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Torcedor elitizado no novo Palestra, mas com sanduíche de pernil na mão

Danilo Lavieri

Do UOL, em São Paulo (SP)

14/03/2014 06h00

A elitização dos estádios é um tema recorrente quando as novas arenas do Brasil são apresentadas. Na Arena Palestra não é diferente. Na última quinta-feira, o serviço de catering – termo que resume alimentação e bebida – da casa palmeirense foi apresentado pela WTorre. A empresa responsável pelo serviço, a Gourmet Sports, mostrou que está ciente da dificuldade que será mesclar todo o glamour de um serviço VIP de comes e bebes com a necessidade de satisfazer o torcedor viciado no sanduíche de pernil antes do apito inicial. O acordo terá duração de 10 anos.

Baseada em experiências que teve no passado, a empresa, que é um braço brasileiro do grupo alemão K&K Group AG, conta com a ajuda da AEG, gestora norte-americana que cuidará do estádio. O principal desafio será convencer o palmeirense de que é melhor fazer o “esquenta” dentro da arena do que fora dela.

Até por isso, o cardápio apresentado aos jornalistas no evento da última quinta-feira começa por uma simples pipocae um cachorro quente com ingredientes especiais, passa pelo temaki de salmão cru, polenta frita e torta de limão siciliano e termina com algo inusitado para estar no menu de um torcedor: ossobuco com polenta mole.

"A gente sabe que precisa educar o torcedor. A gente precisa mudar o conceito e esperamos que o torcedor perceba que ele vai poder fazer o happy hour em um bar bacana dentro do estádio, depois ir para o restaurante, comer algo espetacular, e acompanhar o evento. O consumidor que hoje passa duas horas, no futuro vai ficar cinco. Para que pegar o trânsito se você pode esperar um pouco dentro do estádio?", disse Marcello Soares, diretor de parcerias globais da AEG.

Norte-americanização da "experiência" futebol

A qualidade dos serviços prestados é algo que também faz parte da aposta do CEO da empresa, Mark Zammit. Além de planejar tratar a todos como um convidado VIP,  ele tenta usar os esportes norte-americanos como case de sucesso.

No último Super Bowl, por exemplo, Red Hot Chilli Peppers e Bruno Mars foram destaques durante o jogo, sem contar outras atrações menores antes do confronto que define quem é o campeão do futebol americano. É o que Zammit considera como uma grande experiência e não apenas um evento esportivo.

“É fundamental trazer o público para dentro do estádio antes do evento. O jogo de futebol é importante com entretenimento, mas precisamos colocar algo ao redor do jogo de futebol. Queremos que eles cheguem antes, saiam depois e venham ao estádio com família completa. Isso, com certeza, será trabalhado com a AEG”, explicou. “O pessoal não está acostumado ainda, mas vai ficar. Na Copa das Confederações, vi até pessoal tirando foto de comida”, completou.

Faz parte dos planos da operadora até implementar um sistema em que o torcedor faça seus pedidos sem levantar da cadeira, por meio de um smartphone. Mas isso é plano para um futuro não tão próximo. “Precisamos primeiro mostrar o que é uma construção multiuso, depois vamos para isso. Mas a Arena está pronta para essa tecnologia”, analisou Marcello Soares. 

Se até os alemães esqueceram o salsichão...

O time ganha o reforço de Raj Saha, diretor de operações da AEG. Com o passaporte para lá de carimbado, com passagens por Londres, Nova Iorque, Berlim, Istambul e Estocolmo, ele diz ter a receita para conseguir mudar a cultura do torcedor brasileiro.

Ele sabe que a tarefa é difícil, mas promete usar a mesma estratégia que tirou das ruas e colocou para dentro dos estádios os alemães fissurados no salsichão e na cerveja e os ingleses viciados em ficar no pub até minutos antes do jogo.

“Abrimos arenas em outros lugares do mundo em que os torcedores também têm outro costume. Hoje, você os vê dentro dos nossos estádios”, disse o confiante dirigente, que traça uma estratégia simples para poder conquistar também os torcedores que têm a mão mais fechada na hora de gastar.

“Vamos ter produtos para os que querem gastar R$ 2 e também para os que querem gastar R$ 30”, complementou sem revelar ao certo o preço dos produtos.

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E a cerveja?

O torcedor da capital paulista ainda não sabe se poderá beber a sua cervejinha dentro do estádio após a Copa do Mundo. Os que forem ao Itaquerão durante o Mundial, no caso, poderão rever a velha companheira de guerra, retirada dos campos de jogo para evitar bêbados brigões. Mas, e depois?

Os dirigentes da AEG reconhecem que uma eventual proibição da cerveja pode atrapalhar os planos da empresa, mas confiam que uma experiência positiva com o álcool durante a Copa do Mundo possa mudar a cabeça das autoridades brasileiras em relação à lei atual.

“Faz parte de qualquer programa de entretenimento. Como você vai em um restaurante que não tem bebida alcoólica? Faz parte da conscientização do público e de uma operação do governo, mas não vai ter como (manter a proibição). É entretenimento”, resumiu Marcello Soares.

Raj Saha é um pouco mais cauteloso, mas sem perder a esperança. “Ninguém sabe, ainda esperamos aqueles que fazem a lei, mas estamos prontos para isso. E não só para cerveja. Poderemos servir vinho, drinques e todos os tipos de bebidas. A gente sabe que, assim que liberado (o álcool), a demanda vai ser muito grande”.  Vale destacar que durante shows e eventos, o álcool é liberado.

O estádio do Palmeiras tem o custo estimado na casa dos R$ 550 milhões, com 100% do investimento privado. A previsão é de que a obra esteja entregue até o fim do mês de junho. Além de todo o serviço VIP de alimentação, a Arena terá à disposição de seus torcedores uma loja do Burger King e uma da Dog Haüs em uma espécie de praça de alimentação que ficará no prédio de estacionamento do complexo. 

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