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Déficit faz oposição do Corinthians pedir reprovação de contas de 2019

Rodrigo Mattos

Nascido no Rio de Janeiro, em 1977, Rodrigo Mattos estudou jornalismo na UFRJ e Iniciou a carreira na sucursal carioca de ?O Estado de S. Paulo? em 1999, já como repórter de Esporte. De lá, foi em 2001 para o diário Lance!, onde atuou como repórter e editor da coluna De Prima. Mudou-se para São Paulo para trabalhar na Folha de S. Paulo, de 2005 a 2012, ano em que se transferiu para o UOL. Juntamente com equipe da Folha, ganhou o Grande Prêmio Esso de Jornalismo 2012 e o Prêmio Embratel de Reportagem Esportiva 2012. Cobriu quatro Copas do Mundo e duas Olimpíadas.

12/03/2020 04h00

A oposição do Corinthians enviou carta aos órgãos de poderes do clube pedindo a reprovação das contas de 2019 por descumprimento da Lei do Profut. Isso porque havia até novembro um déficit de R$ 144,9 milhões, acima do limite de 5% da receita previsto pela legislação, o que pode levar à exclusão da agremiação do programa. A diretoria corintiana entende que é um movimento político e alega que só estaria ameaçada se descumprisse dois anos seguidas.

A carta com o pedido de reprovação de contas foi protocolada pelo ex-candidato a presidente do Corinthians Felipe Ezabella no Cori, no Conselho Fiscal e no Conselho Deliberativo. A informação foi publicada primeiro pelo blog do PVC e confirmada pelo UOL.

O Corinthians ainda não fechou o seu balanço de 2019. A previsão é de que isso ocorra apenas em abril quando serão votadas as contas do clube no Conselho Deliberativo.

Mas a oposição se baseia em números preliminares até novembro. Apresentado a conselheiros, o orçamento de 2020 registrava a execução financeira do ano passado até aquele mês. Pelos números, o déficit era de R$ 144,9 milhões. E a receita bruta até aquele momento era de R$ 380,5 milhões.

No artigo 4º do Profut, está estabelecido que, a partir de 2019, o limite para o déficit dos clubes que aderirem ao programa de parcelamento de dívidas passa a ser de 5% da receita bruta. Ou seja, o Corinthians poderia ter um déficit de no máximo R$ 19 milhões até aquele mês. Ainda havia um mês do ano, mas, como não houve venda de jogadores, era impossível que o clube revertesse a situação em mais de R$ 100 milhões.

A carta enviada pela oposição alerta os conselhos de que, nesta situação, o clube seria excluído do Profut. E, assim, reivindica que as contas sejam reprovadas para que os poderes corintianos demonstrem que rejeitam a prática e com isso, demonstrem que punem o descumprimento das regras. Seria uma forma de tentar evitar a saída do Profut, que significaria que todas as dívidas fiscais seriam cobradas imediatamente do clube.

Nos dois anos antepores, 2018 e 2017, a gestão do Presidente Andrés Sanchez também acumulou déficit, mas dentro dos limites das regras do Profut. Primeiro, os rombos foram bem menores, R$ 18,7 milhões e R$ 35 milhões. Segundo, o limite era de 10% das receitas até 2018.

Questionado, o presidente do Corinthians, Andrés Sanchez, disse que vai se pronunciar aos órgãos dos clubes. Mas entende que é um movimento político e que só haveria punição do Profut se houvesse descumprimento por dois anos seguidos. A lei só fala em um ano.

A situação financeira corintiana teve uma leve melhora com a venda de Pedrinho no início de 2020 por 20 milhões de euros para o Benfica. O clube receberá 70% do valor. Em compensação, houve e eliminação da Libertadores antes da fase de grupos.

Blog do Rodrigo Mattos