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Rodrigo Mattos

ANÁLISE

Texto baseado no relato de acontecimentos, mas contextualizado a partir do conhecimento do jornalista sobre o tema; pode incluir interpretações do jornalista sobre os fatos.

Com clubes no sufoco, CBF fica mais rica e acumula R$ 873 milhões no banco

Rogério Caboclo, presidente da CBF - Reprodução
Rogério Caboclo, presidente da CBF Imagem: Reprodução
Rodrigo Mattos

Nascido no Rio de Janeiro, em 1977, Rodrigo Mattos estudou jornalismo na UFRJ e Iniciou a carreira na sucursal carioca de ?O Estado de S. Paulo? em 1999, já como repórter de Esporte. De lá, foi em 2001 para o diário Lance!, onde atuou como repórter e editor da coluna De Prima. Mudou-se para São Paulo para trabalhar na Folha de S. Paulo, de 2005 a 2012, ano em que se transferiu para o UOL. Juntamente com equipe da Folha, ganhou o Grande Prêmio Esso de Jornalismo 2012 e o Prêmio Embratel de Reportagem Esportiva 2012. Cobriu quatro Copas do Mundo e duas Olimpíadas.

08/05/2021 04h00

O período de pandemia de coronavírus provocou um aperto financeiro para a maioria dos clubes brasileiros. Já a CBF sofreu um efeito bem menor nas suas finanças. E, no final das contas, acabou o ano de 2020 mais rica e acumulando um total de R$ 873 milhões no banco.

Não é uma novidade. A confederação tem obtido superávits em todos os últimos anos porque suas receitas são bem superiores aos gastos. No ano passado, a sobra foi até menor com um total de R$ 49 milhões de superávit contra R$ 190 milhões na temporada de 2019.

Houve uma queda da receita da CBF que acabou o ano com R$ 661 milhões. Em 2019, foram R$ 902 milhões. Mas a principal explicação foi o dinheiro do legado da Copa 2014 repassado pela Fifa: foi reduzido em R$ 150 milhões. Rendas de bilheteria e de direitos de transmissão também tiveram diminuição - neste último item, houve transferências de valores para 2021.

Assim, a entidade ficou abaixo da renda do Flamengo pelo segundo ano seguido. O clube da Gávea arrecadou R$ 668 milhões no ano passado, mas acabou com déficit.

A questão é que a CBF tem despesas bem menores do que clubes. Seus custos com as seleções principais, feminino e base ultrapassam levemente R$ 100 milhões. Há ainda despesas administrativas de R$ 170 milhões.

Fora isso, sobra para a confederação investir no futebol brasileiro que é sua função descrita no seu estatuto. Mas a entidade só destina às competições nacionais R$ 204 milhões. É verdade que houve significativo aumento de investimento nas Séries C e D para amenizar os efeitos da pandemia. Além disso, também cresceu o dinheiro para o Brasileiro Feminino.

Em programa de financiamento, a CBF emprestou dinheiro para clubes das Séries A e B sem juros. Tanto que houve um aumento do dinheiro a receber para filiados especiais (clubes): subiu em R$ 11 milhões. Mas essa linha de crédito foi de cerca de R$ 100 milhões, só um sexto da renda da CBF. É descontada de cotas da Copa do Brasil.

Mais, em todo esse cenário, a confederação aumentou seu dinheiro no banco, isto é, tinha bem mais recursos para ajudar o futebol brasileiro. No total, houve um aumento do caixa, dinheiro no banco em investimentos, de R$ 176,7 milhões. Em 2019, houve um acúmulo do mesmo patamar. Os recursos da CBF estão investidos em fundos conservadores e CDB's.

Com isso, a entidade, atingiu o impressionante montante de R$ 873 milhões no banco. É um valor superior a todo o passivo da entidade que gira em torno R$ 675 milhões. Na realidade, a CBF não tem dívida líquida já que seu dinheiro em caixa e os valores a receber ultrapassam em muito o que a entidade tem a pagar. Uma realidade totalmente diversa de todo o ambiente de futebol que é gerido pela entidade.

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do UOL

Rodrigo Mattos