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Ex-São Paulo não superou histórico com drogas e teve quatro recaídas no CSA

Régis deixa o CSA com apenas sete jogos - e dois gols marcados - Morgana Oliveira/RCortez/CSA
Régis deixa o CSA com apenas sete jogos - e dois gols marcados Imagem: Morgana Oliveira/RCortez/CSA

Marcello De Vico e Napoleão de Almeida

Do UOL, em Santos e São Paulo

27/02/2019 04h00

Pouco mais de quatro meses depois, a cena volta a se repetir: Régis tem seu contrato rescindido. Em 2018, foi no São Paulo. Agora, no CSA. O motivo é o mesmo: problemas pessoais, especialmente relacionados a drogas e álcool. Em ambos os casos, os clubes ofereceram ajuda e acompanhamento, mas não foi suficiente para o jogador de 29 anos, enfim, entrar nos trilhos. Apesar disso, ele terá outra oportunidade após assinar com o São Bento menos de 24 horas após deixar o time alagoano. 

Na noite do último domingo (24), Régis se envolveu em uma confusão em um motel de Maceió. Ele chegou a discutir com uma funcionária do estabelecimento e acabou detido pela polícia. Foi liberado logo em seguida, mas o novo incidente para um jogador com o histórico de Régis foi suficiente para o CSA, na manhã de ontem, comunicar a rescisão de contrato com o atleta.

O contrato, aliás, continha uma cláusula para rescisão automática caso Régis expusesse o nome dele e do clube na mídia de forma negativa, como aconteceu nos últimos dias. E não deu outra. O vínculo acaba e o lateral mais uma vez tem a imagem manchada com histórias para lá de negativas. E tanto São Paulo como CSA alegam que não foi por falta de ajuda. Ou pelo menos tentativa dela.

"O mesmo tratamento que ele teve no São Paulo, ele teve aqui. Aqui, a gente tinha à disposição dele: psicólogo, psiquiatra, coloquei dois pastores para ficar conversando permanentemente com ele, coloquei um funcionário do clube para ficar morando com ele, dando assistência e até ajudando para que ele não fizesse uso da cocaína. Mas não teve jeito. Tinha inclusive uma cláusula falando sobre isso, que o contrato seria rescindido automaticamente nesse caso", afirmou Raimundo Tavares, presidente do Conselho Deliberativo do CSA, em entrevista ao UOL Esporte.

De acordo com o dirigente, o CSA ofereceu a Régis tratamento em uma clínica depois do episódio do motel, mas novamente houve recusa por parte do jogador.

"Aqui, ele teve quatro recaídas. No São Paulo, teve três. Foram sete em um período de quatro meses? Ele acha que não precisa de uma clínica. Eu fui bem claro: 'se você quiser fazer um tratamento, a gente te ajuda a pagar e daqui a quatro, cinco meses, se você estiver recuperado, você volta e a gente tem o compromisso de assinar um contrato com você. Do jeito que está, você não pode ficar'. E ele não aceitou", acrescenta o dirigente.

As recaídas no São Paulo e CSA repetiram um histórico problemático de um jogador que é tido como "talentoso e cordial" com quem trabalhou com ele. Em Campinas, quando passou pelo Guarani, Regis sumiu dos treinos do clube antes de uma partida decisiva contra o ASA de Arapiraca na Série C de 2016. A diretoria resolveu dispensá-lo, mas os jogadores pediram que o clube reconsiderasse. Regis ficou na reserva e participou do acesso bugrino, mas deixou o clube no final do ano.

Contratado pelo São Paulo em abril de 2018 após se destacar pelo São Bento, no Campeonato Paulista, Régis ficou afastado do Morumbi entre junho e julho por problemas pessoais, uma vez que o clube considerou que a inconstância do jogador no trabalho acabava atrapalhando o dia a dia da equipe.

Perfil de vestiário contradiz problemas fora de campo

Régis já passou por dois períodos de desintoxicação, no Guarani e no São Paulo. O UOL Esporte conversou com um profissional que viveu com ele em uma dessas passagens, mas pediu para não se identificar por "respeito à situação do jogador". "Ele entra no vestiário quieto, sai calado, super bom de grupo, tecnicamente acima da média. Mas só faz mal pra ele mesmo, e precisa de ajuda", disse a fonte.

Lateral direito Régis durante passagem pelo São Paulo - Bruno Riganti/AGIF - Bruno Riganti/AGIF
Imagem: Bruno Riganti/AGIF
Sempre houve preocupação com exames antidoping, dos quais Régis passou ileso. Os problemas particulares eram considerados graves e o São Paulo prestou toda ajuda necessária durante o primeiro período de afastamento. O atleta voltou a treinar aos poucos, recuperou a forma física afetada pela parada e até conseguiu voltar a jogar em bom nível, inclusive sendo decisivo para o time buscar um empate por 1 a 1 com o Fluminense no Morumbi, com um jogador a menos, pelo Campeonato Brasileiro. Mas, em seguida, novos problemas resultaram na rescisão de contrato.

Depois de ter seu contrato rescindido com o São Paulo em outubro do ano passado e ser detido no Distrito Federal por tentativa de invasão domiciliar, o lateral admitiu em entrevista ao Globoesporte.com problemas com drogas e álcool, mas ponderou que não é um usuário contínuo destas substâncias.

Natural de Brasília, Régis cresceu numa região pobre da capital federal e começou a carreira no Legião, clube que surgiu em 2001 em homenagem à banda Legião Urbana e que hoje está na segunda divisão regional do DF. O jogador trocou de empresário durante a carreira após a série de problemas. Hoje, tem a carreira administrada por Eduardo Uram, que foi procurado para comentar o assunto, mas não atendeu à reportagem.

Em relação ao episódio ocorrido no DF, quando foi detido por tentativa de invasão de domicílio, perturbação da tranquilidade e ameaça, o ex-jogador do São Paulo explicou que houve um mal-entendido. O lateral estava em um churrasco em sua casa e se desentendeu com uma vizinha.

Segundo as informações que constam no boletim de ocorrência, Régis precisou ser contido pelos policiais por estar 'visivelmente transtornado e bastante nervoso'. O jogador foi conduzido para uma delegacia local e, após a assinatura do termo circunstanciado, foi liberado.

Régis tem 29 anos e viveu seu auge no São Paulo. Ele acumula passagens por diversos clubes brasileiros, entre eles Bahia, São Bento, Guarani, Luverdense, Ponte Preta, Paysandu e Portuguesa. O lateral foi contratado pelo CSA no fim do ano passado e vinha sendo um dos destaques do time na temporada atual, com dois gols em sete jogos.

A reportagem não conseguiu contato direto com Régis até o fechamento da reportagem. Os antigos assessores e representantes informaram não mais trabalhar com o atleta.

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