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Renato Mauricio Prado

OPINIÃO

Texto em que o autor apresenta e defende suas ideias e opiniões, a partir da interpretação de fatos e dados.

Nem com 100% na Libertadores, Flamengo passa segurança à torcida

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Renato Mauricio Prado

Renato Mauricio Prado é jornalista e trabalhou no Globo, Placar, Extra, Rádio Globo, CBN, Rede Globo, SporTV e Fox Sports. Assina atualmente uma coluna diária no Jornal do Brasil. A primeira Copa que cobriu in loco foi a da Argentina, em 1978.

29/04/2022 01h20Atualizada em 29/04/2022 01h21

Quando os quatro avançados vão bem, o Flamengo não perde pra ninguém. A icônica frase de Jorge Jesus a um amigo comum, no mágico ano de 2019, continua válida. Graças ao bom desempenho do quarteto ofensivo, formado por Éverton Ribeiro, Arrascaeta, Gabigol e Bruno Henrique, o rubro-negro conseguiu importante vitória sobre a Universidad Católica, no Chile, mantendo-se com 100% de aproveitamento na Libertadores.

Não chegou a ser uma exibição de gala dos jogadores do ataque da equipe carioca. Mas o que fizeram (sobretudo Bruno Henrique) foi o bastante para garantir os três pontos, apesar da enorme instabilidade defensiva - a ponto de os dois gols dos chilenos terem sido contra: um de Isla (que teve péssima atuação) e Pablo (um dos melhores em campo).

Se em termos de resultados, o Flamengo de Paulo Sousa exibe invejável aproveitamento de 100% (três triunfos em três partidas, sendo duas delas fora de casa), quando se fala em desempenho, não há motivos para tantos elogios. O lado direto da defesa foi um desastre, com Isla e William Arão (que não tem nem cacoete de zagueiro) absolutamente perdidos. A boa notícia foi mais uma atuação segura de Pablo, insuficiente, porém, para dar segurança ao setor - quem sabe quando atuar ao lado de David Luiz.

Ao substituir, ao mesmo tempo, Arrascaeta, Éverton Ribeiro e Bruno Henrique, Paulo Sousa levou muitos torcedores à loucura. Após o jogo, entretanto, ele justificou-se, explicando que precisava poupá-los, pois os dois primeiros têm problemas musculares e o terceiro vinha de inatividade, causada por um problema crônico no tendão do joelho.

Sorte dele que em meio ao caos tático em que se transformou seu time, dois dos que entraram participaram da jogada do terceiro gol, que garantiu os três pontos: Marinho e Lázaro, enfim escalados em seus devidos lugares, o ex-jogador do Santos (autor da assistência) pela direita e o jovem da base (que balançou a rede) pela esquerda. Já é um progresso.

No próximo compromisso, contra o Altos, do Piauí, pela Copa do Brasil, o time deverá ser todo reserva. É também uma boa oportunidade para testar jogadores que acabam de ser liberados pelo departamento médico, casos de Airton Lucas, Matheusinho e Rodrigo Caio (será?).

O Flamengo de Paulo Sousa segue sem empolgar. É dependente dos quatro avançados e nem sempre isso será o suficiente. A boa notícia é que o treinador voltou a escalá-los em suas verdadeiras posições e lhes devolveu a liberdade para jogar como gostam e estão acostumados. Vide o entrosamento de Gabriel e Bruno Henrique e a melhora do rendimento de Éverton Ribeiro, de volta ao lado direito do campo.

A conferir os próximos capítulos desta novela, que já tem mais de quatro meses e até agora não deslanchou...