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Renato Maurício Prado

ANÁLISE

Texto baseado no relato de acontecimentos, mas contextualizado a partir do conhecimento do jornalista sobre o tema; pode incluir interpretações do jornalista sobre os fatos.

Futebol nas Olímpiadas é irrelevante. Por que desfalcar os clubes?

Renato Mauricio Prado

Renato Mauricio Prado é jornalista e trabalhou no Globo, Placar, Extra, Rádio Globo, CBN, Rede Globo, SporTV e Fox Sports. Assina atualmente uma coluna diária no Jornal do Brasil. A primeira Copa que cobriu in loco foi a da Argentina, em 1978.

14/05/2021 15h33Atualizada em 14/05/2021 15h34

O futebol é uma excrescência nas Olimpíadas. A única modalidade na qual não estão em ação os melhores atletas desse esporte. Tudo porque a FIFA não admite concorrência com a Copa do Mundo - e por isso as seleções são sub-23, com direito a três jogadores além dessa idade. A seleção medalha de ouro, portanto, nem sequer pode se considerar a melhor equipe de futebol do mundo.

Houve um tempo em que os americanos da NBA também não iam aos Jogos - e isso só acabou no dia em que a equipe olímpica dos EUA foi eliminada pela União Soviética, nas semifinais de Seul-88. Quatro anos depois, em Barcelona surgia o primeiro Dream Team e apenas a partir daí o ouro passou a coroar, de fato, a melhor equipe do basquetebol mundial.

O futebol, entretanto, segue como um esporte menor nas Olimpíadas. E me parece um absurdo que os clubes brasileiros sejam desfalcados nas principais competições que disputam, em prol de um torneio significativamente menor. Ainda mais depois que, enfim, o Brasil conquistou o tão sonhado ouro olímpico, no Maracanã, nos pênaltis, contra uma seleção alemã de quinta categoria.

Curiosamente, por causa das convocações de Pedro e Gerson para a seleção dirigida por André Jardine, o Flamengo, que teve ainda Gabigol e Éverton Ribeiro para a equipe principal, ao menos terá os seus primeiros jogos no Campeonato Brasileiro remarcados. Mas, imaginem como será o calendário rubro-negro para repor estas partidas...

A verdade é que a o Brasil deveria disputar o futebol olímpico com uma seleção júnior, como fazem as principais seleções europeias. Ainda mais num ano de pandemia. Ainda mais em Jogos Olímpicos que nem deveriam ser realizados em meio à nova onda de Coronavírus que assola o Japão e boa parte do mundo (vide o que acontece na Índia, na América do Sul e em várias outras partes do planeta).

Isso aconteceria se a CBF tivesse um mínimo de bom-senso. Mas esperar sensatez de Caboclo e seus pares (aí incluída a maioria dos dirigentes de clubes) realmente é utopia. O órgão maior do nosso futebol é o primeiro a esculhambar seus próprios campeonatos e seus afiliados.

E "La Nave Va"! Célere, rumo ao iceberg...

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do UOL

Renato Maurício Prado