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Renato Maurício Prado

OPINIÃO

Texto em que o autor apresenta e defende suas ideias e opiniões, a partir da interpretação de fatos e dados.

RMP: Arrogância de Landim vai transformando o Mais Querido no mais odiado

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Renato Mauricio Prado

Renato Mauricio Prado é jornalista e trabalhou no Globo, Placar, Extra, Rádio Globo, CBN, Rede Globo, SporTV e Fox Sports. Assina atualmente uma coluna diária no Jornal do Brasil. A primeira Copa que cobriu in loco foi a da Argentina, em 1978.

08/09/2021 18h11Atualizada em 09/09/2021 08h50

A obsessão do Flamengo em ter público nos estádios, a qualquer custo, é apenas mais um capítulo na sanha de Rodolfo Landim e seus pares em tornar o clube Mais Querido do país no mais odiado por todos os seus coirmãos e, naturalmente, suas respectivas torcidas.

Nem quero entrar no mérito se é o momento mais adequado para o retorno dos torcedores às arquibancadas. Pessoalmente, ainda sou contra, especialmente no Rio, onde a variante Delta do maldito coronavírus continua a ceifar vidas às centenas. Mas meu ponto hoje é outro.

Peguemos, por exemplo, a questão do jogo de volta com o Grêmio, pela Copa do Brasil. Na ida, na arena gremista, não houve torcida. Liberar o público agora, por mais que o confronto esteja virtualmente definido, é injusto, por uma simples questão de isonomia. Algo que se mostra impossível neste momento, pelos diferentes estágios da pandemia nos diversos estados brasileiros.

Por isso, reunidos na CBF, 19 dos 20 clubes que disputam a Série A (todos ansiosos para voltar a ter arrecadação com bilheteria) decidiram que não haverá torcedores nos estádios, na Copa do Brasil e no Brasileiro, até que todos as arenas esportivas estejam liberadas para isto. Faz todo sentido.

Prevendo tal postura, o Flamengo nem sequer mandou um representante à reunião (virtual), alegando que tal prerrogativa (sobre ter ou não torcida nos campos) é das autoridades sanitárias locais, não dos clubes e da CBF. Pode haver atitude mais insolente?

O que Landim e sua trupe parecem se esquecer é que, por mais desmoralizada que esteja (e está), ainda é a CBF quem dá as cartas no futebol brasileiro e em seus campeonatos. E, se quiser, pode pura e simplesmente punir o rubro-negro carioca com perda de pontos e até eliminações dos torneios que organiza.

Diante de tanta soberba e inconsequência, começo a desconfiar que a ideia do Flamengo comprar um clube na Europa embute um desejo latente de passar a disputar os campeonatos de lá, não os daqui.

No fundo, essa turma pra lá de elitista se considera europeia. Não está nem aí para a grande maioria dos mais de 40 milhões de brasileiros que torcem pelo Fla e vive em precárias condições financeiras. Vide os preços exorbitantes praticados, quando conseguiu liberação para vender ingressos.

Em tempo: o Flamengo já tem três jogos adiados no Brasileirão (Grêmio, Athletico Paranaense e Atlético Goianiense) e deverá ter outros mais, nas próximas datas Fifa. Ainda que não haja punições agora por causa dessa insistência com o público, imaginem a boa-vontade da CBF na hora de remarcar tais partidas...

Em tempo 2: alguém ainda aposta um tostão furado no futuro da Liga dos Clubes?

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do UOL

Renato Maurício Prado