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Renato Mauricio Prado

OPINIÃO

Texto em que o autor apresenta e defende suas ideias e opiniões, a partir da interpretação de fatos e dados.

RMP: Natal do Flamengo acaba com bolinho de bacalhau frio e murcho

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Renato Mauricio Prado

Renato Mauricio Prado é jornalista e trabalhou no Globo, Placar, Extra, Rádio Globo, CBN, Rede Globo, SporTV e Fox Sports. Assina atualmente uma coluna diária no Jornal do Brasil. A primeira Copa que cobriu in loco foi a da Argentina, em 1978.

26/12/2021 17h04Atualizada em 27/12/2021 09h59

Acabou a novela portuguesa do Flamengo e o final não foi feliz. O bolinho de bacalhau servido pelos dirigentes rubro-negros no domingo seguinte ao Natal é frio, murcho e tem espinhos. Jorge Jesus, sonho maior de 9 entre 10 rubro-negros) não voltou e candidatos gabaritados, como Vitor Pereira, Paulo Fonseca e Carlos Carvalhal (além de Leonardo Jardim, que está em processo de saída do Al-Hilal), tampouco foram escolhidos. Marcos Braz e Bruno Spindel fecharam com Paulo Sousa, ex-jogador brilhante, mas técnico com carreira medíocre - ao menos até o instante.

Faço a ressalva porque Abel Ferreira, tão vitorioso no Palmeiras, tampouco tinha currículo de peso ao vir para cá. O fraquíssimo nível da maioria dos treinadores brasileiros, seus futuros adversários, pode até permitir que Sousa também se destaque por aqui. Mas que está a anos-luz de ser um profissional de ponta em sua terra natal está.

- Paulo Sousa ainda precisa se provar. Nunca explodiu, apesar de já ter tido várias oportunidades. Em Portugal, não tem nem sequer um bom trabalho. É um cara que capitaliza em cima da imagem que construiu como jogador. Anda pra cima e pra baixo, mas não se afirma. No Brasil, acho que ainda vão tirar onda com ele, por causa do exagero nas plásticas e no botox... - me conta uma raposa felpuda de Lisboa.

Pergunto-lhe como classificaria, em termos de melhor para pior, Carlos Carvalhal, Paulo Fonseca e Paulo Sousa. E a resposta é contundente.

- Fonseca, Carvalhal e, bem distante, Sousa. Aposto que em breve estarei lendo muitas crônicas suas dando surras nele - conclui, às gargalhadas.

Com títulos apenas em campeonatos inexpressivos, como o suíço e o israelense, ou taças menores, como na sua passagem pela Hungria, o novo treinador do Flamengo teve algum brilho em determinados momentos de sua primeira temporada na Fiorentina. Em compensação, quando dirigiu o Bordeaux foi um desastre. No comando da seleção polonesa, igualmente, recebeu muito mais críticas que elogios. Novo Domènec Torrent à vista?

Ao decidir fechar a contratação de Sousa antes do dia 30, data em que o Benfica de Jorge Jesus volta a enfrentar o Porto, no Estádio do Dragão, os cartolas rubro-negros se expõem ainda a um risco colossal e desnecessário. Imaginem se os encarnados voltam a perder e o Mister é demitido - possibilidades das mais palpáveis? Pior: se, livre no mercado, Jesus acaba acertando com outro clube brasileiro?

Decididamente, não consigo entender a lógica dessa escolha e, principalmente, o momento em que ela foi feita. Tomara que não, mas temo que o assustador histórico de escolhas erradas (Abel, Dome, Ceni e Renato) da administração Landim/Braz tenda a aumentar, provando que o acerto de 2019 com Jorge Jesus foi apenas a exceção que confirma a regra.

Ah, ia esquecendo: Paulo Sousa é adepto do jogo posicional...

Pano rápido.