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Rodrigo Mattos

Facebook multiplica audiência de Champions e vira ameaça à TV Aberta

Jogadores do Bayern pressionam Neymar na final da Champions - Pool/Getty Images
Jogadores do Bayern pressionam Neymar na final da Champions Imagem: Pool/Getty Images
Rodrigo Mattos

Nascido no Rio de Janeiro, em 1977, Rodrigo Mattos estudou jornalismo na UFRJ e Iniciou a carreira na sucursal carioca de ?O Estado de S. Paulo? em 1999, já como repórter de Esporte. De lá, foi em 2001 para o diário Lance!, onde atuou como repórter e editor da coluna De Prima. Mudou-se para São Paulo para trabalhar na Folha de S. Paulo, de 2005 a 2012, ano em que se transferiu para o UOL. Juntamente com equipe da Folha, ganhou o Grande Prêmio Esso de Jornalismo 2012 e o Prêmio Embratel de Reportagem Esportiva 2012. Cobriu quatro Copas do Mundo e duas Olimpíadas.

06/11/2020 04h00

Nos últimos dois anos, a partir do meio de 2018, o Facebook adquiriu direitos sobre boa parte dos jogos da Champions e um pacote da Libertadores. Houve tropeços no início com problemas nas transmissões e reclamações do público. Na segunda edição dos torneios, as transmissões melhoraram e tiveram uma multiplicação de audiência. Isso posiciona o gigante de redes sociais como ameaça real à TV Aberta nas transmissões esportivas no Brasil.

Em entrevista ao blog, o diretor de parcerias para esportes do Facebook, Leonardo Lenz Cesar, explica que a melhoria da internet no Brasil e negociações com empresas de telefonia possibilitaram o salto na qualidade nas transmissões na rede. Em paralelo, a empresa começou a gerar dinheiro com as transmissões com os patrocínios em torno dos jogos.

Isso para explorar uma audiência crescente. Na final da Champions, entre PSG e Bayern de Munique, o Facebook reuniu 13,7 milhões de espectadores únicos que assistiram a pelo menos um minuto do jogo. Foi um aumento de 170% em relação à decisão da primeira edição transmitida pela empresa, em 2018/2019. No Brasil, o pico de audiência foi de 4,3 milhões de pessoas assistindo simultaneamente ao jogo.

"Tivemos recordes sendo batidos no Facebook. No final do dia, o live é muito poderoso para a gente. Tem um papel muito peculiar na plataforma, para nutrir as comunidades e conversas", contou Leonardo Cesar, que explica a evolução das transmissões. "Em julho de 2018, a Anatel registrava banda de 32 megabits em 6 milhões domicílios. Em agosto de 2020, foram 18,3 milhões, quase triplicou o número. Olha para 4G: também houve um salto. Mercado está crescendo muito. Teve grandes evoluções de produtos. Os fãs começaram a entender melhor como se dava o projeto."

Na Libertadores, o Facebook tem um pacote de jogos de quinta-feira que inclui pelo menos uma partida dos grandes times brasileiros na fase de grupos. Mas não tem direitos de jogos mata-mata das fases finais. A atual edição, que ainda está em curso, teve o dobro de pessoas assistindo a pelo menos um minuto do jogo em relação à primeira transmitida pelo Facebook, em 2019.

Naquele campeonato, a Conmebol intermediou um acordo com a Fox de troca de jogos em países da América do Sul - excluindo o Brasil - por problemas nas transmissões. O Facebook diz que tinha interesse em compartilhar as partidas. O acordo foi renovado para a temporada 2020.

O Facebook não abre sua estratégia futura para direitos de competições no Brasil. Mas sua faixa de disputa de direitos é a da TV ABerta, já que não cobra, nem pretende cobrar por conteúdo. Veja abaixo a entrevista de Leonardo César.

Blog: O Facebook tem algum projeto no futuro de ter transmissões pagas das competições a que tem direitos?

Leonardo César: Não vejo isso acontecendo (pagando). Não vejo a gente usando modelo pagos.

Blog: Como o Facebook faz para gerar renda com os direitos a que tem direito?

Leonardo César: Primeiro passo é garantir que o produto está funcionando e que as pessoas estão felizes de usar. Primeiro objetivo é de ter conteúdo de grande qualidade dentro do Facebook. Uma vez que ele está aqui pensamos como vamos monetizar. A forma de monetizar é patrocínio. Tem entregas em que faz o tag da marca na transmissão, patrocínio das enquetes, dispara votação em que libera um conteúdo especial, projetos com a Heineken, bot específico. Primeiro garantimos de que estava indo bem.

Blog: A receita obtida pelo Facebook é suficiente para cobrir os investimentos feitos em direitos?

Leonardo César: Não comentamos nesse nível de investimento.

Blog: Houve problemas no início das transmissões na primeira edição da Libertadores e Champions. Agora, percebemos uma melhora e transmissões sem interrupções. O que aconteceu? O que foi feito?

Leonardo César: Foi um monte de coisas. Expansão da banda larga. A gente evoluiu bastante, a gente fez um trabalho gigantesco dentro da plataforma. Mostra essa evolução na estruturação da entrega. Conversamos com as Telcos (empresas de telefonia) como poderiam ajudar nas entregas. E tem um público que passou a se programar para entender melhor. Um monte de coisas, é um retalho de evolução de mercado. Estamos seguros da entrega das transmissões. Lançamos novos modelos de engajamento. Pode se esperar mais nesse sentido no futuro. Na final da Champions, tivemos 4,3 milhões conexões, e com reclamação marginal.

Blog: O Facebook vinha perdendo um público usuário mais jovem recentemente. A ideia de comprar direitos de competições teve a ver com aumentar o tráfego de pessoas na plataforma?

Leonardo César: Não foi pensando nesse objetivo. Os números do Brasil a gente só vê crescimento (no número de usuários). A ideia foi ter conteúdo porque estava no momento de lançamento de Facebook Watch no Brasil. Precisava ter conteúdo de qualidade lá. Era muito novo. A história é de a gente ir melhorando a experiência.

Blog: O Facebook investiu em duas competições continentais, Champions e Libertadores. Há interesse em competições nacionais para as próximas concorrências, campeonatos como Brasileiro?

Leonardo César: A gente não especula sobre direitos futuros. A gente está superfeliz com o que a gente tem. Temos testados muito com esses direitos. Testamos diversos produtos, coisas que não são direitos ao vivo. Estamos focados de fazer reta final para nossas competições. Não posso especular.

Blog: O mercado de transmissões esportivas está em constantes mudança com o surgimento de novas plataformas pagas ou gratuitas e meios de se chegar ao torcedor. Na sua visão, qual será o modelo futuro de transmissões esportivas que vai prevalecer?

Leonardo César: Se soubesse, não estaria aqui e estaria na praia, no Caribe. O que acho é que tudo está mudando muito rápido e profundamente. Os números de distribuição por IP estão crescendo muito. Os números crescem, mas vai ter uma acomodação. É difícil saber onde vai ficar a ancoragem final disso. Faço o paralelo da indústria da música que gravadoras eram donas, depois se consumiu música unitária. Agora, consolidou-se o modelo de assinatura em que você tem tudo lá. O desenho final é difícil, vai passar por modelo intermediário.

Blog: Como o Facebook tem atuado no ambiente do futebol e na sua relação com entidades e clubes de futebol?

Leonardo César: Nossa relação é com o ecossistema como um todo para atingir o objetivo da plataforma, essa plataforma de negócios. Temos falado com principais clubes do Brasil, da América Latina, para entender os objetivos de cada um para ajudar como desenvolver seus negócios.

PS Em paralelo às transmissões ao vivo, o Facebook tem projetos de parcerias com clubes, entidades e atletas para desenvolver vídeos e conteúdo que podem ser explorados pelas partes com divisão de receitas. Já fizeram parcerias com 11 clubes brasileiros para produção desses vídeos. Nesses casos, podem promover plataformas pagas dos parceiros.

Rodrigo Mattos