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Vasco aprova diretas e adia votação do estatuto em reunião com confusão

Presidente do CD, Roberto Monteiro discute com o conselheiro Carlos Leão; Campello, à direita, observa - Divulgação
Presidente do CD, Roberto Monteiro discute com o conselheiro Carlos Leão; Campello, à direita, observa Imagem: Divulgação

Bruno Braz

Do UOL, no Rio de Janeiro

29/01/2020 22h09

Em mais uma noite repleta de muita confusão entre seus integrantes, o Conselho Deliberativo do Vasco decidiu por aprovar a ata das eleições diretas e adiou a votação da proposta de reforma do estatuto para a próxima terça-feira (4).

Em relação às diretas, existe agora a obrigatoriedade de uma convocação de Assembleia Geral para que os sócios votem sobre o tema. Para isso, porém, o presidente do órgão, Faues Mussa, precisa receber da Diretoria Administrativa a lista dos associados aptos ao voto, algo que ainda não aconteceu, mesmo após diversas solicitações do dirigente.

Se os sócios votarem a favor das eleições diretas, o próximo pleito, que acontece já no fim de 2020, acontecerá desta forma, extinguindo, assim, o modus operandi que era executado até a última disputa eleitoral, quando as chapas vencedoras (1ª e 2ª) elegiam 150 conselheiros (120 da 1ª e 30 da 2ª), que se juntavam aos 150 natos e estes 300 escolhiam o novo presidente.

Foi deste antigo modo, por exemplo, que surpreendentemente Alexandre Campello se tornou o atual mandatário, desbancando no conselho o então vencedor entre os sócios Julio Brant.

No caso da reforma do estatuto, chegou-se a um consenso de conceder mais alguns dias para se analisar o tema, com a definição de que o quórum seja permanente. Ou seja, com os mesmos que se fizeram presentes hoje (29).

Empurra-empurra e relatos de agressão

A lista de presença, aliás, foi um dos motivos de muita confusão no salão da sede vascaína da Lagoa (RJ). O clima começou a esquentar com um bate-boca entre o presidente do Conselho Deliberativo, Roberto Monteiro, e o conselheiro Carlos Leão.

Monteiro exigiu que, por Leão se recusar a assinar a lista de presença, ele se retirasse da reunião. A discussão, então, se estendeu entre Carlos e o conselheiro Leonardo Rodrigues, ex-advogado do departamento jurídico da gestão Eurico Miranda.

Outros conselheiros se envolveram na confusão, houve empurra-empurra e até relatos de que um tapa foi desferido entre eles.

Campello e aliados chegam "no laço"

Durante todo o dia, pairou no ar a suspeita quanto a presença do presidente do clube, Alexandre Campello, e seus aliados.

O suspense, de fato, permaneceu até minutos antes do horário, teoricamente, limite. Campello, que esteve em São Paulo durante o dia, chegou junto com os remanescentes de sua base, que recentemente teve perdas significativas. Estavam com ele os conselheiros Carlos Leão, Francisco Villanova e outros.

Maioria é contra a reforma

Nas últimas 24 horas, os grupos políticos se posicionaram oficialmente sobre a proposta de reforma do estatuto. A grande maioria indicou ser contra.

Vale ressaltar porém que, ontem (28), o Conselho de Beneméritos encaminhou um parecer de aprovação ao Conselho Deliberativo.

Veja abaixo como estava o cenário antes da reunião de hoje na Lagoa:

Grupos políticos / Conselho de Beneméritos

Ao Vasco Tudo - contra

Desenvolve Vasco - contra

VascoMed - contra

Confraria - contra

Guardiões da Colina - contra

PetroVasco - contra

Avante Gigante - contra

Cruzada Vascaína - contra

Sempre Vasco - contra

Fuzarca - a favor

Casaca - a favor

Conselho de Beneméritos (total de 150 conselheiros) - a favor

*Grupo Identidade Vasco anão se posicionou oficialmente, mas a tendência era de que votasse a favor

Por qual motivo votariam contra?

A maioria dos grupos políticos votaria contra, mas por qual motivo?

Desconsiderando as particularidades de cada um, os principais itens que os motivaram a ficarem contrários à reforma são o aumento do tempo associativo para se tornar elegível e eleitor, o aumento dos requisitos para a candidatura à presidência e a extinção da categoria sócio-geral, que é um plano "mais popular" que dá direito a voto.

E o que propõem estes itens?

Na proposta elaborada pela comissão de reforma do estatuto, se prevê um aumento de um para dois anos de associação para ter direito a voto, e de cinco para sete anos para se tornar elegível.

Na contrapartida da exclusão da categoria sócio-geral, se propõe a redução do título de sócio-proprietário, que hoje é de R$ 2,5 mil. A sugestão é que não exceda um salário mínimo.

O ponto elogiado da proposta, mas que até o momento não é suficiente para convencê-los a votarem a favor, é a determinação para que os administradores sejam responsabilizados em caso de gestão temerária.

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