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Rodrigo Mattos

Felipe Melo abalou-se por 'crise da Covid', jovens do Flamengo não sentiram

Rodrigo Mattos

Nascido no Rio de Janeiro, em 1977, Rodrigo Mattos estudou jornalismo na UFRJ e Iniciou a carreira na sucursal carioca de ?O Estado de S. Paulo? em 1999, já como repórter de Esporte. De lá, foi em 2001 para o diário Lance!, onde atuou como repórter e editor da coluna De Prima. Mudou-se para São Paulo para trabalhar na Folha de S. Paulo, de 2005 a 2012, ano em que se transferiu para o UOL. Juntamente com equipe da Folha, ganhou o Grande Prêmio Esso de Jornalismo 2012 e o Prêmio Embratel de Reportagem Esportiva 2012. Cobriu quatro Copas do Mundo e duas Olimpíadas.

28/09/2020 04h00

Quando sete jogadores do Flamengo testaram positivo para coronavírus no domingo à noite, a realização da partida com o Palmeiras pelo Brasileiro já estaria fatalmente em discussão. A partir daí, uma série de acontecimentos culminou na decisão de que a partida ocorreria a poucos minutos do início. O time rubro-negro tinha 19 desfalques por Covid além de alguns lesionados, o Palmeiras vinha com o time completo.

Como se chegou a esse quadro? Aos sete jogadores infectados inicialmente, o Flamengo verificou ter mais 12 atletas com o coronavírus no período de quarta-feira para sexta-feira. Foi resultado de um surto em sua delegação que foi ao Equador que teve em torno de 40 pessoas afetadas.

Por isso, houve uma briga judicial envolvendo a realização do jogo que se arrastou de quarta-feira até o domingo, no STJD, na Justiça Trabalhista e na Justiça comum. (já escrevi aqui no blog que, por prioridade à saúde, a partida não tinha que ser realizada). Ao final, o TST (Tribunal Superior do Trabalho) decidiu por manter o confronto minutos antes do seu início: sua alegação era de que havia segurança porque jogadores que atuaram testaram negativos.

O Flamengo tinha demorado a sair do seu hotel pela indefinição. Chegou atrasado ao estádio e entrou em campo 20min após o horário. O time rubro-negro que foi ao gramado contava com cinco garotos da base - Hugo, Otávio, Nathan, Ramon e Guilherme Bala - que ou nunca tinham atuado no profissional ou jogaram pouquíssimo. No total, foram usados oito atletas o jogo inteiro com essas características, somados a quatro "titulares".

O atraso da equipe rubro-negra provocou o seguinte comentário de Felipe Melo, jogador de 37 anos, com participação em Copa do Mundo pela seleção brasileira.

"Sabemos da dificuldade do jogo. Fizeram toda uma sacanagem antes do jogo. Fizeram a gente ficar esperando, uma falta de respeito sem tamanho conosco do Palmeiras que seguimos 100% o protocolo né. Mexe com a nossa cabeça. Não é um jogo normal. A gente não entrou para jogar um jogo normal. Depois de tudo que aconteceu joga, não joga. Tem que rever conceitos no Brasil", disse ele, no intervalo. Depois do intervalo, ele falhou no gol de Pedro a quem deixou livre.

Ressalte-se que um jogador ficar abalado por atuar em um jogo em que o outro time tem surto de Covid é perfeitamente compreensível. A ninguém deveria ser exigido que atue sob condições que ameacem sua saúde em meio a uma pandemia. Felipe Melo assinou uma carta com outros jogadores pedindo para a partida fosse realizada.

Se Felipe Melo teve a cabeça "mexida", não foi o caso dos garotos do Flamengo. Os zagueiros Nathan e Otávio, que jogam na posição do experiente palmeirense, não falharam. O gol palmeirense saiu em um desvio acidental após chute de Patrick de Paula. O goleiro Hugo foi além e pegou uma cabeçada dificílima de Luiz Adriano.

Nenhum dos garotos rubro-negros comprometeu. Em um jogo com predomínio do Flamengo em determinados momentos, e outros de equilíbrio, o placar igual refletiu um Palmeiras sem ideias, e uma equipe carioca com o brilho no olhar, além de uma atuação esfuziante de Arrascaeta, o jogador mais classudo do futebol brasileiro.

Ao final, o técnico palmeirense, Vanderlei Luxemburgo repetiu o discurso de seu capitão. "Chegamos aqui, tem jogo, não tem, aí chega e tem, o adversário vem, não vem. Aí entramos em campo e ficamos lá dentro esperando o adversário chegar, entrar, fora do tempo normal, isso tudo mexe com os jogadores", disse o treinador, que tem uma carreira de 30 anos na elite do futebol nacional e que admitiu que o Palmeiras está devendo.

Questionado sobre a dificuldade de chegar em cima da hora, Hugo Souza afirmou que desde o início estava preparado para jogar. Ele não atuava em uma partida há nove meses, sendo a última vez pelo sub-20 do Flamengo.

Rodrigo Mattos