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Como Marquinhos virou referência, é moldado pra capitão e só cresce no PSG

Zagueiro Marquinhos em partida do PSG contra o Nantes - Gonzalo Fuentes/Reuters
Zagueiro Marquinhos em partida do PSG contra o Nantes Imagem: Gonzalo Fuentes/Reuters

João Henrique Marques

Colaboração para o UOL, em Paris

09/06/2020 04h00

Classificação e Jogos

Enquanto Neymar, Thiago Silva, Edinson Cavani e Keylor Navas curtem férias em seus países, Marquinhos já está na França para cumprir quarentena antes de se reapresentar ao Paris Saint-Germain. O defensor atende à recomendação dos dirigentes, que pediram que os 15 dias de isolamento obrigatórios fossem cumpridos a tempo para a volta aos treinos em 22 de junho. Nos bastidores do clube, o brasileiro é tratado como referência para o elenco e já sabe que futuramente vai ocupar o posto de capitão.

Quando renovou contrato com o PSG até 2024 em janeiro, Marquinhos ouviu dos dirigentes a promessa de que a braçadeira será sua futuramente. Hoje, Thiago Silva é o capitão da equipe, mas o zagueiro de 35 anos pode deixar o clube ao fim da temporada.

Não à toa, Marquinhos já é tratado como líder do elenco. Na recente discussão sobre redução salarial, o defensor foi um dos mais ativos, ao lado de Thiago Silva e Kylian Mbappé. Bem quisto pelo grupo, ele é definido por muitos como figura mais serena que o companheiro de zaga.

Em momentos de crise, Marquinhos é repetidamente escolhido como porta-voz do elenco. No caso mais recente, em março, o zagueiro foi o único a defender o grupo publicamente após a exibição de um vídeo de festa dos jogadores dois dias depois da derrota para o Borussia Dortmund, pelo jogo de ida das oitavas de final da Liga dos Campeões. Na ocasião, os atletas celebravam os aniversários de Edinson Cavani, Mauro Icardi e Ángel di María.

"Foi um erro divulgar imagens como essas. Nem todos estavam de acordo. Agora, o aniversário em conjunto estava previsto antes do jogo. Não é questão de resultado. Pedimos desculpas ao torcedor que se sentiu desrespeitado, mas ninguém aqui está de brincadeira. É um momento em que a gente tenta esquecer um pouco o futebol, passar um bom momento juntos para dar risada, pensar em outras coisas", disse o brasileiro, na ocasião. Apesar do episódio, o PSG ficou com a vaga nas quartas de final da Champions após vencer o jogo de volta contra o Dortmund por 2 a 0.

Marquinhos chegou ao PSG em 2013, com apenas 19 anos. A rápida adaptação ao clube impressionou dirigentes. Atualmente, ele é visto pela diretoria como o estrangeiro do elenco com melhor nível de fluência no idioma francês.

Marquinhos escolheu ficar no PSG

Marquinhos sabe que terá de aprender a conviver com sondagens de grandes clubes. Já é assim há algum tempo. Em 2016, por exemplo, o zagueiro recebeu uma proposta do Barcelona, a que mais o balançou desde sua chegada a Paris.

A permanência é vista pela família do jogador como uma decisão em conjunto. Além da esposa Carol Cabrino, o zagueiro tem dois filhos e o irmão e empresário, Luan Aoás Corrêa, vivendo em Paris. Os pais e outros parentes próximos costumam visitá-los frequentemente.

A decisão de ficar no PSG é uma reviravolta em relação ao cenário vivido pelo jogador na temporada passada. O brasileiro passou dias chateado com o status de reserva — naquela época, a dupla de zaga titular era formada por Thiago Silva e Presnel Kimpembe. Quando começava as partidas, era improvisado como volante. Só que foi justamente o bom rendimento apresentado como meio-campista que o fez ganhar ainda mais prestígio internamente.

Marquinhos e os familiares queriam buscar um grande clube na Europa em que a posição de titular fosse garantida a ele. Reuniões com o presidente do PSG, Nasser Al-Kelahifi, foram marcadas, mas a evolução rápida o fez desistir do pedido de negociação. O brasileiro tornou-se presença frequente no time, seja na zaga ou no meio-campo.

Ídolo da torcida

Marquinhos faz parte do trio de maiores ídolos da torcida Ultras do PSG, ao lado de Thiago Silva e Edinson Cavani. Para atingir o patamar, precisou superar crise com ameaças e tentativa de agressão em 2017, após derrota por 6 a 1 para o Barcelona pela Liga dos Campeões. No retorno a Paris, ele e a esposa tiveram dificuldades para deixar o aeroporto de carro, que era atingido por pontapés de membros da organizada.

Na época, Marquinhos rompeu relações com a torcida e ameaçou deixar o clube. O zagueiro teve receio de ser perseguido pela organizada e o próprio Barcelona era visto como destino provável. No Parque dos Príncipes, vaias e faixas em repúdio ao time eram recorrentes. Hoje, com a crise superada, as manifestações ofensivas são todas voltadas a Neymar.

Bandeira com a imagem de Marquinhos é estendida no Parque dos Príncipes - Martin Bureau/AFP - Martin Bureau/AFP
Bandeira com a imagem de Marquinhos é estendida no Parque dos Príncipes
Imagem: Martin Bureau/AFP

Dialogar com jogadores do PSG é comum para a torcida Ultra. O grupo costuma marcar encontros com representantes do elenco após treinos em momentos chave da temporada. Em março do ano passado, por exemplo, Marquinhos teve que acalmar os torcedores depois da eliminação para o Manchester United, pelas oitavas de final da Liga dos Campeões.

Ao fim de cada jogo do time no Parque dos Príncipes, o brasileiro costuma caminhar até o setor em que os Ultras marcam presença para aplaudi-los, e muitas vezes, jogar a camisa para os torcedores da organizada.

"O Marquinhos lembra o Raí pela forma como atua próximo a nós. O tratamos com respeito e com a certeza de que esse é um jogador símbolo do PSG", explicou o presidente da torcida Ultra, Romain Mabille.

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