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Renato Mauricio Prado

OPINIÃO

Texto em que o autor apresenta e defende suas ideias e opiniões, a partir da interpretação de fatos e dados.

Sereia desafina e Flamengo tem que focar somente na Libertadores

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Renato Mauricio Prado

Renato Mauricio Prado é jornalista e trabalhou no Globo, Placar, Extra, Rádio Globo, CBN, Rede Globo, SporTV e Fox Sports. Assina atualmente uma coluna diária no Jornal do Brasil. A primeira Copa que cobriu in loco foi a da Argentina, em 1978.

02/11/2021 21h36Atualizada em 02/11/2021 21h36

Se a vitória sobre o líder Atlético Mineiro chegou a reacender a esperança da torcida no tricampeonato consecutivo do Brasileiro, o empate com o Athletico Paranaense jogou um balde de água fria nos rubro-negros exageradamente otimistas. O mínimo que se espera, a partir de agora, na Gávea e no Ninho do Urubu, é que o foco do Flamengo passe a ser única e exclusivamente na final da Libertadores, no próximo dia 27.

Pouco importa a essa altura se o VAR errou (e errou feio) ao sugerir a anulação da expulsão de Renato Kayzer, que agrediu Léo Pereira com dois socos e um pontapé. Ou se Renato Gaúcho expôs uma vez mais suas limitações, ao empilhar zagueiros e volantes (juntar Rodinei e Matheuzinho é bizarro demais), ao final da partida, na tentativa vã de garantir a vitória por 2 a 1.

Tudo é irrelevante diante de uma constatação assustadora para a maior torcida do país. Seu clube vive o pior momento da temporada, com um caos absoluto no departamento médico, na preparação física, na comissão técnica e no departamento de futebol, de uma maneira geral. Ninguém se entende, todos se acusam, e o resultado final é desastroso.

Desde o dia primeiro de outubro, o elenco rubro-negro acumula 16 contusões - 13 delas musculares. A última foi a de Vitinho, nessa última partida diante do Athletico Paranaense. Não há calendário tresloucado (e o nosso realmente o é) que justifique tantas lesões. Nenhum outro clube sofre dessa forma de tão cruel "epidemia".

Se houver um mínimo de bom-senso no Flamengo, a partir de amanhã, um plano meticuloso será traçado para visar apenas um objetivo: permitir que os onze titulares e seus principais reservas cheguem nas condições ideais ao jogo no Estádio Centenário, em Montevidéu. Esqueçam o Brasileiro. Nada mais interessa.

Alguns jogadores, como Éverton Ribeiro, estão nitidamente em acentuado declínio físico e técnico. Que sejam tirados do time de imediato e passem a fazer um trabalho à parte, uma espécie de mini pré-temporada, com vistas à final do mais importante torneio do continente.

Outros, como William Arão, precisam de descanso e também de recondicionamento físico. Não faz sentido esfalfá-los até do dia 27. Até Andreas Pereira, que chegou na janela do meio do ano, tem jogado sem parar e sua queda de produção, nos últimos jogos, é evidente. Merece uma pausa.

Em contrapartida, outros, como Thiago Maia, João Gomes (que ficou um bom tempo afastado por dengue), Ramon (que Portaluppi demorou tanto a escalar) e Kenedy têm que jogar para ganhar ritmo e mostrar se podem ser úteis na final do torneio mais importante do continente.

O Flamengo precisa colocar todo o seu foco na Libertadores. E também no treinador estrangeiro do ano que vem. Assim como num executivo de futebol do exterior. Com Jorge Jesus, tudo funcionava porque o português era o verdadeiro dono de tudo. Sem ele (não será possível uma nova conversa para um retorno tão ansiado?), o esquema precisa ser todo repensado.

Negócio de vice de futebol, conselhinho (um bando de laranjas do Bap) e que tais, faz água por todos os lados. O clube que fatura um bilhão de reais por ano e pretende ser o Bayern de Munique do futebol brasileiro não pode ser dar ao luxo de ser tão amador.

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do UOL