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Rodrigo Mattos

OPINIÃO

Texto em que o autor apresenta e defende suas ideias e opiniões, a partir da interpretação de fatos e dados.

Kanté é o protagonista improvável e inspira mais do que futebol do Chelsea

Kanté é um dos destaques do Chelsea, finalista da Champions - Getty Images
Kanté é um dos destaques do Chelsea, finalista da Champions Imagem: Getty Images
Rodrigo Mattos

Nascido no Rio de Janeiro, em 1977, Rodrigo Mattos estudou jornalismo na UFRJ e Iniciou a carreira na sucursal carioca de ?O Estado de S. Paulo? em 1999, já como repórter de Esporte. De lá, foi em 2001 para o diário Lance!, onde atuou como repórter e editor da coluna De Prima. Mudou-se para São Paulo para trabalhar na Folha de S. Paulo, de 2005 a 2012, ano em que se transferiu para o UOL. Juntamente com equipe da Folha, ganhou o Grande Prêmio Esso de Jornalismo 2012 e o Prêmio Embratel de Reportagem Esportiva 2012. Cobriu quatro Copas do Mundo e duas Olimpíadas.

29/05/2021 19h27

Campeão da Champions, o Chelsea não é daqueles times de futebol encantador que te faz parar em uma tarde de final de semana para assistir independente da sua torcida. Seu título, no entanto, é justo pois foi o futebol mais eficaz do campeonato. E, sim, o time inglês dá motivos para sonhar com alguns de seus personagens inspiradores.

De cara, lembremos de Kanté, o melhor jogador da final diante do City. Pela segunda vez, a Champions tem um meio-campista como seu protagonista como ocorreu com Thiago Ancântara com o Bayer de Munique no ano passado.

Um símbolo da final de só um gol foi o carrinho dado por Kanté em De Bruyne em que retirava a bola do craque rival com um lance defensivo brilhante. Não se limitou a isso. Saiu para o jogo e puxou para contra-ataques constantemente chegando no ataque rival.

Sua história é de um atleta que explodiu tarde. Com 22 anos, estava na segunda divisão da Liga Francesa. Chegou à Premier League por um time que deveria estar datado a ser coadjuvante: o Leiscester. Acabou campeão também pelos pés de Kanté que, então, chegou ao seu time grande, o Chelsea.

A partir dali, ele ganhou uma Copa do Mundo e agora a Champions League. Suas atuações no mata-mata da Liga dos Campeões foram decisivas. Para além do futebol, há um fator da empatia despertada por Kanté, um personagem longe da marra vista no futebol atual, sorriso constante no rosto.

Mas não é o único jogador marcante neste time. Está ali Mendy, o senegalês que se tornou o primeiro goleiro africano a ganhar a Champions. Na final, com a defesa do Chelsea extremamente eficiente, foi até pouco exigido diante de um time de Guardiola. De Guardiola, repita-se.

E há outras histórias boas como a de Thiago Silva. Trata-se do melhor zagueiro brasileiro nos últimos dez anos e, ainda assim, questionado por aqui de uma forma meio estapafúrdia porque chorou antes de um jogo. A nossa cultura machista latina ainda se prende a essas bizarrices de analisar a parte emocional de um atleta por causa de um choro.

Thiago é um jogador brilhante que, em determinados momentos decisivos de sua carreira, não teve tanta sorte. Passou perto de títulos importantes como no ano passado em que o PSG perdeu a final da Champions. Na final deste ano, sofreu uma contusão muscular que o impediu de ir até o final. Não lhe tira os méritos do que construiu na campanha do título. A torcida do Chelsea pedia sua permanência.

Em trajetória similar, o técnico Tuchel foi demitido pelo PSG após perder o título da Champions. É um treinador algo irônico em suas observações, sem a marra de supertécnicos como Mourinho. Ao mesmo tempo, foi capaz de armar uma defesa tão eficiente quanto as montadas pelo português e manter essa identidade defensiva do Chelsea.

Seu contra-ataque matou o jogo ultraofensivo de Guardiola com um contra-ataque em que só quatro jogadores tocaram na bola incluindo o goleiro Mendy. Mount meteu um lançamento primoroso para Havertz superar Ederson e fazer o gol do título.

O futebol é construído por lances técnicos e táticos que podem nos deslumbrar. Faltou esse encantamento na final da Champions. Mas não faltaram narrativas inspiradoras dos campeões.

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do UOL

Rodrigo Mattos