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Bom Senso propõe compensar fim dos estaduais com mais séries no Brasileiro

Pedro Lopes

Do UOL, em São Paulo

14/11/2013 06h00

Enquanto os atletas ligados ao Bom Senso F.C. organizam-se para realizar protestos, a equipe de consultores que apoia o movimento, formada por profissionais de diversas áreas e empresas, trabalha na elaboração de uma proposta de calendário para 2015, com o objetivo de apresentá-la à TV Globo e à CBF (Confederação Brasileira de Futebol).

O UOL Esporte teve acesso a várias das soluções estudadas e propostas pelos profissionais, que, inevitavelmente, passam pelo fim dos campeonatos estaduais. O caminho oferecido é a criação de novas divisões no campeonato nacional – o Brasil hoje possui quatro; a Inglaterra, por exemplo, mesmo com menor extensão territorial, possui seis, disputadas em fases estaduais classificatórias abaixo da Série D.

A medida solucionaria os dois pontos centrais das reivindicações do movimento: o excesso de jogos para os clubes grandes, a falta de jogos para times pequenos e a ausência de uma pré-temporada adequada. Os estudos dos consultores mostraram que, no Brasil, apenas 101 clubes atuam durante toda a temporada, enquanto mais de 500 atuam por períodos entre três e quatro meses. O São Paulo, por exemplo, deve chegar a 80 jogos oficiais em 2012, enquanto o Remo atuou apenas 23 vezes.

O financiamento das divisões regionais inferiores pode acontecer de duas formas: ou pela própria CBF, que chega a lucrar mais de R$ 50 milhões anuais, ou através da reserva de um percentual das receitas de televisão das principais ligas. Existe por trás do raciocínio um cálculo que mostra que é mais vantajoso para os clubes grandes, do ponto de vista financeiro, abrir mão de parte da receita para deixar de jogar as competições menores.

A transformação dos estaduais em divisões de acesso do futebol nacional, sem a presença dos times grandes, permitiria que, mantidos os formatos atuais das principais divisões do Campeonato Brasileiro, da Copa do Brasil, da Copa Libertadores e da Sul-Americana, fosse atingido o número pretendido pelo movimento de 70 jogos, em média, por temporada – até sete por mês – tanto para os clubes grandes quanto para os clubes pequenos. Isso já contando com uma maior pré-temporada. O movimento propõe pelo menos 30 dias de férias, mais três a quatro semanas dedicadas à pré-temporada.

Outro ponto que deve ser incluído na proposta é o das viagens dos clubes brasileiros. De acordo com o estudo dos consultores, um time, durante a temporada no Brasil, chega a percorrer 34.000 km, cerca de quatro a cinco vezes mais do que os clubes europeus. Mesmo em um país de dimensões continentais, é preciso reduzir esse número, se possível para um valor próximo dos existentes na Europa. As divisões regionais facilitariam o processo para os times menores: para os grandes, as distâncias podem ser minimizadas com mais cuidado na montagem da tabela.

Também existem propostas para as datas Fifa, ainda pouco debatidas no movimento. Uma delas é a de abolir jogos oficiais nessas ocasiões, como ocorre na Europa. A alternativa menos traumática é de que a seleção brasileira atue apenas com atletas fora do país nessas datas.

Os consultores do Bom Senso F. C. são associados ao grupo Futebol do Futuro, que conta com diversas empresas e profissionais focados na gestão esportiva. A proposta de calendário ainda não foi finalizada, e continuará sendo debatida com os atletas. Não há, até o momento, uma data prevista para que seja apresentada à CBF.

Na última quarta-feira, durante a 34ª rodada do Campeonato Brasileiro, os jogadores protestaram pela primeira vez com a bola rolando. Em todas as partidas, os atletas rolaram a bola e cruzaram os braços.

A exceção foi a partida entre São Paulo e Flamengo, em que os atletas foram ameaçados pela arbitragem. Alicio Pena Júnior, juiz do duelo, disse que daria amarelo aos 22 jogadores caso eles ficassem parados. Por isso, os jogadores bateram bola no gramado durante 30 segundos.

 

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