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Marinho pede leis severas contra racismo e vê falta de respaldo no Brasil

Marinho jogador do Santos lamenta ao final da partida contra o Botafogo no estadio Engenhao pelo campeonato Brasileiro A 2020 - Thiago Ribeiro/AGIF
Marinho jogador do Santos lamenta ao final da partida contra o Botafogo no estadio Engenhao pelo campeonato Brasileiro A 2020 Imagem: Thiago Ribeiro/AGIF

Colaboração para o UOL, em São Paulo

29/09/2020 00h17

O atacante Marinho, do Santos, falou sobre manifestações antirracistas no futebol brasileiro. Em participação no "Bem, Amigos!", do SporTV, na noite de hoje (29), o jogador cobrou leis mais severas no país — ele próprio foi alvo de racismo durante uma partida do Campeonato Paulista.

"Eu passei uma situação sendo pessoa pública, e vejo pessoas que não têm voz ativa passar por isso diariamente. É sempre importante que a sejam criadas leis severas, porque se não a gente vai sempre ficar em hashtag, em internet e não vai mudar", cobrou o atacante.

"Eu quero que as pessoas tenham mais empatia pelo próximo. Quando eu falo em igualdade eu não falo só da cor. Falo dos negros e dos gays também. Ter empatia e mais amor pelas pessoas. Estamos vivendo num mundo com tanta dificuldade, mas acredito que a pandemia veio para nos ensinar o que é amar, o que é ter empatia", acrescentou.

Marinho comparou ainda o cenário nacional com outros países. Para o jogador, não há o mesmo respaldo para as críticas no Brasil.

"Quando o Hamilton faz isso, o LeBron faz isso lá nos EUA, eles têm muito respeito. Se no Brasil você vai fazer é muito mimimi, Nutella, isso e aquilo. Mas eu vou defender a bandeira porque muita gente passa por isso e não tem voz ativa. Não ligo para o que vão falar de mim", disse.

"Isso nos machuca. Porque lá fora as pessoas falam e têm respeito, elas recebem um abraço de todo mundo. Aqui, se a gente vai defender, muita gente vem e ainda critica. Acredito que só no Brasil seja assim. É como eu falei, independentemente do que falam de mim, vou estar sempre brigando por aquilo que acho que é certo", finalizou.

Em julho, o comentarista Fabio Benedetti, conhecido como Chef Benedetti, fez um comentário racista sobre Marinho durante a transmissão de Santos e Ponte Preta, na rádio "Energia 97", pelas quartas de final do Campeonato Paulista.

No intervalo da partida, após o atacante Marinho, que é negro, ser expulso, Benedetti foi questionado sobre o que diria ao santista em um suposto grupo de Whatsapp do qual os dois fariam parte. Benedetti afirmou: "Eu vou falar assim: 'Você é burro, você está na senzala, você vai sair do grupo uma semana para pensar sobre o que você fez.'"

Posteriormente, Marinho disse que perdoou o radialista, mas que o profissional ainda terá que "pagar pelo que fez".

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