PUBLICIDADE
Topo

Rodrigo Mattos

REPORTAGEM

Texto que relata acontecimentos, baseado em fatos e dados observados ou verificados diretamente pelo jornalista ou obtidos pelo acesso a fontes jornalísticas reconhecidas e confiáveis.

Plano do Vasco de gerir Maracanã tem obstáculos a superar com Fla-Flu

Presidente do Vasco, Jorge Salgado quer participar da gestão do Maracanã - Rafael Ribeiro / Vasco
Presidente do Vasco, Jorge Salgado quer participar da gestão do Maracanã Imagem: Rafael Ribeiro / Vasco
Rodrigo Mattos

Nascido no Rio de Janeiro, em 1977, Rodrigo Mattos estudou jornalismo na UFRJ e Iniciou a carreira na sucursal carioca de ?O Estado de S. Paulo? em 1999, já como repórter de Esporte. De lá, foi em 2001 para o diário Lance!, onde atuou como repórter e editor da coluna De Prima. Mudou-se para São Paulo para trabalhar na Folha de S. Paulo, de 2005 a 2012, ano em que se transferiu para o UOL. Juntamente com equipe da Folha, ganhou o Grande Prêmio Esso de Jornalismo 2012 e o Prêmio Embratel de Reportagem Esportiva 2012. Cobriu quatro Copas do Mundo e duas Olimpíadas.

08/04/2021 06h00

O Vasco manifestou seu interesse em entrar na administração definitiva do Maracanã durante reunião com o governador do Rio, Cláudio Castro. Atualmente, o estádio é gerido de forma provisória por Flamengo e Fluminense. A entrada do Vasco gera desafios a serem enfrentados com os dois clubes para se chegar a um consenso para a concorrência.

O plano vascaíno é, sim, conversar com Flamengo e Fluminense antes da licitação para fazer uma gestão conjunta. Não descarta, no entanto, entrar na concorrência e disputar o estádio com a dupla.

Para haver um acordo entre todos os clubes, há três pontos principais a serem superados em questões que foram levantadas quando houve a cessão provisória à dupla Fla-Flu. Na ocasião, houve uma discórdia entre Vasco e os outros dois clubes, e o time cruzmaltino tentou barrar a concessão feita aos outros dois times.

O primeiro ponto é que o Flamengo exigia que o Vasco se comprometesse a jogar um número mínimo igual no Maracanã similar aos outros dois para desfrutar do mesmo poder na gestão. Foi discutido o número de 25 partidas. Na época, a agremiação não aceitava isso porque tem São Januário.

Pelo novo plano, o Vasco pretende estudar um modelo econômico mais vantajoso e quantos jogos iria estimar no Maracanã. É certo que o clube deve ficar um ano a um e meio sem São Januário para uma reforma para modernizá-lo. Além disso, há o aspecto esportivo: um plano com mais jogos tem que envolver o clube estar na Série A. Quando chegar para conversar, o Vasco deve ter um número estimado.

Outro ponto de confronto é com o Fluminense por causa do lado do estádio. O Vasco, historicamente, era o "dono" do lado direito do Maracanã por conta de convenção por um resultado de um campeonato da década de 50. Por contrato com a Odebrecht, o Fluminense ficou com esse lado. O Flamengo ocupa o lado esquerdo.

A diretoria do Vasco entende que a questão pode ser discutida. Mas é lembrado que o contrato com a Odebrecht não existe mais e, portanto, esse debate teria de partir do zero e não com a prerrogativa de nenhum time. Há um entendimento de que pode haver um acordo.

Um terceiro ponto importante é em relação à qualidade do campo. A administração do Maracanã já identificou que mais de dois jogos por semana pioram sensivelmente o estado do gramado. Ou seja, se houvesse três times mandando jogos no local, os três poderiam ser prejudicados no aspecto técnico.

O Vasco reconhece essa questão. Entende que o gramado deveria ser poupado de jogos menos relevantes de públicos para 10 mil pessoas. E aponta ainda que, com investimento, pode ser implantada uma nova grama mais resistente aos jogos.

No geral, o Vasco avalia que sua presença aumenta a renda do Maracanã e, portanto, a capacidade de o estádio ser autossustentável e poder fazer investimentos necessários em infraestrutura. E prioriza um acordo com os outros clubes.

A sinalização do governador Cláudio Castro é de que os clubes terão protagonista na concorrência. Não quer a volta de modelo com uma empresa explorando o Maracanã e alugando para os clubes. Ao mesmo tempo, o governo rejeitou a manutenção de modelo igual provisório com a gestão de Flamengo e Fluminense. E não foi dada uma data ainda para conclusão no processo licitatório.

Rodrigo Mattos