PUBLICIDADE
Topo

Renato Maurício Prado

ANÁLISE

Texto baseado no relato de acontecimentos, mas contextualizado a partir do conhecimento do jornalista sobre o tema; pode incluir interpretações do jornalista sobre os fatos.

RMP: 'Cincun' em casa ou quatro, com um a menos, no campo do adversário?

Conteúdo exclusivo para assinantes
Renato Mauricio Prado

Renato Mauricio Prado é jornalista e trabalhou no Globo, Placar, Extra, Rádio Globo, CBN, Rede Globo, SporTV e Fox Sports. Assina atualmente uma coluna diária no Jornal do Brasil. A primeira Copa que cobriu in loco foi a da Argentina, em 1978.

26/08/2021 02h28Atualizada em 26/08/2021 02h30

O que é mais impactante? Golear o Grêmio, por 5 a 0, jogando no Maracanã (semifinal da Libertadores 2019), ou batê-lo por 4 a 0, atuando com um a menos, durante todo o segundo tempo, na Arena Gremista (quartas-de-final da Copa do Brasil 2021)?

Um dia depois de Jorge Jesus, divertidamente marrento como de hábito, dizer ao repórter João Venturi, do SBT, que não acredita que Renato Gaúcho possa igualar seus feitos no Flamengo, pois ninguém voltaria a vencer o Brasileiro com 90 pontos, o atual treinador realiza façanha comparável à do português, naquela que talvez tenha sido a maior atuação rubro-negra sob o seu comando. Ao menos a mais emblemática.

Numa noite em que brilharam heróis improváveis (Michael, Vitinho, Bruno Viana e Rodinei marcaram os gols), o time de Portaluppi, com um jogador a menos, foi capaz de produzir, no segundo tempo, uma atuação taticamente perfeita que o levou a uma vitória heroica e espetacular.

Curiosamente, o Grêmio de Scolari fora até melhor que o Flamengo, no primeiro tempo. E, quando se esperava que o rubro-negro carioca voltasse preocupado apenas em se defender, aconteceu exatamente o contrário. As entradas de Thiago Maia, no lugar de Diego e de Matheusinho, no lugar de Arrascaeta (substituição a princípio surpreendente, pois o natural seria tirar Michael) reequilibraram a equipe que partiu para o ataque, surpreendendo o rival, como fora surpreendido na primeira etapa.

Após o gol de Bruno Viana, o Grêmio ainda mandou uma bola na trave, mas o Flamengo se fartou de criar ataques perigosos em contra-ataques, sempre muito bem construídos, em jogadas de pé em pé. Além dos quatro gols, criou diversas oportunidades para marcar. E a equipe gaúcha se perdeu completamente. Incapaz de superar a defesa bem postada do adversário, no segundo tempo.

A vitória que classifica virtualmente a equipe de Renato Gaúcho para as semifinais deixou ainda algumas lições. A saber:

Diego não pode mais ser titular. Thiago Maia já lhe é bem superior e ainda há Andreas Pereira para a posição. O camisa 10 deve passar a ser um ótimo reserva. Para Arrascaeta, não jogando como volante.

Isla tampouco merece permanecer na lateral-direita. O que fez nesse jogo foi imperdoável. Faltou-lhe inteligência. Como segurar um adversário, já tendo cartão amarelo, numa jogada em que nem havia tanto perigo de gol? Matheusinho, já!

Voltando à questão inicial sobre a possibilidade de Renato Gaúcho superar o que Jorge Jesus conquistou, no ano mágico de 2019, é obrigatório registar o que o atual treinador construiu até agora: 13 jogos, 11 vitórias, um empate e uma derrota, com 87% de aproveitamento, marcando 41 gols. Média de 3 gols por jogo. Ao menos até agora, nem Jesus chegou a tanto.

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do UOL

Renato Maurício Prado