PUBLICIDADE
Topo

Futebol

Náutico retorna aos Aflitos em busca de mais esperança e menos sufoco

divulgação
Imagem: divulgação

Napoleão de Almeida

Colaboração para o UOL

16/12/2018 04h00

O ano era 2008 e o Atlético-PR reinaugurava o CT do Caju, com um novo hotel, vários campos de treinamento simulando o gramado de estádios brasileiros, equipamentos modernos de ginástica, piscinas e um anfiteatro para estudos e apresentações. Nele, o então técnico Ney Franco apresentava para a imprensa, convidada para o evento, os pontos fracos do Náutico, adversário do domingo seguinte, nos Aflitos, em Recife.

aflitos 2 - divulgação - divulgação
"Renasceu a força e a raça", diz mensagem
Imagem: divulgação

O treinador detalhou com recursos tecnológicos o que pretendia fazer para superar o adversário. Quando a bola rolou no alçapão do Timbu, o placar de 5 a 0 para os mandantes demonstrava a força do Estádio dos Aflitos diante de tamanho aparato. O estádio, porém, foi deixado de lado pelo Náutico desde 2013, quando o clube optou por atuar na então recém-inaugurada Arena Pernambuco (estádio que recebeu partidas da Copa do Mundo de 2014). 

O último jogo do time alvirrubro nos Aflitos foi feito em maio de 2014. Depois disso, o estádio ficou em total abandono. Mas esse esquecimento está bem perto de acabar. A mensagem que hoje está na frente do Estádio Eládio de Barros Carvalho - nome oficial dos Aflitos, o bairro que abriga o Náutico - destaca com todas as letras: "Renasceu a força e a raça".

A volta, marcada para este domingo (16), será em um amistoso contra o Newell's Old Boys, da Argentina.

"Representa muito mais que o mando de campo. Representa o resgate do orgulho alvirrubro, de dizer que tem uma casa. O consórcio da Arena maltratou muito a torcida do Náutico. Ela precisava desse carinho novamente, mostrar que tem um lar", disse o presidente do Timbu, Edno Melo, tido como o principal responsável pela volta: "Em 2015 foi uma promessa minha, na campanha. Mas a gente não ganhou a eleição por 10 votos. Mas ganhamos o Conselho. E no conselho foi criada uma comissão e eu fui o presidente. E aí com o rompimento com a Arena, a administração ficou com o Governo, e só reforçou a necessidade. Em 2017 nós conseguimos o investidor que tocasse a obra."

Ainda assim, o mando de campo é relevante. Em 2012, ano da melhor campanha recente do Alvirrubro na Série A, o Náutico teve 13 vitórias, 3 empates e 3 derrotas atuando nos Aflitos. Bateu São Paulo e Santos por 3 a 0, derrotou Grêmio, Corinthians e Palmeiras e só perdeu para a dupla Fla-Flu - o Tricolor foi o campeão - e para o Coritiba.

No ano seguinte, já atuando na Arena Pernambuco, o desempenho foi exatamente o inverso: perdeu 12, empatou 2 e venceu outras 3 - jogou ainda duas partidas nos Aflitos, uma derrota e um empate. Sofreu goleadas de Atlético-PR, Vasco, Cruzeiro, Botafogo e Santos e terminou com a segunda pior campanha da história da Série A, à frente apenas do América-RN de 2007. 

Parceria de R$ 4 milhões reformou casa do Timbu

aflitos 1 - divulgação - divulgação
Imagem: divulgação

De acordo com Melo, a reforma custou R$ 4 milhões e foi paga por uma empresa, cujo nome foi mantido em sigilo pelo presidente. "É uma empresa privada que não quer divulgação e que foi pago com ingressos do jogo, cadeiras cativas. A parceria foi feita para que não ficasse dívidas. Ele pegou cadeiras, ingressos do clube", afirmou. 

O clube imagina que a volta para casa possa inaugurar uma nova era. "O projeto é sair urgentemente dessa Série C, que chegue na B forte, estruturado, para que em 2021 chegue à Série A. É uma cultura totalmente diferente do que se vê no nordeste, de desmontar o time todo. Renovamos com 90% do elenco, vamos contratar no máximo 8 para a temporada. É melhor renovar do que contratar. É austeridade, só gastar o que puder. Conseguimos tirar o discurso da prática".

O presidente trata o momento do Timbu como uma "refundação" do clube, que passou por problemas financeiros. "O problema todinho é que o Náutico vive uma refundação, caiu para a Série C, estava há 13 anos sem título. Esse ano foi um ano de resgate, o Náutico conseguiu pagar seus funcionários, terminamos com o título estadual, fomos até a 4ª fase da Copa do Brasil que deu uma refrescada nos cofres. O único ponto que não foi positivo foi a permanência na Série C, com o Bragantino, que não poderíamos perder. Mas tirando isso...".

Com capacidade para 19 mil torcedores, o estádio tira o Timbu da Arena Pernambuco, mas a discussão jurídica seguirá. No entendimento do clube, a Arena descumpriu o contrato e agora a administração fica por conta do Estado de Pernambuco. Ainda assim, Melo não descarta usar a Arena ou até mesmo o Arruda, do Santa Cruz, em casos de necessidade em jogos de maior apelo. 

"(A volta) Era um desejo de 10 a cada 10 alvirrubros que você perguntava. Reformamos um estádio de mais de 50 anos. A gente colocou uma drenagem nova, alambrados de vidro, irrigação automatizada, grama bermuda celebration, a mesma grama das Arenas, as cadeiras todas, reformamos os vestiários todos, mandantes, árbitros, visitantes. Tinham nove refletores, agora são 16, lanternas brancas. Toda a parte de acessibilidade. Não só voltar por voltar. A ideia é jogar tudo aqui. Agora, se tiver algum jogo do interesse do Náutico por uma renda maior, a gente pode negociar com a Arena ou até mesmo o Arruda".

Futebol