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Avelar paralisa negócio por coronavírus e cita desafio mental em quarentena

Danilo Avelar ressaltou que os desafios durante a quarentena também fazem parte da rotina de um atleta - Reprodução/TV UOL
Danilo Avelar ressaltou que os desafios durante a quarentena também fazem parte da rotina de um atleta Imagem: Reprodução/TV UOL

Diego Salgado

Do UOL, em São Paulo

03/04/2020 04h00

Os campeonatos estão suspensos pelo Brasil afora diante do avanço do coronavírus. A situação tem sido desafiadora para os atletas, confinados como boa parte da população. O zagueiro do Corinthians, Danilo Avelar, por exemplo, acredita que um dos objetivos durante a quarentena é lidar com um cenário sem muitas perspectivas.

"O mental também fica afetado, pois estamos todos, não apenas os atletas, vivendo um clima de tensão onde só se vê notícias ruins e não se tem muita perspectiva do que pode acontecer daqui para frente", disse o atleta em entrevista ao UOL Esporte.

Além de ter de mudar a rotina de treinos, com atividades realizadas dentro de casa, Danilo Avelar também teve de mudar os planos em relação à sua empresa no setor de estética. "Fechamos a operação até melhorar a situação", disse.

O jogador — que ficou fora da lista inicial de inscritos no Campeonato Paulista por causa de uma pubalgia (lesão no púbis), mas já voltou a treinar com o restante do grupo — também falou de futebol. Antes da paralisação das atividades, Danilo Avelar vivia as primeiras semanas de uma fase nova. Com a chegada do técnico Tiago Nunes, ele foi deslocado da lateral esquerda para a zaga. Para se adaptar à nova função, o agora zagueiro admitiu que se inspira em dois jogadores europeus: Van Dijk, do Liverpool, e Sergio Ramos, do Real Madrid.

Confira na íntegra a entrevista com Danilo Avelar

UOL ESPORTE: Como tem sido os treinos em casa durante a pausa?

DANILO AVELAR: O clube nos deu orientações de treino e alimentação, tenho treinado diariamente. Em um turno, às vezes dois. E mantido alimentação saudável, pois quando retornar quero estar mais rápido possível 100%.

O que você faz para ocupar a mente?

Tenho aproveitado o período para ficar com a família, nossa rotina [de jogador] é tão intensa que ficamos dois, no máximo três dias em casa por semana. Temos que tirar coisas boas de todas situações, e esse momento vale para ficar com a família.

Como é a comunicação com o clube? Como vocês recebem as atividades?

O clube tem nos acompanhando constantemente, temos grupos de WhatsApp que trocamos informações e, inclusive, nos ajudamos com treinos. Como temos que ficar em casa, o espaço não é o mais ideal, e algumas vezes precisamos adaptar rotinas e periodicidades. Mas temos recebido todo respaldo do clube e dos profissionais para minimizar os prejuízos físicos dessa pausa.

Você tem um negócio fora do futebol. Como tem feito a gestão disso diante do avanço do coronavírus no mundo?

É um momento difícil para todo comércio, e todo comerciante. A economia desacelera e temos que nos adaptar, mas, neste momento, o prevalece é a vida das pessoas e o bem-estar comum. Abri uma clínica estética (Botoclinic) no Shopping Tamboré (em Barueri, Grande São Paulo), com minha noiva. Mas fechamos a operação até melhorar a situação.

Você morou em Turim, cidade que trava uma dura batalha contra o coronavírus. Você tem amigos por lá? Algum chegou a ser contaminado? Acompanha a situação da cidade e da própria Itália?

A gente tem acompanhado a situação no mundo como um todo, a Itália e Espanha têm números assustadores da pandemia e as cenas que vemos na TV são tristes. Tenho amigos por lá, graças a Deus, nenhum foi vítima do vírus, mas eles relatam que as cidades estão completamente isoladas.

Danilo Avelar passou a atuar como zagueiro após a chegada de Tiago Nunes no Corinthians - Daniel Augusto Jr/ Corinthians
Danilo Avelar passou a atuar como zagueiro após a chegada de Tiago Nunes no Corinthians
Imagem: Daniel Augusto Jr/ Corinthians

Qual é a maior dificuldade de um atleta diante disso tudo?

Acredito que a dificuldade do atleta é sem dúvida manter uma qualidade física e mental. No dia a dia normal, temos estrutura e treinos personalizados e específicos para cada necessidade. Agora, com espaço limitado, temos que improvisar de certa forma. E o mental também fica afetado, pois estamos todos, não apenas os atletas, vivendo um clima de tensão onde só se vê notícias ruins e não se tem muita perspectiva do que pode acontecer daqui para frente.

Você conseguiu dar a volta por cima no Corinthians e fez gol até em final de campeonato (Paulista de 2019). Qual foi o momento mais difícil dessa virada?

Eu digo que toda critica que recebia, me fortalecia. Eu sei da minha qualidade e sempre soube o que poderia entregar para o clube. Nas criticas eu ficava no meu canto e treinava cada vez mais forte para corresponder a confiança do Corinthians em mim. E quero seguir fazendo isso por muito tempo ainda, aqui no clube, ajudando os companheiros e a comissão técnica a atingirmos os objetivos.

Você tem histórico de gols importantes em clássicos, qual gol mais importante na tua trajetória pelo Corinthians?

Acho que todo gol é importante, principalmente para um jogador da linha de defesa. Mas o gol que ajudou o título paulista, contra o São Paulo, e aquele gol contra o Palmeiras (Paulistão de 2019). Esses dois me marcaram muito.

Como lidou com as críticas e comparações no começo da trajetória no Corinthians? Carille foi importante para sua adaptação e estabilidade?

O Corinthians tem uma tradição de grandes treinadores e todos, com suas formas e métodos de trabalho, sempre nos ajudam. Sempre aprendi com todos que trabalhei, não e diferente com Carille e com o Tiago (Nunes), por exemplo. E como disse antes, as críticas, quando não vem com violência, fazem parte e não podemos ficar brabos, temos que fazer mais e evoluir.

O agora zagueiro marcou um dos gols do Corinthians no jogo do título Estadual de 2019 - Marcello Zambrana/AGIF
O agora zagueiro marcou um dos gols do Corinthians no jogo do título Estadual de 2019
Imagem: Marcello Zambrana/AGIF

Você cogitou sair do Corinthians quando teve que mudar de posição?

Em hipótese alguma, me sinto muito bem aqui, sou muito feliz aqui. Tenho muita história para contar e muitos títulos para conquistar.

Como se deu a transição? Como foram os primeiros treinos?

Eu queria que fosse uma coisa num momento ideal, com apoio da comissão técnica e do time, para ter a calma e a tranquilidade, pois isso exige um adaptação, não queria me arriscar. Aqui no Corinthians, eu já tinha conversado com algumas pessoas, até com o [Dyego] Coelho, no fim do ano, falei que futuramente me via como zagueiro. Assisto vídeos do Van Dijk (do Liverpool), para ver posicionamento, como vídeos de comportamento defensivo de zagueiro canhoto, do próprio Sergio Ramos (do Real Madrid), desta filosofia de um lateral ir para a zaga, e vídeos do Laporte. São detalhes que ajudam evolução na função.

Como você avalia a dificuldade de alguém virar titular na lateral esquerda do Corinthians? Pensa em voltar a ser lateral para brigar pela vaga?

Virar titular em qualquer posição, no Corinthians, é difícil. O clube tem atletas qualificados em todas posições, fico muito feliz em ter ajudado e feito boas partidas na lateral esquerda e também ter ajudado com gols e assistências. Hoje, minha função é como zagueiro, e os atletas para disposição na lateral tem muita qualidade.

O Corinthians de Tiago Nunes ainda se mostra muito instável. Como você vê esse time a médio/longo prazo?

O Tiago esta implementando o trabalho dele, é um grande treinador que sabe tirar o melhor de cada atleta, e vai dar muitas alegrias à torcida. Não se constrói uma equipe campeã da noite para o dia, aqui mesmo no Corinthians, temos exemplo disso.

Qual é a melhor lembrança que você tem da passagem pelo futebol europeu?

Aprendi muito na Europa, principalmente a parte tática, joguei contra um dos caras que é referencia no futebol para mim, o Pirlo, e tive o privilégio de conquistar a Copa da Alemanha (pelo Schalke 04).

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