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Marquinhos supera crise e vira ídolo no PSG em meio a rusgas com Neymar

Bandeira com a imagem de Marquinhos é estendida no Parque dos Príncipes - Martin Bureau/AFP
Bandeira com a imagem de Marquinhos é estendida no Parque dos Príncipes Imagem: Martin Bureau/AFP

João Henrique Marques

Colaboração para o UOL, em Paris

18/09/2019 04h00

No sábado (14), uma imensa bandeira com a imagem de Marquinhos foi posicionada na arquibancada central do Parque dos Príncipes durante a entrada do Paris Saint-Germain em campo para a vitória por 1 a 0 contra o Strasbourg. Escolhido pela organizada do clube para a ação, criada pela Nike para divulgar o novo terceiro uniforme do clube, o brasileiro atingiu o status de ídolo em contraponto a Neymar, que no mesmo jogo enfrentou a ira dos torcedores.

Marquinhos faz parte do trio de maiores ídolos da torcida Ultras do PSG ao lado de Thiago Silva e Edinson Cavani. Para atingir o patamar, precisou superar crise com ameaças e tentativa de agressão em 2017, após derrota por 6 a 1 para o Barcelona pela Liga dos Campeões. No retorno a Paris, ele e a esposa Carol Cabrino tiveram dificuldades para deixar o aeroporto de carro, que era alvejado por membros da organizada com pontapés.

Na época, Marquinhos rompeu relações com a torcida e ameaçou deixar o clube. O próprio Barcelona era visto como destino provável, e o zagueiro brasileiro teve receio de sofrer com a perseguição da organizada. No Parque dos Príncipes, vaias e faixas em repúdio ao time eram recorrentes. Hoje, com a crise superada, as manifestações ofensivas são todas voltadas a Neymar.

O camisa 10 sofreu vaias da principal organizada do clube mesmo marcando o golaço da vitória sobre o Strasbourg nos acréscimos do jogo. O atacante também não demonstrou a intenção de se reaproximar do grupo ao não pedir desculpas por se afastar do time enquanto negociava para trocar o PSG pelo Barcelona.

"Estou muito contente. Foi um dia diferente por jogar em casa e ser vaiado. A gente sabe que a mesma boca que vaia é a que grita o gol. Então, eles vaiaram o jogo todo, e no final tiveram que gritar o gol, não teve jeito. Isso faz parte, e espero que eles fiquem bem", provocou Neymar.

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Dialogar com jogadores do PSG é comum para a torcida Ultra. O grupo costuma marcar encontros com representantes do elenco após treinos em momentos chave da temporada. Em março, por exemplo, Marquinhos teve que acalmar os torcedores depois da eliminação para o Manchester United, pelas oitavas de final da Liga dos Campeões.

A conversa com Marquinhos ocorre com facilidade porque o zagueiro domina o idioma francês. Nos dois anos de Neymar no clube, o zagueiro funcionou como seu porta-voz, bancando o camisa 10 em momentos em que isso era necessário. Agiu deste modo durante a viagem do atacante para o Rio de Janeiro durante o Carnaval e quando ele postou fotos jogando videogame durante partidas do PSG

Outro hábito de Marquinhos ao fim de cada jogo do time no Parque dos Príncipes é caminhar até o setor em que os Ultras marcam presença para aplaudi-los, e muitas vezes, jogar a camisa para os torcedores da organizada.

"O Marquinhos lembra o Raí pela forma como atua próximo a nós. O tratamos com respeito e com a certeza de que esse é um jogador símbolo do PSG", explicou o presidente da torcida Ultra, Romain Mabille.

Dentro de campo, Marquinhos também ganhou espaço nos últimos anos. O zagueiro foi o único poupado da partida do fim de semana para não correr risco de perder o jogo de hoje, às 16h, contra o Real Madrid, no Parque dos Príncipes, que marca a estreia da equipe nesta edição da Liga dos Campeões. O camisa 5 vai atuar como volante, função em que encontrou sucesso sob o comando do técnico Thomas Tuchel. Neymar, suspenso, está fora.

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