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Vitória com má atuação expõe dificuldade de ataque do Flu sem centroavante

Luiz Henrique foi testado como falso 9 por Odair Hellmann, que vê problemas no ataque do Fluminense  - Lucas Mercon/Fluminense FC
Luiz Henrique foi testado como falso 9 por Odair Hellmann, que vê problemas no ataque do Fluminense Imagem: Lucas Mercon/Fluminense FC

Caio Blois

Do UOL, no Rio de Janeiro

17/09/2020 04h00

Classificação e Jogos

O Fluminense venceu, mas esteve longe de convencer na noite de jogo morno no Maracanã. A vitória sobre o Atlético-GO por 1 a 0 veio com má atuação e uma preocupação que cresce internamente: a equipe de Odair Hellmann segue com dificuldade na ausência de um centroavante.

Por toda a situação que envolveu a tentativa frustrada de renovação, o Tricolor esteve de mãos atadas com a venda de Evanílson para o Porto. Sem o titular da posição, o fardo recorreria ao reserva natural, o ídolo Fred. Mas o camisa 9 testou positivo para coronavírus e desfalcou a equipe nos últimos dois jogos, os primeiros sem o jovem negociado. Por isso, o treinador precisou fazer testes — que não deram resultado.

A dificuldade para criação tem reflexo no artilheiro do país em 2020. Aos 39 anos, Nenê está muito bem fisicamente, mais ainda assim não tem a vitalidade de um jovem para ser arco e também flecha em campo. O camisa 77 funciona melhor com atacante à sua frente abrindo espaços em diagonais, o que não vem acontecendo. Sem um centroavante, o melhor jogador do Flu na temporada acaba participando menos do jogo.

Contra o Dragão, também por conta da maratona, é bem verdade, o meia não repetiu suas melhores atuações. Saiu do jogo mais cedo, aos 15 minutos da segunda etapa. Com Paulo Henrique Ganso em seu lugar, a equipe esteve mais organizada, mas seguiu com problemas no ataque, ainda que, flutuando mais, Marcos Paulo tenha crescido no jogo.

Testes não dão resultado

Sem outro jogador de ofício na posição, a tentativa foi por um falso 9. O primeiro testado foi Nenê, no Fla-Flu. Na verdade, Odair já havia tentado atuar com o meia mais avançado em outros momentos. Assim como no início do ano, apesar de ser o artilheiro do Fluminense em 2020, o camisa 77 não funcionou sem um atacante à sua frente para abrir espaços.

Depois, outros dois jovens também atuaram centralizados — além de Felippe Cardoso, que estava fora dos planos, mas recebeu chance no segundo tempo da vitória sobre o Corinthians. Marcos Paulo, que foi centroavante em grande parte de sua formação nas divisões de base do clube, em Xerém, voltou a atuar como referência.

Em má fase e sem a força necessária para o esquema da equipe em 2020 — diferente de 2019, onde se destacou justamente como um "camisa 9" — entretanto, acabou sacado. Aí, Luiz Henrique, um ponta, foi testado contra o Atlético-GO. Sua boa atuação, entretanto, teve com destaque lances onde fugia da posição de centroavante. Ainda assim, os dois jovens foram bem e merecem seguir titulares sem Fred ou Evanílson, outra dor de cabeça (agora boa) para Odair Hellmann, que gostou do que viu.

"Vínhamos colocando ele [Luiz Henrique] mais pelo lado de campo. Ele pode ser um atacante de lado de campo, pode ser um atacante por dentro. Hoje oportunizamos ele mais como centroavante, com característica bem específica de movimentação, de profundidade, mas agregando a imposição que ele tem de pivô, ao cabeceio, ele tem boa finalização", disse, para prosseguir.

"Acho que fez uma ótima partida em todos os sentidos. Não sentiu desconforto em relação aos movimentos, à função. Foi muito bem. Ganhamos mais uma opção nessa função, que é tão importante para o time. Temos o Fred, temos o Marcos Paulo que faz por dentro, temos o Felipe que estamos oportunizando novamente. Acho que ganhamos mais uma opção com o Luiz, que mostrou capacidade", destacou.

Mudança de ideia?

Na ausência de centroavantes e sem um jogador talhado para atuar como falso 9, outra opção para Odair é modificar sua ideia de jogo. Se prefere um 4-1-4-1, na formação numérica sem a bola, o treinador gosta de movimentação e trocas de posição no ataque, principalmente com construção a partir de tabelas rápidas.

Assim, sem um jogador de referência mas com boas alternativas de mobilidade, talvez a melhor ideia seja atuar com dois jogadores por dentro. Nos últimos 20 minutos da vitória sobre o Dragão, a equipe teve esse formato com Luiz Henrique e Marcos Paulo se movimentando bastante no último terço do campo. A dupla joga junto há anos em Xerém, entrosamento que pode ajudar o Flu neste momento.

Flu buscará atacante no mercado sul-americano

Sem alternativas no mercado da bola nacional, o Tricolor aguarda a reabertura da janela de transferências para buscar um centroavante em outros países da América do Sul. A prática não é novidade, já que no início da temporada, o Fluminense acertou as contratações do uruguaio Michel Araújo e do peruano Fernando Pacheco.

Os gringos chegaram sem muito alarde, apesar de o atacante ser capitão da seleção sub-23 de seu país e ter feito bom pré-olímpico, além de chegar com boas atuações. Com uma adaptação um pouco mais lenta, o meia aproveitou as chances que teve após a paralisação para a pandemia e virou peça-chave no time de Odair Hellmann.

Apesar dos esforços, o Flu não deve fazer uma contratação de peso e sim apostar em atletas indicados pelo departamento de scout, em função da situação financeira difícil — em que pese as negociações de Gilberto, Evanílson e Marcelo Pitaluga.

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