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Flamengo se pronuncia, mas não dá prazo para acordo com famílias de vítimas

Ninho do Urubu após incêndio que acabou resultando na morte de 10 garotos - Thiago Ribeiro/AGIF
Ninho do Urubu após incêndio que acabou resultando na morte de 10 garotos Imagem: Thiago Ribeiro/AGIF

Do UOL, no Rio de Janeiro (RJ)

01/02/2020 18h47

O Flamengo fez um pronunciamento oficial neste sábado (1) sobre sobre o incêndio do Ninho do Urubu, que completa um ano no dia 8 de fevereiro. Na tragédia, 10 adolescentes acabaram morrendo e outros três jovens acabaram feridos. O presidente Rodolfo Landim, o vice geral e jurídico Rodrigo Dunshee e o CEO Reinaldo Belotti responderam perguntas que o clube afirma terem sido enviadas por jornalistas, sem identificar de quem foram.

Um dos pontos mais importantes do vídeo publicado pelo Rubro-Negro na "Fla TV" foi o dos acordos com as famílias. Ao ser questionado, Landim não deu prazo, mas afirmou que o clube está aberto.

"Impossível a gente dizer. O que podemos dizer é que estamos abertos sempre para que esses acordos venham a ocorrer. A gente tem demonstrado isso ao longo do tempo na medida que toda vez que a gente consegue equacionar dentro do nosso teto, a gente tem um acordo. Não depende só do Flamengo, mas das famílias e do tempo delas. É muito difícil estabelecer um prazo. Vamos estar sempre abertos para fazer esse tipo de acordo", declarou.

O presidente do Flamengo chamou o incêndio de "maior tragédia da história do clube" ao responder à primeira questão, que perguntava se o assunto "estava superado".

"A gente vai conviver com isso muito tempo na nossa memória. Acho que todos aqueles que trabalham aqui num nível mais elevado, e os torcedores do Flamengo também. Por mais que isso vá sendo curado com o tempo, vão ficar as cicatrizes", opinou.

Landim também afirmou que os representantes legais das famílias, por vezes, impedem aproximação do Flamengo com elas, o que gera uma onda de insatisfação. O presidente afirmou não ser verdadeiro que o Rubro-Negro não mantém contato com parentes das vítimas: "A verdade é que as vezes essa aproximação é barrado pelos advogados. Eles têm criado uma barreira para falarmos com as famílias".

O vice geral Rodrigo Dunshee dissecou as questões envolvendo as propostas feitas às famílias. De acordo com o dirigente, o valor era muito alto e foi considerado satisfatório pelo clube, que estabeleceu um teto financeiro para a negociação. Dunshee destacou que o clube "não levou em conta dados estatísticos" que afirmam que dificilmente os jogadores seriam titulares do time principal do Flamengo no futuro.

"Chegamos a um valor que nós entendemos que era muito alto e acima dos precedentes da Justiça brasileira. Esse valor não levou em consideração a estatística de que esses meninos dificilmente seriam titulares do Flamengo. Três famílias e meia aceitaram. Não podemos tratar a tragédia de uma forma diferente para cada família. O nosso valor oferecido, que nós consideramos satisfatório, é a nossa oferta. É o nosso limite. Estamos tentando pegar esse valor e transformar de uma forma que atenda as famílias. Estamos abertos para negociar e as famílias também. Apenas meia família entrou na Justiça, a mãe do Rykelmo, pedindo indenização. Estamos tentando continuar negociando com as famílias e otimistas de que isso possa terminar num acordo", disse.

Já Reinaldo Belotti afirmou que o Fla, aos poucos, vai superando o "lamentável incidente".

"Aos poucos vamos superando, estamos trabalhando para amenizar todos os efeitos desse acidente. Fica a memória. Está cicatrizando, mas estamos sempre trabalhando no sentido de amenizar o que aconteceu".

Em outro ponto do vídeo, Dunshee declarou que o clube "espontaneamente" ajuda as famílias com R$ 5 mil mensais. Na verdade, o clube recorreu de uma decisão do Ministério Público que obrigava o Fla a pagar R$ 10 mil por mês aos parentes das vítimas.

"Nós fizemos quatro acordos com as famílias. Além disso, fizemos outro vinte outros acordos com sobreviventes e meninos que se lesionaram. Desde o acidente, o Flamengo espontâneamente passou a pagar R$ 5 mil para as famílias para que elas tivessem tranquilidade de negociar um acordo sem ter necessidade emergencial de caixa. Os garotos, em média, recebiam R$ 800, e o Flamengo pagou mais de seis vezes a mais, espontâneamente, do que era pago. O Flamengo se colocou à disposição das famílias o tempo inteiro".

Sobre os pedidos de homenagens às vítimas, o presidente Rodolfo Landim anunciou que o clube projeta ter uma capela para São Judas Tadeu no Ninho do Urubu, e nela, um espaço específico com um memorial para as vítimas.

"Existe um projeto de construir, a exemplo do que já existe hoje na Gávea, uma capela para São Judas Tadeu, e dentro dessa capela haverá um espaço específico destinado a homenagear os meninos que sofreram esse acidente", disse.

Landim negou que o Fla "despreze" as famílias, afirmando se tratar de uma "premissa equivocada". Por outro lado, ao ser questionado se acha justo que os parentes das vítimas recebam críticas nas mídias sociais, o presidente defendeu que as famílias busquem seus direitos e afirmou apenas "não poder controlar" os comentários.

"Muito difícil controlar mídia social. Não é possível. Particularmente, acho que as pessoas têm direito de pleitear tudo o que quiserem. Em última instância podem até ir para a Justiça caso não achem justo o que foi oferecido. Mas não posso controlar as mídias sociais", declarou.

Confira o pronunciamento na íntegra:

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