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Renato Maurício Prado

OPINIÃO

Texto em que o autor apresenta e defende suas ideias e opiniões, a partir da interpretação de fatos e dados.

Ó, Abel! Tens que treinar pênaltis, pá!

Renato Mauricio Prado

Renato Mauricio Prado é jornalista e trabalhou no Globo, Placar, Extra, Rádio Globo, CBN, Rede Globo, SporTV e Fox Sports. Assina atualmente uma coluna diária no Jornal do Brasil. A primeira Copa que cobriu in loco foi a da Argentina, em 1978.

15/04/2021 02h33

Decisão do terceiro lugar no Mundial de Clubes de 2020, no Catar. Palmeiras superado pelo Al Alhy..

Final da Supercopa do Brasil, 2021, no Mané Garrincha: Palmeiras batido pelo Flamengo..

Final da Recopa Sul-americana, 2021, no Mané Garrincha: Palmeiras superado pelo Defensa y Justicia.

Nas três ocasiões, um ponto em comum: as derrotas aconteceram em disputas de pênaltis.

Independentemente da forma como o time palmeirense se portou em cada um desses jogos, uma coisa é indiscutível. Abel Ferreira precisa treinar cobranças de pênaltis com seus jogadores. Três fracassos consecutivos e nenhum triunfo indicam, de forma inequívoca, uma deficiência. Que um time campeão da Libertadores e da Copa do Brasil não pode continuar a ter se quiser continuar ganhando em 2021.

Tivesse Gustavo Gomez convertido a penalidade máxima que bateu, já na prorrogação, o título da Supercopa das Américas teria sido conquistado. Nenhum dos dois times tinha pernas para uma reação. O zagueiro bateu muito mal e perdeu. Como, aliás, voltou a bater da mesma forma, na série decisiva, mas teve a sorte de a bola pegar um efeito estranho e entrar, depois de defendida parcialmente pelo goleiro do adversário argentino. Menos afortunados, mas igualmente incompetentes, foram Luís Adriano (a bola que chutou bateu na trave e saiu) e Wewerton (que cobrou um autêntico tiro de meta, na lua!). E o título escorreu pelos seus pés. Como escorrera também o da Supercopa do Brasil, dias antes.

O cansaço, provocado pelo prazo reduzido entre essas finais, pode explicar em parte o fraco desempenho palmeirense no segundo jogo contra o Defensa y Justicia. Pode ser levado em conta também o fato de os campeões da Libertadores e da Copa do Brasil mal terem voltado das férias. A incapacidade de realizar chutes eficientes da marca do pênalti, porém, vai além de qualquer desculpa. É falta de aprimoramento, mesmo.

Se contra o Flamengo, a equipe de Abel Ferreira fez uma grande partida, o mesmo não aconteceu em nenhum dos jogos contra o Defensa y Justicia, quando venceu sem merecer, na ida, e perdeu quando já não esperava, na volta. Parece claro que, apesar das conquistas da temporada passada, o treinador português ainda não tem um onze titular definido. Notadamente no meio-campo, onde vem alternado formações, com Felipe Melo, Zé Rafael e Raphael Veiga disputando posições com os jovens Patrick de Paula, Danilo e Gabriel Menino.

Tenho a impressão de que, mais cedo ou mais tarde, a garotada prevalecerá. Mas pode ser que ainda leve algum tempo até que Abel se convença disso. É possível também que as características do adversário e de cada jogo exijam mesclas diferentes em determinadas situações. Seja como for, o que o técnico precisa resolver, imediatamente, é a questão das cobranças de pênaltis, Já imaginou perder o Paulistinha também desta maneira? No ano passado, ganhou assim. Mas era comandado por Vanderlei Luxemburgo. Abel Ferreira segue virgem nessa modalidade de decisão...

Em tempo: já estava sendo feita uma conta para mostrar que Abel Ferreira conquistaria uma média de títulos superior a de Jorge Jesus no mesmo tempo de trabalho. Uma diferença abissal se impõe: após ganhar o Brasileiro e a Libertadores (combinação mais importante que o Brasileiro e a Copa do Brasil), Jesus enfileirou a Recopa Sul-americana, a Supercopa do Brasil e o Estadual. Será que ao menos o Paulista Abel faturará após os seus maiores feitos?. .

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** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do UOL

Renato Maurício Prado