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Odair repete opções que não deram resultado, e Flu já sente pressão em 2020

Fluminense de Odair Hellmann chega pressionado para sequência decisiva - Lucas Merçon/Fluminense FC
Fluminense de Odair Hellmann chega pressionado para sequência decisiva Imagem: Lucas Merçon/Fluminense FC

Caio Blois

Do UOL, no Rio de Janeiro (RJ)

05/02/2020 12h00

Classificação e Jogos

O mês de janeiro foi tão calmo para o Fluminense que a torcida até dizia, nas redes sociais, estar desacostumada com a sequência de vitórias. Foram quatro seguidas nos quatro primeiros jogos de Odair Hellmann, mesmo com muitos desfalques e em que pese o nível de disputa do Campeonato Carioca. Mas foi só o calendário mudar para fevereiro que as coisas ficaram diferentes: uma derrota no Estadual e um empate na Copa Sul-Americana, grande objetivo do Tricolor na temporada, fazem a equipe sentir pressão já no começo de 2020.

Se não pareceu problemático, o revés diante do Boavista pela Taça Guanabara expôs alguns problemas no início da temporada. Além dos desfalques e da falta de entrosamento, o Flu fez um jogo modorrento, com lentidão em todos os setores e pouca criação. Para o jogo contra o La Calera, o treinador corrigiu alguns pontos, mas repetiu opções que não deram resultado até aqui.

Iniciando a partida sem referência no ataque, como no clássico contra o Flamengo, o Fluminense sofreu dos mesmos males: pouca criação de jogadas e poder de fogo reduzido. Meias de origem, Nenê e Miguel mais uma vez entregaram bem menos do que podem atuando soltos na frente, ainda que o jovem de 16 anos tenha sido o mais lúcido do primeiro tempo do Tricolor. As duas linhas de quatro tampouco deram padrão e equilíbrio ao Flu.

Atuando aberto na direita, Yago participou muito pouco do jogo e ainda "travou" Gilberto, que não fez boa partida. Do outro lado, o Tricolor insistia com Matheus Alessandro, que foi de esquecido a opção principal de velocidade no elenco por conta dos desfalques. Assim como no Fla-Flu, entretanto, o camisa 28 errou quase tudo o que tentou. Apesar de não pecar por omissão, o jovem de 23 anos tem muito pouco para adicionar ao Fluminense e não reúne condições de ser titular da equipe em um jogo decisivo.

Com os pontas pouco inspirados e os meias espetados na frente, o Flu não tinha nem amplitude nem profundidade para incomodar a boa defesa do Union La Calera, postada, por vezes, com cinco homens, dobrando sempre na ponta em que o Tricolor atacava.

"É um time que fez muita catimba. Era desconhecido, mas causaram muitas dificuldades. Como o professor falou, eles impuseram um ritmo de marcação mais forte no primeiro tempo, e afrouxaram um pouco no segundo, o que nos deu mais liberdade para criar. É uma característica dessas competições. O Fluminense mostra muita força para buscar a classificação no Chile, mesmo sabendo das dificuldades", opinou Hudson, na coletiva após o jogo.

A entrada de um atacante de referência era óbvia. E assim que teve uma dupla de ataque, o Fluminense viveu seus melhores momentos no jogo. Marcos Paulo e Evanílson precisaram apenas de seis minutos para desencantar em 2020: lindo passe do camisa 11 e finalização certeira do 9 para abrir o placar.

"Não era nem para eles estarem em campo. Com apenas três treinos, não participando integralmente de todos, olha a dificuldade que é. A gente poderia iniciar com eles, mas por todo o processo, por não ter feito pré-temporada, eles sentiriam. Talvez nem jogassem 45 minutos. Os dois sentiram o segundo tempo. Se fosse no primeiro, seria ainda pior. Que bom que eles conseguiram jogar e dar boa resposta", revelou Odair.

Outro problema recorrente, entretanto, voltou à tona: a falta de concentração. Em todos os gols que sofreu em 2020, o Fluminense repetiu erros de posicionamento e desatenção. Após perder três divididas - contando com um "pé frouxo" de Hudson - Castellani recebeu sozinho na entrada da área. Sem características de marcação, Miguel chegou atrasado, e o camisa 8 do La Calera venceu Muriel na única finalização dos chilenos no gol. Sabor amargo de empate para uma equipe que melhorou muito na segunda etapa e, até então, merecia a vitória.

"A vantagem era nossa com a vitória, mas empatamos o jogo. E teoricamente vamos para lá sem nada resolvido. Temos todas as condições de nos classificarmos, mas precisaremos repetir esse segundo tempo. Aí, com certeza, teremos grandes possibilidades de fazer o resultado e sairmos de lá com a classificação. Precisamos de um grupo forte para ultrapassar os obstáculos e seguir fortes na Copa do Brasil, na Sul-Americana e em todas as outras competições",

A sequência a partir de agora será pesada para Odair Hellmann e o Fluminense. O Tricolor tem clássico com o Botafogo e viaja para o Chile para fazer o jogo da volta contra o Union La Calera. As três partidas são decisivas, e o treinador sabe que precisa voltar a ter os resultados de janeiro para que tenha o tempo que ainda não teve com o elenco.

"Jogo decisivo, sequência que vamos decidir classificação na Taça Guanabara, Copa do Brasil que é um jogo só e na volta da Copa Sul-Americana. É para isso que precisamos estar preparados. Continuar fazer as coisas boas e evoluir no que a gente precisa evoluir o mais rápido possível, com ou sem tempo para treinar. A gente precisa seguir achando soluções pros obstáculos que temos enfrentado coletivamente", disse Odair Hellmann, na coletiva após o jogo.

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