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Renato Maurício Prado

OPINIÃO

Texto em que o autor apresenta e defende suas ideias e opiniões, a partir da interpretação de fatos e dados.

Feliz, Flamengo volta a ter prazer em jogar bola. E encanta

Vitinho comemora gol marcado na vitória do Flamengo sobre o Defensa y Justicia, pelas oitavas da Libertadores 2021. - Staff Images/Conmebol
Vitinho comemora gol marcado na vitória do Flamengo sobre o Defensa y Justicia, pelas oitavas da Libertadores 2021. Imagem: Staff Images/Conmebol
Renato Mauricio Prado

Renato Mauricio Prado é jornalista e trabalhou no Globo, Placar, Extra, Rádio Globo, CBN, Rede Globo, SporTV e Fox Sports. Assina atualmente uma coluna diária no Jornal do Brasil. A primeira Copa que cobriu in loco foi a da Argentina, em 1978.

22/07/2021 03h24

Alegria. Essa é a principal diferença do Flamengo de Rogério Ceni para o de Renato Gaúcho. Basta olhar para o campo e para a fisionomia dos jogadores. O time rubro-negro voltou a ser leve, livre e solto. A jogar com prazer, quase que por música, emulando os tempos de Jorge Jesus.

Com Ceni, o ar no Ninho do Urubu andava irrespirável. "Ele só reclama", comentavam os jogadores, nas conversas entre eles, quando eram comuns também queixas sobre as improvisações feitas pelo treinador e sua mania de querer "cantar o jogo" irritantemente, na beira do campo, durante os 90 minutos. Ninguém mais o suportava.

A chegada de Renato mudou radicalmente o panorama. Com seu jeito "boleirão", ele descontraiu o ambiente da noite para o dia. Tudo na base de muita conversa com os jogadores. E, resultado desses papos, o Flamengo acabou com as improvisações e retomou de forma simples o jeitão de jogar em seus melhores momentos de 2019. É igual? Não. Mas é bem parecido.

Na entrevista pós-jogo, perguntaram se estava armando o time num 4-4-2, num 3-5-2, num 4-3-3 ou em um 4-1-3-2. E ele disse, simplesmente, que durante uma partida, o time varia em diversas formações. Inclusive todas essas. Não há esquema fixo. Em suma: não há algemas táticas, como adorava Domènec Torrent e o próprio Ceni, que flertava com o jogo posicional. Perfeito.

Questionado sobre o gol sofrido, numa falha clamorosa dos dois Diegos, Renato também disse que não tinha nada contra a saída de bola trocando passes a partir da defesa, desde que isso não significasse risco exagerado. "Apertou muito, quebra lá na frente", resumiu. Certíssimo.

Contrastando também com seu antecessor, Renato Gaúcho tem acertado nas substituições. Enquanto Ceni não tirava Éverton Ribeiro, mesmo quando o camisa sete estava muito mal, foi exatamente ele o primeiro a sair, na goleada sobre o Defensa y Justicia, para a entrada de Michael, pela direita, quando o placar ainda estava em 1 a 1. E quem acabou possibilitando o segundo gol, ao acertar uma bomba no travessão, por fim cabeceada por Arrascaeta para o fundo da rede? Pois é...

Vitinho também entrou bem, marcando dois gols, mas uma das melhores surpresas da noite foi a exibição de Bruno Henrique, voltando a lembrar, principalmente, no primeiro tempo, o jogador veloz, insinuante e praticamente impossível de marcar dos tempos de Jesus.

Por que será que Bruno Henrique, que se arrastava nos tempos de Ceni, voltou tão bem, após uma contusão muscular? Por que Gustavo Henrique e até Léo Pereira, quando jogou, melhoraram tanto? E o que falar de Michael e Vitinho? A resposta é simples. Quem não trabalha melhor, quando confia no chefe e está mais feliz?

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do UOL

Renato Maurício Prado