próprios jogadores. Na Espanha, tudo é visto ainda com cautela e ninguém se manifesta sobre o assunto.

A Organização Mundial da Saúde (OMS) ressalta a importância dos protocolos rígidos de higiene e distanciamento social e alerta que "não há risco zero para contaminação".

"As reuniões em massa têm o potencial de atuar como eventos de super propagação. Qualquer decisão de realizar um evento planejado deve ser baseada em uma avaliação cuidadosa dos riscos e como eles podem ser gerenciados com segurança no nível de planejamento. Não existe risco zero de infecção. As autoridades e as partes interessadas estão na melhor posição para avaliar o nível de estresse que o evento pode causar no sistema de saúde local e nos serviços de emergência, e se esse nível de estresse é aceitável na situação atual", disse a entidade ao UOL.

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