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Rodrigo Mattos

REPORTAGEM

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Forte rejeição provoca recuo da Fifa de proposta da Copa a cada dois anos

Gianni Infantino é o presidente da FIFA - Getty Images
Gianni Infantino é o presidente da FIFA Imagem: Getty Images
Rodrigo Mattos

Nascido no Rio de Janeiro, em 1977, Rodrigo Mattos estudou jornalismo na UFRJ e Iniciou a carreira na sucursal carioca de ?O Estado de S. Paulo? em 1999, já como repórter de Esporte. De lá, foi em 2001 para o diário Lance!, onde atuou como repórter e editor da coluna De Prima. Mudou-se para São Paulo para trabalhar na Folha de S. Paulo, de 2005 a 2012, ano em que se transferiu para o UOL. Juntamente com equipe da Folha, ganhou o Grande Prêmio Esso de Jornalismo 2012 e o Prêmio Embratel de Reportagem Esportiva 2012. Cobriu quatro Copas do Mundo e duas Olimpíadas.

21/10/2021 04h00

O presidente da Fifa, Gianni Infantino, recuou de tentar acelerar seu projeto de uma Copa do Mundo a cada dois anos por causa da forte rejeição à ideia. As reações contrárias à ideia ocorreram antes e durante a reunião de cúpula da Fifa nesta quarta-feira. Houve um isolamento do dirigente com sua proposta.

A intenção de Infantino era que o Conselho da Fifa aprovasse a realização de um Congresso extraordinário em dezembro para votar a Copa bianual. O tema foi incluído na agenda do encontro do organismo.

Seria a conclusão de um lobby iniciado com uma proposta da Arábia Saudita para estudar a mudança na periodicidade do Mundial, e depois encampado por aliados do presidente da Fifa como ex-jogadores e o diretor de desenvolvimento Arséne Wenger.

Mas encontros de dirigentes da UEFA já tinham deixado claro a rejeição à ideia. Houve inclusive uma ameaça de algumas federações nacionais de deixar a Fifa e não participar da Copa.

Além disso, a Conmebol era outra confederação que tinha se declarado publicamente contra a mudança na Copa.

Durante a reunião do Conselho da Fifa, membros da Concacaf (confederação da América Central e do Norte) também fizeram questionamentos ao projeto de Infantino. Não houve nenhuma manifestação favorável da Ásia, que é a confederação onde está a Arábia Saudita.

Com isso, Infantino ficou isolado. Por isso, ele propôs que, em vez de um Congresso, fosse realizado um encontro mundial para discutir o calendário futuro do futebol. Foi marcado e anunciado para 20 de dezembro. Mas o encontro não tem o poder de votar a mudança da Copa, como ocorreria com o Congresso.

Com seu recuo, Infantino, enfim, ganhou a aprovação do presidente da UEFA, Aleksander Cerefin, que elogiou sua atitude. Estava sepultada, pelo menos por enquanto, a ideia da Copa a cada dois anos. E o clima entre as confederações mostra que será difícil reavivá-la.

Ao final do encontro, em sua entrevista coletiva, Infantino admitiu as fortes críticas ao projeto. "As discussões em torno da Copa do Mundo provocaram reações fortes, ouvi muitas críticas e comentários negativos, ouvi comentários positivos também", disse ele.

Em seguida, disse que mudanças não seriam feitas a não ser que houvesse um consenso de que era bom para todos. Infantino não admite publicamente que é o responsável pela ideia da Copa bianual. Nos bastidores, agiu para tentar levá-la adiante. Sua postura era de quem foi derrotado.