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Cavani vive noite de ira em vitória e tem dias contados no PSG

Getty Images
Imagem: Getty Images

João Henrique Marques

Do UOL, em Paris (França)

07/11/2019 11h00

O aquecimento de Edinson Cavani à beira do campo é interrompido propositadamente. Com a cara fechada, ele se nega a prosseguir com os exercícios e senta no banco de reservas para acompanhar a vitória por 1 a 0 do Paris Saint-Germain contra o belga Brugges, ontem (6), no Parque dos Príncipes, pela Liga dos Campeões. A cena dá o tom do descontentamento do uruguaio com a situação atual no clube. O ciclo vitorioso do principal ídolo da torcida está próximo do fim.

Cavani ainda teve a chance de atuar nos 20 minutos finais do confronto. Na noite de ira do jogador, reclamações com os companheiros na tentativa de orquestrar uma marcação sob pressão também foram notadas. Para piorar o cenário, o gol da vitória ainda foi marcado por quem tomou sua vaga no time titular: o argentino Mauro Icardi.

"Estava claro para mim que, após 65 ou 70 minutos, mudaríamos o time mesmo que o Icardi não tivesse sentido dores na perna. Eu estava contando com o Cavani e fiquei surpreso quando o vi no banco de reservas, não entendi", disse Tuchel sobre a recusa de Cavani em seguir com o aquecimento. "Eu dizia a ele que precisava estar pronto. Quem sabe ele entendeu que eu disse que era para ele parar de se aquecer", amenizou o treinador.

Castigado por uma lesão no quadril no começo da temporada, Cavani fez apenas três jogos como titular pelo PSG, com dois gols marcados. Já plenamente reabilitado, o lugar entre os reservas é certo, visto o sucesso de Icardi. O argentino tem oito jogos como centroavante titular, e oito gols marcados.

"Realmente, o Icardi se adaptou rápido ao nosso estilo. Inteligente com a bola, sofre pelo time e preenche bem os espaços do campo. Estou surpreso, pois não sabia quanto tempo seria necessário para uma adaptação. Ele é decisivo para nós e passou confiança a todos", elogiou Tuchel após Icardi ser decisivo no triunfo contra o Brugge.

A ideia de tirar Cavani do time titular já era antiga no planejamento de Tuchel. O treinador questionava sua mobilidade em um ataque rápido comandado por Neymar e Mbappé. Aos 32 anos, o uruguaio passou a conviver com lesões e não teve o contrato renovado como esperado. Ao fim de julho, ele está livre para assinar vínculo com outro clube.

"A competição com Icardi foi criada de propósito. Hoje é assim e talvez seja outra coisa em um mês. O PSG é um clube que tem muitos jogadores que querem jogar, o que causará dor de cabeça ao treinador e é essa a ideia. Eu realmente espero que a competição seja sempre muito brilhante entre eles. Cavani é o melhor goleador da história do clube, é uma história que certamente terminará bem", destacou o diretor esportivo do PSG, o brasileiro Leonardo.

Em breve, o uruguaio estará livre no mercado. Cavani já despertou o interesse do Napoli-ITA, o seu ex-clube. Segundo o Blog do Mauro Cesar, o Flamengo também monitora a situação do uruguaio e está disposto a conversar a partir de janeiro sobre uma transferência. Na França, também é especulada uma ida do atleta ao futebol dos Estados Unidos.

O apoio moral a Cavani no momento no PSG é dado pelos torcedores. O nome do uruguaio é sempre gritado com maior intensidade no Parque dos Príncipes. Diante do Brugge, a ida do goleador para o aquecimento teve vibração similar a de um gol.

Pelo PSG, Cavani atua desde 2013. Ele é o maior artilheiro da história do clube, com 195 gols, em 287 jogos. O uruguaio tem 20 títulos pelo clube, sendo cinco do Campeonato Francês, cinco da Copa da Liga da França, quatro da Copa da França e seis da Supercopa da França.

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