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Rodrigo Mattos

OPINIÃO

Texto em que o autor apresenta e defende suas ideias e opiniões, a partir da interpretação de fatos e dados.

Mattos: Guerra de bastidores de Galo e Flamengo repete outros Brasileiros

Rodrigo Caetano avaliou o momento do Atlético-MG - Pedro Souza / Agência Galo / Atlético / Flickr
Rodrigo Caetano avaliou o momento do Atlético-MG Imagem: Pedro Souza / Agência Galo / Atlético / Flickr
Rodrigo Mattos

Nascido no Rio de Janeiro, em 1977, Rodrigo Mattos estudou jornalismo na UFRJ e Iniciou a carreira na sucursal carioca de ?O Estado de S. Paulo? em 1999, já como repórter de Esporte. De lá, foi em 2001 para o diário Lance!, onde atuou como repórter e editor da coluna De Prima. Mudou-se para São Paulo para trabalhar na Folha de S. Paulo, de 2005 a 2012, ano em que se transferiu para o UOL. Juntamente com equipe da Folha, ganhou o Grande Prêmio Esso de Jornalismo 2012 e o Prêmio Embratel de Reportagem Esportiva 2012. Cobriu quatro Copas do Mundo e duas Olimpíadas.

17/10/2021 04h00

Um episódio entre dirigentes e arbitragem no Mineirão, no jogo entre Atlético-MG e Santos, detonou uma guerra de bastidores entre Flamengo e o time mineiro. Alfinetadas entre dirigentes, declarações oficiais, pressões sobre arbitragem, súmula: tudo entrou na disputa extracampo pelo Brasileiro. É um cenário que costuma se repetir em fases decisivas do Brasileiro.

A turbulência começou quando o árbitro Paulo Roberto Alves relatou destempero e ofensas do diretor de futebol atleticano, Rodrigo Caetano, no intervalo do jogo. Seriam críticas por um pênalti reclamado pelo clube do zagueiro santista Vagner Leonardo em Zaracho. Em sua súmula, o árbitro escreveu:

"Informo ainda que, aos 41 minutos do primeiro tempo, o senhor Rodrigo Vila Verde Caetano, diretor de futebol da equipe do Clube Atlético Mineiro, o qual foi identificado pelos funcionários da equipe que faziam a segurança do lado de fora desta cabine, desferiu chutes e socos na porta da sala VAR e proferiu os seguintes dizeres de forma ofensiva e grosseira: "Seus ladrões, parem de roubar, nós não vamos aceitar isto mais". Ressalto que esta situação foi reportada pelos membros da equipe da sala VAR ao final da partida."

Em entrevista coletiva, Caetano negou ter tentando invadir a sala do VAR. Alegou que se defenderá na Justiça Desportiva, a procuradoria do STJD ainda não confirmou se entrará com representação contra ele. Ao blog, Caetano diz que não gostaria de se meter em brigas, e que a questão está com o jurídico do Galo.

O episódio gerou uma reação do vice-presidente do Flamengo, Rodrigo Dunshee de Abranches no Twitter: "Quando o clube mandante não proporciona segurança para o trabalho da arbitragem, qdo invadem ou tentam invadir a sala onde se pratica a arbitragem por vídeo, a consequência só pode ser uma: perda do mando de campo e punição severa dos invasores/agressores. Vamos aguardar o STJD.".

Sua declaração subiu o tom da disputa. O Atlético-MG decidiu se pronunciar oficialmente. "O Clube Atlético Mineiro manifesta repúdio às seguidas declarações de dirigentes e lideranças do Flamengo, como a feita hoje, pelo vice-presidente geral e jurídico Rodrigo Dunshee, em sua conta no Twitter." E chamou a declaração de "ardilosa".

Trata-se de um roteiro repetido nos períodos mais decisivos do Brasileiro. No Brasileiro-2020, logo após o jogo decisivo entre Flamengo e Inter, o vice-presidente colorado, João Patrício Herrman, disse que a arbitragem tinha sido uma vergonha, e que o seu clube fora surrupiado.

Semanas antes, seu time tinha tido um gol em posição suspeita confirmada em jogo com o Vasco no qual o VAR não funcionou. Isso gerou um ofício do Flamengo para a CBF classificando como inaceitável o não funcionamento do árbitro de vídeo.

No primeiro turno, o mesmo Rodrigo Caetano, então dirigente do Inter, também apareceu em súmula acusado de ofensas ao árbitro que apitou a partida do Colorado contra o Flamengo no primeiro turno.

Em 2019, em que pese a enorme diferença de pontos final do campeonato, o presidente do Palmeiras, Maurício Galiotte, afirmou que o VAR não funcionava igual em jogos do Flamengo como nas partidas de seu clube. Estava revoltado com uma decisão da arbitragem em jogo contra o Vasco. Pediu uma "arbitragem séria".

Campeão em 2016, o presidente palmeirense, Paulo Nobre, afirmou: "Não vão levar na mão grande". Era uma crítica também ao Flamengo. O então vice de comunicação rubro-negra Antônio Tabet rebateu chamando-o de "criança mimada" com problemas de caráter.

Para além das disputas de título, houve incontáveis representações, reuniões e reclamações de dirigentes na CBF ou no STJD relacionadas à arbitragem ou casos de indisciplina durante os últimos anos. Ocorreu com clubes da ponta, do meio e da zona de degola da tabela. Galo e Flamengo só repetem a novela.

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do UOL