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Entenda como aditivos levaram Maracanã de melhor contrato a problema no Flu

Estádio do Maracanã com bandeira do Fluminense: relação conflituosa - Divulgação/Fluminense
Estádio do Maracanã com bandeira do Fluminense: relação conflituosa Imagem: Divulgação/Fluminense

Leo Burlá

Do UOL, no Rio de Janeiro

26/02/2019 16h01

Festejado como um acordo para lá de vantajoso para o Fluminense, o contrato com a Maracanã S.A tornou-se uma dor de cabeça e uma fonte de prejuízos para o Tricolor, que viu as condições ficarem mais desfavoráveis à medida que alguns aditivos foram feitos, mudando o que estava assinado inicialmente, no dia 10 de julho de 2013.

O imbróglio reside justamente na parte que previa que as partidas do Fluminense no estádio não teriam custos de locação, cabendo ainda ao Flu a integralidade da bilheteria referente à arquibancada comum (norte e sul). Em nova versão, as partes acordaram que a empresa seguiria sem receita de ingressos, mas o Flu teria de arcar com R$ 100 mil por jogo, conforme matéria do "Lance" baseada no contrato ao qual o UOL Esporte também teve acesso.

Esse novo termo que determina essa cobrança foi assinado em 1º de novembro de 2016 e foi motivado pela alegação da parceira privada de que havia um desequilíbrio financeiro. As partes ainda discutem o tema na Justiça, mas fato é que estas regras são as que estão em vigência no momento e respaldadas por decisão do desembargador Eduardo Gusmão Alves de Brito Neto, do Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro.

Nesta nova negociação, coube ao Fluminense 25% das receitas dos bares, mas também os gastos com limpeza, reparos, orientação ao público e credenciamento, por exemplo. Antes, o dinheiro oriundo da venda de alimentos e bebidas era apenas da concessionária.

Todas essas questões foram sendo modificadas após quatro renegociações e a balança foi ficando mais pesada para o clube, que assinou e deu sinal verde para todas elas. As mudanças foram todas feitas na gestão do então presidente Peter Siemsen, que elegeu Pedro Abad como seu sucessor.

A relação entre as partes foi se deteriorando após o embate judicial e explodiu com a polêmica sobre o setor sul do Maracanã. No jogo contra o Vasco, os tricolores alegaram que tinham este "privilégio" assegurado por contrato, mas a concessionária alegou que havia controvérsias sobre o tema. Pelo disposto no Anexo V, o Flu só não ocuparia o lugar por "ordem contrária de órgãos públicos, acordo expresso com a equipe visitante (o Vasco era mandante)". Nos casos em que os tricolores forem visitantes, está pactuado que "a concessionária poderá mediar acordo, resguardados os direitos do Fluminense".

Com a nova realidade financeira, o Fluminense soma dívidas com a empresa, que notifica o Flu com certa frequência. No momento, a dívida é de R$ 1,4 milhão.

Mesmo em conflito, o interesse de ambas as partes é a de manter a parceria, ainda que o clube entenda que os moldes atuais são ruins. Para que haja "empate" na balança, o clube tem de levar ao menos 25 mil pessoas aos jogos, número inferior à média de pouco mais de 14 mil pessoas. Na estreia de Paulo Henrique Ganso, cerca de 20 mil pessoas foram ao estádio. O Flu teve saldo vermelho em 2018 e segue acumulando mais débitos na atual temporada.

Houve quem mencionasse no clube a hipótese de estreitar laços com o Botafogo, que administra o Nilton Santos. Apesar dos gastos na casa alvinegra serem menores, pesou internamente a certeza de que seria mais complicado ter rentabilidade por lá.

Ainda que a relação tenha sofrido um abalo, o Flu volta a usar o Maracanã na noite de hoje. Em jogo válido pela estreia na Sul-Americana, a equipe recebe o Antofagasta, às 21h30.

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