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Renato Maurício Prado

ANÁLISE

Texto baseado no relato de acontecimentos, mas contextualizado a partir do conhecimento do jornalista sobre o tema; pode incluir interpretações do jornalista sobre os fatos.

Cancelem esta maldita Copa América!

Renato Mauricio Prado

Renato Mauricio Prado é jornalista e trabalhou no Globo, Placar, Extra, Rádio Globo, CBN, Rede Globo, SporTV e Fox Sports. Assina atualmente uma coluna diária no Jornal do Brasil. A primeira Copa que cobriu in loco foi a da Argentina, em 1978.

30/05/2021 23h41

No final da noite de domingo, a Conmebol anunciou o que já era esperado. Diante de uma nova onda de contaminações e mortes causadas pela Covid, a Argentina desistiu de sediar a Copa América - a Colômbia já renunciara a ser a outra sede, por conta da convulsão social que o país atravessa. Segundo a Confederação Sul-Americana, nos próximos dias será decidida uma nova sede ou até o cancelamento da competição.

Qualquer pessoa de bom-senso sabe que não faz o menor sentido insistir na realização desse torneio mequetrefe (que agora é realizado quase que ano após ano) em meio a uma pandemia que devasta a América do Sul. Sim, é um negócio milionário e seu cancelamento provocará um considerável prejuízo aos cofres da Conmebol. Mas, convenhamos, a entidade é bilionária e pode, perfeitamente, arcar com essa perda, em nome do bem maior, ou seja, a saúde dos sul-americanos.

A conferir os próximos capítulos. Vai imperar a ganância ou o bom-senso?

Grandes defesas, num grande jogo

Os dois melhores times do país fizeram jus aos seus títulos de bicampeão brasileiro e campeão da Libertadores e da Copa do Brasil, protagonizando mais um grande duelo, atestado pelas várias grandes defesas de seus goleiros: não fossem Diego Alves e Weverton o placar poderia ter sido dilatado, num jogo de ótimas jogadas de parte a parte.

Venceu o Flamengo, por 1 a 0, gol de Pedro, num resultado que pode ser considerado justo, devido à superioridade rubro-negra no segundo tempo, quando partiu resoluto para conquistar a vitória. O Palmeiras, porém, não se entregou em momento algum e poderia até ter chegado ao empate, numa cabeçada de Roni, já no finalzinho da partida.

Obviamente, é um exagero falar em final antecipada, na primeira rodada de um campeonato que tem 38 jogos para cada um. Mas é impossível não ver Flamengo e Palmeiras como os principais candidatos ao título do Brasileiro e, por que não dizer, também da Libertadores e da Copa do Brasil. Ainda mais quando seus adversários mais fortes, casos de Atlético Mineiro, São Paulo, Grêmio e Internacional já começaram o campeonato tropeçando.

O Flamengo, de Rogério Ceni, pode comemorar o segundo jogo seguido sem sofrer gols, algo bastante raro para o seu sistema defensivo, quem ainda tem falhas, mas evolui com a volta de Rodrigo Caio. A festejar também a boa atuação de Bruno Henrique (que linda jogada, driblando Gabriel Menino e ignorando, na corrida, a marcação de Luan e Gustavo Gomez, no lance do gol) e a eficiência impressionante de Pedro, que substituiu Gabigol, vetado por uma indisposição estomacal.

Do lado do Palmeiras, a lamentar apenas o chororô do técnico Abel Ferreira, queixando-se da "imprensa sensacionalista do Brasil" e de outras bobagens. A ponto de dizer, ironicamente, antes da bola rolar que estava "esperando a demissão". O fato é que o português nunca dirigiu um time grande, durante a carreira e, naturalmente, não sabe o que é estar à frente de um clube do tamanho do Palmeiras. Se tivesse dirigido o Benfica, o Porto ou o Sporting, certamente, saberia.

Flamengo x Palmeiras fizeram mais um grande jogo de futebol, como já tinha acontecido na Supercopa do Brasil, disputada em Brasília e decidida nos pênaltis. Tomara que ainda vejamos novos duelos entre eles. Que, em seus melhores dias, jogam em estilos antagônicos mas igualmente encantadores. Os melhores do Brasil.

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do UOL

Renato Maurício Prado