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Rodrigo Mattos

ANÁLISE

Texto baseado no relato de acontecimentos, mas contextualizado a partir do conhecimento do jornalista sobre o tema; pode incluir interpretações do jornalista sobre os fatos.

Como Champions na HBO Max coloca futebol como peça na guerra do streaming

Semifinal da Champions - Laurence Griffiths/Getty Images
Semifinal da Champions Imagem: Laurence Griffiths/Getty Images
Rodrigo Mattos

Nascido no Rio de Janeiro, em 1977, Rodrigo Mattos estudou jornalismo na UFRJ e Iniciou a carreira na sucursal carioca de ?O Estado de S. Paulo? em 1999, já como repórter de Esporte. De lá, foi em 2001 para o diário Lance!, onde atuou como repórter e editor da coluna De Prima. Mudou-se para São Paulo para trabalhar na Folha de S. Paulo, de 2005 a 2012, ano em que se transferiu para o UOL. Juntamente com equipe da Folha, ganhou o Grande Prêmio Esso de Jornalismo 2012 e o Prêmio Embratel de Reportagem Esportiva 2012. Cobriu quatro Copas do Mundo e duas Olimpíadas.

26/05/2021 15h39

A maior novidade do lançamento do HBO Max, serviço de streaming da Warnermeadia, foi a inclusão de transmissões de jogos da Champios. Com isso, o futebol entra na guerra de gigantes deste tipo de plataforma no Brasil, sendo que a Disney também dá um passo nesta direção. É uma disputa que já tem Netflix, Disney Plus, Globoplay e Amazon Prime Vídeo e agora o HBO Max.

No exterior, a inclusão de competições esportivas no pacote de serviços de streaming já avança. A Amazon comprou pedaços da Champions em alguns países europeus, outros nacos da Premier League e todos os jogos da NFL nas quinta-feiras. No Brasil, a empresa já mostrou interesse por determinadas competições, mas ainda não se decidiu a investir. Há outras plataformas restritas ao esporte com direitos como a DAZN.

E o que significa este primeiro passo do futebol no streaming de gigantes no Brasil? Será que veremos a migração das competições de TVs Abertas ou pagas (a cabo) para serviços de streaming? Será que um dia a Netflix vai estar disputando os direitos de um Paulista ou Copa do Brasil?

Não há ainda respostas para estas perguntas ainda. Mas o movimento da Warnermedia indica que, sim, há uma possibilidade de migração das competições para o streaming.

A Disney anunciou também em maio o lançamento do serviço de streaming Star Plus, que iniciará em agosto deste ano, que também inclui jogos. Entre as competições que serão incluídas no pacote estão Libertadores, Premier League e LaLiga, além de outros esportes.

A Champions continuará a ter como principal plataforma a TNT e Space, tvs fechadas, e o SBT, TV Aberta. Assim como a Fox Sports e a ESPN seguirão como os principais canais para a Libertadores e as ligas europeias.

É lá que o futebol gera maior receita, seja através de assinantes, seja por meio de publicidade. É portanto com esse dinheiro que as empresas de comunicação compram os direitos de transmissão de competições como Champions, Libertadores, Brasileiro, etc.

Só que o número de assinantes de TV paga cai mundialmente e notadamente no Brasil. Houve redução da base de assinantes no país que agora gira em torno de 14 a 15 milhões. Anteriormente, eram 20 milhões. Assim, cai o dinheiro recebido por canais como ESPN, Sportv e TNT. E há uma redução também dos assinantes do pay-per-view do Brasileiro, vendido pela Globo majoritariamente dentro das operadoras.

Ao mesmo tempo, a Netflix já se aproxima dos 20 milhões de assinantes, sem ter nenhum conteúdo de futebol ou ao vivo. Lançados depois, Globoplay e Disney Plus também estão em crescimento. E a Globo detém direitos sobre competições importantes como Brasileiro e Copa do Brasil.

A pergunta é: em algum momento a receita desta plataforma terá aumentado de forma significativa a ponto de valer a pena migrar de vez as transmissões para lá?

Há ainda competições com serviços específicos de streaming para competições como são os casos do Carioca e da Copa do Nordeste. No futuro, será interessante para os gigantes levarem estes direitos para dentro das suas plataformas? Como seria o modelo de parceria?

As respostas para estas perguntas vão moldar não somente a forma como o torcedor consome futebol como o modelo em que os direitos serão vendidos. Cada vez mais as competições têm sido fatiadas para que gerem mais dinheiro em seus pedaços em vez de apostarem em um só comprador.

O torcedor ainda não tem como saber como vai assistir ao futebol em 2030. Mas parece cada vez mais improvável que seja no mesmo modelo atual.

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do UOL

Rodrigo Mattos