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Rodrigo Mattos

Reunião sobre público tem gritaria e ataque a Caboclo: 'Esqueceu gardenal'

Rodrigo Mattos

Nascido no Rio de Janeiro, em 1977, Rodrigo Mattos estudou jornalismo na UFRJ e Iniciou a carreira na sucursal carioca de ?O Estado de S. Paulo? em 1999, já como repórter de Esporte. De lá, foi em 2001 para o diário Lance!, onde atuou como repórter e editor da coluna De Prima. Mudou-se para São Paulo para trabalhar na Folha de S. Paulo, de 2005 a 2012, ano em que se transferiu para o UOL. Juntamente com equipe da Folha, ganhou o Grande Prêmio Esso de Jornalismo 2012 e o Prêmio Embratel de Reportagem Esportiva 2012. Cobriu quatro Copas do Mundo e duas Olimpíadas.

24/09/2020 19h42

A reunião entre clubes, federação e CBF para definir a volta do público aos estádios terminou em gritaria e quebra pau o que inviabilizou qualquer decisão sobre o tópico. A briga se desenrolou entre o presidente da CBF, Rogério Caboclo, e o presidente da Ferj, Rubens Lopes, por conta do retorno da torcida no Rio de Janeiro. Com a discussão, não houve votação sobre o tema que ficou adiado.

A reunião começou com Cabocolo propondo a volta do público aos estádios. Disse que isso dependeria de alguns fatores e que pretendia ouvir os clubes.

O Flamengo e Ferj defenderam a proposta de que deveria haver presença de torcida nos municípios que liberassem imediatamente, independente dos outros. É o caso do Rio de Janeiro que já tem liberação de jogo para outubro. Mas, no desenrolar da reunião, ficou claro que a maioria dos presidentes de clubes não topava a ideia e queria isonomia: ou seja, a volta só se daria com todos juntos.

Com isso, Caboclo tentou votar uma proposta para que houvesse volta conjunta de público em todas as praças. Rubens Lopes o questionou e disse que a reunião não era o foro para aquelas decisões porque não era um arbitral. Falou durante longo tempo, em torno de só 15min, quando o combinado era de que cada um só teria 3min para dar sua posição.

Sua interferência gerou extrema irritação no presidente da CBF que subiu o tom e começou falar alto dizendo que ele era o presidente e quem mandava. Duas fontes confirmaram que o tom de voz foi desproporcional para uma reunião de trabalho. Há outra versão, no entanto, de que Caboclo foi duro porém não gritou e não disse que mandava. O presidente da entidade explicou que a CBF era um ambiente democrático e que não haveria uma situação como na Ferj que era "subserviente a um clube e processava os outros". É uma referência à suposta obediência da federação ao Flamengo e a ações contra dirigentes do Fluminense.

Rubens Lopes respondeu e fez um comentário irônico para Caboclo: "Esqueceu o Gardenal (remédio)". dele no dia, o que piorou o ambiente. No meio da disputa, o presidente do Conselho do Athletico-PR, Mário Celso Petraglia, também entrou com críticas a ambos - ele já fizera ironias com o Rio de Janeiro durante a reunião. Diante desse cenário, o secretário-geral da CBF, Walter Feldman, interveio e decidiu pelo fim da reunião.

Não houve clima para nenhuma votação, nem sobre volta de público, nem sobre protocolos para combate a Covid. Só foi aprovado o aumento de inscritos de jogadores no Brasileiro, de 40 para 50.

Após a publicação do post, o presidente da Ferj, Rubens Lopes, enviou por sua assessoria um comentário sobre a reunião: "O debate pode ser retomado a qualquer hora. Roupa suja se lava em casa. O que aconteceu, no meu entender, ficou ali. Todos da reunião querem o bem do futebol brasileiro e expuseram as suas opiniões. Tenho a certeza que não cometi nenhum exagero, mas não julgo quem os possa ter cometido. Vai da consciência de cada um. Estou pronto para o diálogo em prol do caminho de solução dos problemas e de braços abertos ao entendimento com presidente da CBF. Se pais e filhos se desentendem, nada de anormal se presidentes também tenham seus desencontros, temporários, fugazes, sem mágoas ou cicatrizes."

Rodrigo Mattos