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Flamengo faz contas e vê metas mais difíceis por causa do coronavírus

Flamengo contava com receita expressiva de bilheteria e do programa de sócio-torcedor - Alexandre Vidal e Marcelo Cortes/Flamengo
Flamengo contava com receita expressiva de bilheteria e do programa de sócio-torcedor Imagem: Alexandre Vidal e Marcelo Cortes/Flamengo

Leo Burlá

Do UOL, no Rio de Janeiro

31/03/2020 04h00

Clube conhecido pela sua boa saúde financeira, o Flamengo não escapou dos efeitos provocados pela pandemia da Covid-19. Ainda que os rubro-negros não tenham um diagnóstico preciso das consequências da crise, a situação inspira cuidados e requer atenção.

Se a previsão orçamentária rubro-negra apontava para um 2020 de fartura, a tendência é que haja perdas consideráveis nas receitas mais significativas do clube, caso do dinheiro proveniente da bilheteria, patrocínios, sócio-torcedor e, possivelmente, em direitos de transmissão. Como a situação ainda não parece próxima de um desfecho, o Fla traça cenários mas entende que os números sofrerão uma readequação.

Com a situação agravada pela propagação do vírus, o primeiro baque foi a interrupção do calendário do futebol. Sem a bola rolando, os rubro-negros não contam com o ingresso de recursos de primeira ordem na Gávea. De acordo com o imaginado em dezembro de 2019, o Flamengo arrecadaria R$ 108 milhões com venda de ingressos, um aumento de 17% em relação ao ano passado.

A suspensão das atividades mergulhou o futebol brasileiro (e mundial) em um mar de incertezas e há mais perguntas do que respostas quando a conversa gira em torno da continuidade e realização das competições. Caso o problema se prolongue e haja necessidade de ajuste nas datas de torneios, a diminuição das receitas com direitos de transmissão e prêmios pode entrar na pauta e ser rediscutida. Apenas neste item a direção previa embolsar R$ 283 milhões, R$ 7 mi a mais que na temporada passada.

O caixa proporcionado pelo "Nação" também vem sendo afetado, já que a recessão causa um êxodo no programa de sócios. Sem jogos, a adesão de novos associados fica prejudicada e o movimento é de êxodo. Há cerca de uma semana atrás, pouco mais de 120 mil torcedores formavam a base de sócios. Até a noite de ontem (30), o número era de 117 mil. Os números apontavam para uma arrecadação de R$ 96 milhões neste ano.

Assim como o Fla, os parceiros comerciais também avaliam os diferentes cenários. A Azeite Royal já informou que romperá o contrato. Ainda que não haja sinalização clara de que outros patrocinadores sairão em um curto prazo, o estado é de alerta. As discussões com a gigante Amazon, que mostrou interesse em ocupar o espaço mais nobre da camisa, congelaram com a explosão do coronavírus.

Os royalties oriundos da venda e licenciamento também sofrem. Com as lojas físicas oficiais fechadas, as vendas se restringem ao ambiente eletrônico, mas o faturamento é pouco significativo. Com o Flamengo em alta e o torcedor no embalo da boa fase, o Rubro-Negro entendia que conseguiria lucrar R$ 126 milhões com patrocínio e publicidade.

O impacto no futebol, carro-chefe rubro-negro, também está sendo avaliado. Ao passo que a cúpula acompanha os desdobramentos da pandemia, ainda não há um martelo batido sobre os salários de abril. O mais provável é que haja tentativa de uma composição salarial, mas isso não está definido.

Principal negócio a ser resolvido pela direção, a renovação do técnico Jorge Jesus segue no topo da lista de prioridades, mas as conversas ganharam um outro ritmo desde que a Covid-19 transformou o mundo e o futebol. Na proposta de orçamento, os gastos totais com remuneração foram fixados em R$ 329 mi.

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