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Rodrigo Mattos

REPORTAGEM

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Caboclo compra jato de R$ 71 milhões no dia de denúncia, CBF tenta anular

Rogério Caboclo, presidente afastado da CBF - Jorge Adorno/File Photo/Reuters
Rogério Caboclo, presidente afastado da CBF Imagem: Jorge Adorno/File Photo/Reuters
Rodrigo Mattos

Nascido no Rio de Janeiro, em 1977, Rodrigo Mattos estudou jornalismo na UFRJ e Iniciou a carreira na sucursal carioca de ?O Estado de S. Paulo? em 1999, já como repórter de Esporte. De lá, foi em 2001 para o diário Lance!, onde atuou como repórter e editor da coluna De Prima. Mudou-se para São Paulo para trabalhar na Folha de S. Paulo, de 2005 a 2012, ano em que se transferiu para o UOL. Juntamente com equipe da Folha, ganhou o Grande Prêmio Esso de Jornalismo 2012 e o Prêmio Embratel de Reportagem Esportiva 2012. Cobriu quatro Copas do Mundo e duas Olimpíadas.

11/06/2021 04h00

O presidente afastado da CBF, Rogério Caboclo, comprou um jato novo para a entidade no valor de US$ 14 milhões (R$ 71 milhões). O negócio foi fechado na sexta-feira, dia que uma funcionária da CBF denunciou o dirigente por assédio sexual. E já foi pago. A nova cúpula da confederação tenta desfazer a aquisição por ser considerada desnecessária, mas a negociação está complicada.

No domingo, o Comitê de Ética da CBF determinou o afastamento temporário de Caboclo por 30 dias. A decisão ocorreu após um pedido de membros da diretoria da entidade e pressão de patrocinadores da seleção. Essas manifestações vieram após a denúncia de uma funcionária da CBF ao Comitê de Ética de que Caboclo a assediou. Há gravações.

No mesmo dia da denúncia, Caboclo fechou a compra pela CBF de um jato Legacy de 16 lugares. O valor foi de US$ 14 milhões (R$ 71 milhões). Ele mandou que o valor fosse pago à vista. Não havia informado ao restante da diretoria. A CBF já tem um avião Citation com capacidade para 12 lugares que vem sendo utilizado pelo próprio Caboclo em viagens de trabalho.

Ao assumirem a CBF, os dirigentes da cúpula da entidade entenderam que não havia necessidade do avião. Afinal, a atual aeronave atende as necessidades da diretoria e está em bom funcionamento. Por isso, foi iniciada uma negociação para tentar anular o negócio e o dinheiro devolvido. Se isso não for possível, a CBF vai revender o avião em seguida.

Além disso, havia a avaliação de que o negócio pegaria mal com clubes. A CBF destinou bem menos dinheiro para auxílio de times durante a pandemia. Em maio, já acossado por oposição interna e externa, Caboclo liberou R$ 19 milhões em dinheiro para clubes das Série C e D e para federações.

A CBF tinha R$ 873 milhões em caixa no final de 2020. Ou seja, Caboclo pretendia gastar 8% do dinheiro disponível em um avião novo, é quase o quádruplo da ajuda dada a clubes e federações.

Procurado pelo blog, Caboclo não respondeu a perguntas sobre a compra do avião.

Rodrigo Mattos