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Avelar superou queimadura, rejeição no Palmeiras e até plantou feijão

Lateral Danilo Avelar decidiu o clássico contra o Palmeiras no último sábado - Daniel Vorley/AGIF
Lateral Danilo Avelar decidiu o clássico contra o Palmeiras no último sábado Imagem: Daniel Vorley/AGIF

Samir Carvalho

Do UOL, em São Paulo (SP)

05/02/2019 04h00

O gol marcado por Danilo Avelar contra o Palmeiras foi mais uma "página" de superação na vida do jogador mais pressionado do Corinthians. Em entrevista ao UOL Esporte, Edilson Avelar, pai do atleta, disse que o seu filho está acostumado a superar adversidades desde criança. Corintiano de Paranavaí (PR), o advogado lembra que Avelar superou uma queimadura de 3º grau no pé direito aos cinco anos de idade e que foi rejeitado em uma avaliação no Palmeiras aos 17.

Os obstáculos nunca pararam Avelar. De rejeitado no arquirrival do Corinthians, ele chegou a atuar no futebol europeu, onde jogou no Schalke 04, da Alemanha, ao lado de Raul, ex-Real Madrid, e o goleiro Neuer, hoje do Bayern de Munique e da seleção alemã. Antes disso, ele precisou plantar o próprio feijão para "matar" saudades da comida brasileira quando defendia o Karpaty Lviv, da Ucrânia, em 2010.

No entanto, a queimadura de 3º grau é algo insuperável para a família de corintianos quando o assunto é adversidade. O pai de Avelar, inclusive, fez questão de interromper a entrevista para que a mãe do jogador, Edna Avelar, explicasse o ocorrido.

O curioso é que o acidente "transformou" Danilo Avelar em canhoto e, consequentemente, em lateral-esquerdo, pois ele começou a desenvolver a perna esquerda por receio de trabalhar com o pé queimado. Segundo Edna, Avelar foi brincar com dois amigos de fazer churrasco. A brincadeira com álcool deixou as três crianças hospitalizadas, inclusive, com queimaduras no rosto.

Avelar sofreu queimaduras na perna direita e demorou cerca de um ano para se recuperar. Neste período, ele utilizou até um skate para se locomover.

"Ele tinha cinco anos. Brincava com os vizinhos. Três meninos foram para casa de um vizinho e foram brincar de fazer churrasco. Pegaram lajotas e papelão. O menino foi e pegou um litro de álcool e lançaram fogo. Queimaram os três meninos. Escorreu o fogo, pois o álcool fez uma trilha. O fogo foi indo. Um queimou o rosto, o outro queimou as pernas. O Danilo queimou o pé inteiro e uma parte da perna. Foi queimadura de terceiro grau. A pele do pé dele é diferente do outro até hoje, uma cor diferente, mais fininha, mas não teve problema de movimentos. Foi horrível. Ele ficou sem andar um bom tempo, tratamento doloroso, o médico arrancava cascas. Ele jogava Futsal no São Lucas. Parou por um tempo de jogar. Ele tinha um skate e colocava a barriga no skate e ia empurrando para não ficar parado no período da recuperação, pois ele não podia colocar o pé no chão. Foi bem grave, um longo tratamento. Um ano de tratamento e dois meses bem graves", afirmou Edna.

"Com a insegurança de pisar com o pé direito, ele começou a desenvolver o esquerdo. Questão de sobrevivência. Usou o esquerdo. Tanto que ele escreve com a direita. Foi por essa situação", completou.

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Confira a entrevista com pai de Avelar:

UOL Esporte: É verdade que a família toda é corintiana?
Edilson Avelar:
Sim, são dez irmãos - um santista e um palmeirense, o resto é tudo corintiano. Tem um palmeirense que está internado e a gente até avisou: "Não assiste o jogo". Pedimos, pois passou por procedimento cirúrgico.

UOL Esporte: Explique essa história de plantar feijão na Ucrânia?
Edilson Avelar:
Na Ucrânia ele tinha vontade de comer feijão. Ele morava em e tinha vontade de comer feijoada. Conseguiram que mandasse do Brasil. Ele plantou, colheram e conseguiram comer a feijoada. Foi em 2010, hoje tem mercado e restaurante e tudo brasileiro lá. O Danilo pegou amizade com uns estudantes brasileiros de uma colônia no Paraná, Prudentópolis. Eles conseguiram que um mandasse feijão para lá. Feijão é rápido, uns quatro meses, ele nasce. Adubaram. Colheram o feijão preto. E as outras partes conseguiram lá. Ele deu a ideia e começaram a plantar feijão lá.

UOL Esporte: Como foi essa reprovação em teste no Palmeiras?
Edilson Avelar:
O César Sampaio o descobriu na Copa São Paulo, ele jogou pelo Paraná Clube. O Danilo tinha dupla cidadania e o Sampaio tinha um projeto no Rio Claro-SP, então o Paraná liberou. Antes, ele passou pelo Palmeiras com 17 anos e não foi aprovado. O César foi muito ético, não quis forçar ou usar sua influência no Palmeiras. Por isso ele foi para o Rio Claro, disputou dois Paulistas e surgiu o interesse da Ucrânia

UOL Esporte: O "topo" do Danilo Avelar foi no Schalke 04?
Edilson Avelar:
No Schalke 04 ele não sabia o tamanho o clube. Ele se transferiu do Karpaty, onde jogou contra PSG, Bayern de Munique. Ele estava jogando do lado do Raul no Schalke, um dos maiores artilheiros da Liga dos Campeões, o goleiro Neuer, hoje no Bayern Munique, o peruano Farfan, tinham atletas titulares de várias seleções. Dez eram de seleções.

UOL Esporte: Por que Avelar sofre críticas?
Edilson Avelar
: A torcida não entende o estilo do Avelar. Ele fez o gol no momento que ele precisava dar uma resposta mais efetiva para a torcida, que não está entendendo o estilo de jogo dele, mais cadenciado, não dando firula, caneta. Ele jogou na Europa. Ele tem obediência tática, é cultura da Europa. Ele trabalha sempre dentro da visão do técnico.

UOL Esporte: Ele é melhor defensivamente?
Edilson Avelar:
Ofensivamente ele tem muito potencial, mas o estilo de jogo o segurava. O meio-campo não estava bem. Não estava tendo profundidade. O Pedrinho cortava e o vê entrando no fundo. O cabeceio dele (Avelar) é preciso, a força que ele tem na lateral, coloca a bola lá no meio da área. Isso ainda não foi explorado. Eles não verificaram. Ele cobra lá na área. Com o Gustavo agora quem sabe. É uma jogada boa. Ele joga lá dentro do gol. Na Europa ele usava muito. Em cinco meses, o Danilo fez três gols. Tem centroavante que não fez isso.

UOL Esporte: Ele chegou a pedido do Carille?
Edilson Avelar:
É o que o Carille falou, é o jogador mais regular e ficam pegando no pé. Em janeiro do ano passado ou dezembro de 2017, o Corinthians queria o Avelar, mas o Torino, da Itália, tinha perdido o derby, mandou embora o treinador. Não queria saber de nada, de dinheiro. O Carille tinha pedido, a ficha estava pronta, mas a janela fechou. O Danilo ficou no radar, mas o Carille foi embora. Já tinha aprovação. Ele voltou agora e o abraçou: 'é meu jogador'. A gente fica contente, é como um pai defendendo o filho.

UOL Esporte: Avelar deve ficar depois do empréstimo?
Edilson Avelar:
Ele tem contrato até junho, ele quer ficar, a família toda é corintiana, queremos que ele fique e construa o nome no Corinthians e seja herói em outras conquistas. A família aqui no Paraná é toda corintiana, torcida grande aqui, maior até que dos clubes daqui. 30 de junho, vence o empréstimo. Ele estendeu lá até 2021, mas o Corinthians tem opção de compra.

UOL Esporte: Críticas e negociação pelo Guilherme Arana. Como estava a cabeça dele?
Edilson Avelar:
Ele é muito centrado. Ele não se abala com o momento eufórico e nem quando não é relacionado, nem nada. Ele sabe que está fazendo o papel dele: "Vou ser reconhecido". Ele nunca se abateu com críticas. A torcida corintiana é fanática, é crítica. Ele tem uma cabeça boa, se não tivesse não estaria jogando. Não entenderam a forma dele jogar. Ele tinha que ser o responsável pela derrota.

UOL Esporte: Você o considera bem maduro?
Edilson Avelar:
Sim, foi a educação que a gente deu e os anos de sofrimento. Ele passou pela Ucrânia, para se destacar lá não é fácil. Ele fala ucraniano, entende bem, russo ele estava compreendendo. Ele fala alemão, inglês, italiano, espanhol. Sem sequer nunca ter estudado. Ele não conseguiu concluir o universitário, mas hoje escreve e fala em inglês e italiano muito bem.

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