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Polícia investiga caso de estelionato em amistoso do Corinthians

Corinthians disputou amistoso contra o Londrina na cidade de Maringá - Daniel Augusto Jr/Ag. Corinthians
Corinthians disputou amistoso contra o Londrina na cidade de Maringá Imagem: Daniel Augusto Jr/Ag. Corinthians

Arthur Sandes

Do UOL, em São Paulo

20/09/2019 04h00

O amistoso entre Londrina e Corinthians, disputado no dia 7 de julho em Maringá-PR, está sob investigação da Polícia Civil do Paraná por um possível caso de estelionato. A empresa que aparece nos documentos da organização do jogo alega ter sido usada ilegalmente pelos empresários responsáveis pelo evento. Por isso, registrou um boletim de ocorrência para que o fato seja esclarecido.

O UOL Esporte teve acesso a uma série de documentos relativos à organização do amistoso. Em todos eles, a Bianchi & Cia Ltda (nome fantasia "Show Business Travel") aparece como responsável pela partida. São solicitações e protocolos trocados com a Prefeitura de Maringá e outros órgãos. Procurados pela reportagem, os responsáveis pela empresa não reconhecem as assinaturas e as tratam como "grosseiramente falsificadas".

Um boletim de ocorrência foi movido no dia 9 de agosto, no qual a dona da empresa, Sandra Bianchi, comunica só ter tomado ciência da participação de sua empresa no jogo ao receber uma notificação da Prefeitura de Maringá. Ela afirma não ter assinado qualquer procuração e alega que as assinaturas usadas na organização do jogo não são suas — sendo, portanto falsificadas. Uma das alterações está em uma cópia de sua Carteira Nacional de Habilitação (CHN) anexada a registros do jogo. A reportagem teve acesso ao documento original e às cópias usadas em Maringá e percebeu diferenças.

O boletim de ocorrência acusa Fabiano Ribeiro Rodrigues, empresário que tem outros casos controversos no currículo. Seu nome está em vários documentos para a realização de Londrina x Corinthians. Em um deles, em papel timbrado da Secretaria da Fazenda de Maringá, ele aparece como "parte interessada da empresa [Show Business]". Em outras duas solicitações, enviadas à Polícia Militar e ao Corpo de Bombeiros do Paraná, quem se apresenta como representante da empresa é "Fábio Rodrigues", o que o próprio Fabiano reconhece como "erro de digitação".

A Show Business esclarece ter fornecido passagens aéreas para eventos organizados por Fabiano Rodrigues — a empresa atua principalmente como agência de viagens. Nesta versão, teria sido desta forma que o empresário teve acesso aos documentos que depois adulteraria nos trâmites da realização de Londrina x Corinthians.

O boletim de ocorrência foi feito na DEDFAZ de Campo Grande-MS (Delegacia Especializada de Repressão aos Crimes de Defraudações, Falsificações, Falimentares e Fazendários), onde os envolvidos passaram por um exame grafotécnico para atestar de quem seriam as assinaturas dos documentos do amistoso — ainda não há resultados. O processo foi enviado no último dia 19 à Delegacia de Estelionato e Trânsito de Maringá. Casos de falsificação de assinaturas ou de estelionato estão no Código Penal com pena de um a cinco anos de prisão.

Em contato com a reportagem, Fabiano Rodrigues alega ter firmado contratos em Maringá com a anuência da Show Business. Diz também que a empresa teria recebido para participar na realização do amistoso, mas não entra em detalhes sobre este suposto acordo. Ele nega ter adulterado documentos e não soube explicar as assinaturas alteradas nas cópias de CNH.

Esta não é a primeira disputa envolvendo Fabiano Rodrigues e Corinthians que avança por caminhos legais. Em 2014, o empresário acordou com o clube o pagamento de R$ 750 mil para organizar um jogo do Campeonato Brasileiro na Arena Pantanal, mas só quitou 25% deste valor. O Alvinegro resolveu processá-lo, e o caso corre no Tribunal de Justiça de São Paulo.

Procurado, o Corinthians diz ter recebido adiantado pelo amistoso disputado em julho, afirmando que não há pendências relativas a este jogo específico. Já o Londrina não respondeu aos contatos até a publicação desta reportagem.

Questionadas se houve negligência na concessão de autorizações para o uso do Estádio Willie Davids, tanto a Secretaria de Esportes e Lazer quanto a Secretaria da Fazenda de Maringá não retornaram os contatos até a publicação desta reportagem. A auditoria tributária da Prefeitura da cidade não quis se pronunciar, afirmando que o compartilhamento de informações deste gênero configura quebra de sigilo fiscal.

Quem está por trás do amistoso

O jogo foi iniciativa de Saulo Sérgio Magalhães Batista, que aparece em uma notificação da Federação Paranaense de Futebol como quem "apresentou-se como intermediário e representante" da Show Business.

Na versão dele e do próprio Fabiano Rodrigues, este teria sido contratado por Saulo para a organização do amistoso como um todo, incluindo tratativas pelo aluguel do estádio, solicitação de autorizações à Prefeitura, à Polícia Militar e demais providências necessárias.

Quanto a sua atuação pessoal, Saulo Magalhães diz ter apenas realizado os convites e negociações com Londrina e Corinthians e alega ter usado o nome da Show Business nas conversas porque "foi esta a empresa que ele [Fabiano] me apresentou". Saulo foi executivo de futebol por décadas, tendo trabalhado no Corinthians em duas ocasiões, entre 1983 e 93 e de 2007 a 2015.