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Como está "namoro de R$ 1 bilhão" entre Neymar e Barça 5 anos após auge

Neymar sorri durante sua apresentação no Barcelona, em 2013 - David Ramos/Getty Images
Neymar sorri durante sua apresentação no Barcelona, em 2013 Imagem: David Ramos/Getty Images

João Henrique Marques

Colaboração para o UOL, em Paris

06/06/2020 04h00

Em 6 de junho de 2015, Neymar viveu o auge com a camisa do Barcelona. Naquele dia, o brasileiro fez o gol que selou a vitória por 3 a 1 sobre a Juventus, na final da Liga dos Campeões, e consolidou a histórica temporada da tríplice coroa da equipe, que venceu também o Campeonato Espanhol e a Copa do Rei. O que o jogador viveu naquele dia ainda pesa em seu desejo de retornar ao clube catalão, e as negociações com o Paris Saint-Germain para que isso aconteça devem ser retomadas em breve.

Por enquanto, as conversas estão suspensas por conta da crise causada pela pandemia do novo coronavírus. A pessoas próximas, Neymar diz ter pouca confiança de um possível retorno nos próximos meses, mas sabe que novas tentativas serão realizadas. O UOL Esporte reúne o que é discutido nos bastidores da operação que voltará a ser o centro das atenções no mercado da bola — a janela internacional de transferências está aberta e irá se fechar em 1º de setembro.

Neymar tem um preço

A principal mudança em relação à negociação que terminou sem sucesso no ano passado, dessa vez, Neymar tem um preço, quase R$ 1 bilhão. O entorno do jogador e o Barcelona acreditam que o brasileiro pode ser comprado por 170 milhões de euros (R$ 954 milhões), valor atualizado de sua multa rescisória.

Seu contrato com o PSG vai até julho de 2022. Em 2019, o clube chegou a exigir os mesmos 222 milhões de euros (R$ 1,24 bilhão, na cotação atual) que pagou para tirá-lo do Barcelona em 2017. O jogador fez de tudo para viabilizar a negociação, ficando até afastado de treinos e jogos. No entanto, a agremiação parisiense desdenhou das propostas que recebeu.

"Sempre dissemos que ele sairia, se houvesse uma proposta satisfatória, mas não houve. Ele pode sair sob as nossas condições, mas, hoje, nenhum clube nos dá estas condições. Tudo depende do Barcelona", disse o diretor de futebol do PSG, o brasileiro Leonardo.

Como Barcelona juntaria 170 milhões de euros?

Para tentar comprar Neymar, o Barcelona precisaria vender figuras de peso, como o brasileiro Philippe Coutinho, emprestado ao Bayern de Munique, e o francês Ousmane Dembélé. Se negociar os dois, poderia começar a viabilizar a investida pelo camisa 10 do PSG. Especializado no mercado da bola, o site Transfermarket calcula que o dois juntos valem 112 milhões de euros (R$ 630 milhões).

O Barcelona também discute incluir jogadores na negociação para tentar diminuir o preço de Neymar. Porém, Dembelé se posicionou contra uma possível ida para o PSG em 2019. Coutinho, por sua vez, tem a volta ao futebol inglês como opção predileta.

Neymar se concentra no PSG a curto prazo

Diferentemente do que aconteceu no ano passado, Neymar tem foco no PSG durante a janela internacional de transferências. Isso porque o brasileiro acredita na possibilidade de conquista da Liga dos Campeões - a equipe francesa está nas quartas de final. A competição deve ser retomada em agosto, justamente na reta final das negociações do mercado da bola.

O Barcelona espera que, a partir do encerramento da Liga dos Campeões, o brasileiro tenha nova postura em busca da possível transferência. Neste cenário, está incluída a chance de Neymar ser campeão com o PSG e encontrar mais flexibilidade na diretoria do clube francês como agradecimento pelo título.

Os articuladores de peso

A negociação com Neymar tem a participação de figuras de peso do elenco do Barcelona. Os atacantes Lionel Messi e Luis Suárez seguem em contato com o brasileiro e pressionam os dirigentes do clube catalão pedindo o retorno do atacante. Além disso, o zagueiro Gerard Piqué já citou que o plantel tinha acordado redução salarial para facilitar um acordo com o brasileiro.

O Barcelona conta com o catalão Álvaro Costa para ajudar a monitorar os passos de Neymar. Ele é funcionário da Nike, mas carrega forte vínculo com o clube espanhol, já que seu pai, Pepe Costa, representa Messi junto à agremiação. Álvaro tem idade parecida com a do brasileiro e é um dos seus melhores amigos. Durante a investida do ano passado, ele passou vários dias na casa do jogador em Paris.

Agente cortado segue na ativa

Em reformulação no seu quadro de olheiros, o Barcelona decidiu desligar o brasileiro André Cury da função. A iniciativa, no entanto, pouco afeta as tratativas para o retorno de Neymar. O agente vai seguir nos bastidores da operação.

André Cury tem a amizade com Neymar da Silva Santos, pai do jogador, como trunfo para seguir participando da negociação. O ponto alto da relação do agente com o Barcelona foi justamente a contratação do atacante, em 2013, quando ajudou a superar forte investida do arquirrival Real Madrid. Mesmo sem contrato com o clube catalão, ele seguirá oferecendo jogadores brasileiros à diretoria.

A crise da pandemia

A pandemia do novo coronavírus colocou vários obstáculos no caminho do Barcelona. O clube já fechou seu museu, que gera cerca de 60 milhões de euros (R$ 337,5 milhões) por ano, e suas lojas na Espanha. Além disso, a retomada de jogos sem torcida deve tirar mais uma fonte de receita dos catalães.

Para minimizar os efeitos da crise, o Barcelona acertou com os jogadores uma redução salarial de cerca de 70% por três meses, com base no período de Estado de Alarme estipulado pelo governo espanhol. Com o acordo, o clube deve economizar cerca de 35 milhões de euros (R$ 196,9 milhões).

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