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Rodrigo Mattos

Fifa já puniu 4 grandes paulistas por transferências, Brasil lidera sanções

Rodrigo Mattos

Nascido no Rio de Janeiro, em 1977, Rodrigo Mattos estudou jornalismo na UFRJ e Iniciou a carreira na sucursal carioca de ?O Estado de S. Paulo? em 1999, já como repórter de Esporte. De lá, foi em 2001 para o diário Lance!, onde atuou como repórter e editor da coluna De Prima. Mudou-se para São Paulo para trabalhar na Folha de S. Paulo, de 2005 a 2012, ano em que se transferiu para o UOL. Juntamente com equipe da Folha, ganhou o Grande Prêmio Esso de Jornalismo 2012 e o Prêmio Embratel de Reportagem Esportiva 2012. Cobriu quatro Copas do Mundo e duas Olimpíadas.

18/09/2020 04h00

O Brasil foi o país com mais clubes punidos pela Fifa por interferências indevidas em contratos de transferência de jogadores em cinco anos. Entre os times sancionados, estão os quatro grandes paulistas - Corinthians, Palmeiras, Santos e São Paulo - todos com penas de multas por irregulares nas negociações. É o que aponta um relatório da Fifa sobre a aplicação da proibição de influência externa em transações de atletas.

Em janeiro de 2015, a Fifa proibiu o fatiamento de jogadores -o chamado TPO (Third Party Ownership) - para acabar com o direito de pessoas ou empresas deterem direitos sobre vendas de atletas. Em paralelo, fez modificações em sua legislação para incluir artigos que vetam a interferência de agentes externos na gestão do futebol, inclusive outros clubes.

Desde então, os comitês disciplinares da Fifa tem punido clubes por pontos dos contratos que possam representar uma burla a essa regra geral. Há casos discutíveis que dependem da interpretação da entidade. Entre os principais pontos vetados pela Fifa, proibir transferência para um outro clube ao vender um atleta, aumentar multa para outro time rival, obrigação de revender com propostas a partir de determinado valor, ter o poder de autorizar empréstimos.

No total, o relatório da Fifa aponta um total de 68 clubes punidos nos últimos cinco anos por desrespeitar o artigo 18bis do seu regulamento de transferências, entre eles gigantes como Liverpool, Cheasea, Manchester City.

O Brasil lidera em número de clubes sancionados com um total de sete, isto é, praticamente 10%. Na lista, estão Bahia, Palmeiras, Santos, São Paulo, Corinthians, Juazeirense e Tombense.

As punições não são pesadas: são multas que variaram de 10 mil francos suíços a 187 mil francos suíços. A intenção da Fifa é impedir que os clubes voltem a usar essas cláusulas em contratos futuros. E por que os clubes paulistas foram punidos?

No caso do Santos, houve uma punição por conta da negociação de Geuvânio para o chinês Tiajing. Isso porque uma cláusula estabelecia que o Santos tinha preferência sobre o empréstimo dele caso fosse dado a algum time do Brasil, o que gerou uma disputa com o Flamengo que contratou o atleta. A cláusula previa uma multa a ser paga pelos chineses casos emprestasse a outro time brasileiro. A Fifa considerou que isso interferia na liberdade do Tianjin de negociar Geuvânio.

Foram apontadas irregularidades também em contratos do Santos com a Teisa (grupo de investidores que detinha parte dos direitos de jogadores). Um dos pontos questionados era que jogadores adquiridos pelo grupo não podiam ser emprestados para os rivais paulistas, Corinthians, São Paulo e Palmeiras. Isso é visto pela Fifa como interferência no departamento de futebol santista. Esse caso é apontado como jurisprudência, mas não gerou punição.

No caso do São Paulo, o problema foi relacionado a uma negociação com o Vitória de Setúbal. No contrato, o clube português se obriga a só rescindir com o jogador com autorização do São Paulo e tem que pedir o aval também para o caso de aceitar outros jogadores em troca do atleta. O nome do jogador não é explicitado, mas o time paulista negociou recentemente o goleiro Lucas Paes com a equipe portuguesa.

Outras irregularidades vistas no São Paulo apontadas pela Fifa são relacionadas ao contrato com a DIS e com a PH relacionadas à contratação de Paulo Henrique Ganso. Pelos documentos, a DIS poderia obrigar o clube a aceitar uma oferta determinada pelo jogador para receber seus 55% dos direitos. Na visão da Fifa, isso caracterizaria uma interferência indevida na gestão do clube. Não houve punição neste caso.

O Palmeiras sofreu duas punições recentes da Fifa. Uma foi pela negociação de Roger Guedes com Shandong Ludeng. A Fifa considerou irregular uma cláusula que previa que o clube teria direito a receber mais 3 milhões de euros no caso de o time chinês transferir o jogador para uma outra equipe brasileira que não fosse o Palmeiras. Houve multa, mas o Palmeiras recorreu.

Outra punição foi relacionada à venda do volante Thiago Martins para o Yokohama Marinos. Pela negociação, foi estabelecido que caso o clube japonês recebesse uma proposta acima de 6 milhões de euros pelo jogador teria de vendê-lo ou comprar integralmente a parte do Palmeiras, que manteve 50% de seus direitos.

Há ainda irregularidades relacionadas à operação da ida de Barcos da LDU para o Palmeiras. Isso porque o clube equatoriano poderia impor condições para nova negociação dele mesmo já estando atrelado ao time alviverde.

Por fim, o Corinthians sofreu punição por conta de uma negociação envolvendo o Bayern Leverkussen na compra do meia Renato Augusto. Pelos termos da negociação, o time alemão mantinha direitos financeiros sobre o atleta apesar de a equipe paulista ter pago 3,5 milhões de euros pela transferência. No contrato, fica determinado que o Corinthians seria obrigado a vender o atleta se tivesse uma oferta de 8 milhões de euros ou mais. Neste caso, teria de repassar metade para os alemães.

Esse relatório da Fifa sobre descumprimentos ao regulamento de transferências faz parte de uma ofensiva da Fifa para apertar mais a questão da interferências nos departamentos de futebol vetadas e incluídas em contratos de transferências.

Rodrigo Mattos