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Renato Maurício Prado

OPINIÃO

Texto em que o autor apresenta e defende suas ideias e opiniões, a partir da interpretação de fatos e dados.

Corinthians não é nem a oitava força no Brasileiro. A Fiel que se prepare

Jogadores do Corinthians antes da partida contra o Mirassol, em Volta Redonda - Rodrigo Coca / Agência Corinthians
Jogadores do Corinthians antes da partida contra o Mirassol, em Volta Redonda Imagem: Rodrigo Coca / Agência Corinthians
Renato Mauricio Prado

Renato Mauricio Prado é jornalista e trabalhou no Globo, Placar, Extra, Rádio Globo, CBN, Rede Globo, SporTV e Fox Sports. Assina atualmente uma coluna diária no Jornal do Brasil. A primeira Copa que cobriu in loco foi a da Argentina, em 1978.

30/03/2021 04h00

Décimo-segundo colocado no Brasileirão 2020, o Corinthians ensaia nova temporada de frustrações para sua torcida. Após brilhar na década passada, com três títulos brasileiros (2011, 15 e 17), uma Libertadores e um Mundial (ambos em 2012), uma Recopa Sul-Americana (2013) e quatro Paulistas (2013, 17, 18 e 19), o clube que possui a segunda maior torcida do País encontra-se em dificílima situação financeira, com uma dívida que se aproxima de R$ 1 bilhão, fora o que ainda terá que pagar pelo seu estádio, e sem perspectivas de reforçar o fraco elenco que possui.

Nem o mais fanático dos corintianos é capaz de negar que nesta temporada de 2021 há pelo menos seis clubes com um grupo de jogadores muito superior. Flamengo, Palmeiras, Atlético Mineiro (teoricamente, os três mais fortes), Grêmio, São Paulo e Internacional. Numa análise fria, pode-se dizer que esse Corinthians dos dias de hoje é inferior tecnicamente também a Santos e Fluminense. E, no máximo, parelho com o Red Bull Bragantino e o Athletico Paranaense. Como sonhar com títulos?

No Seleção SporTV da última segunda-feira, André Rizek relembrou a temporada de 2017, quando o Timão era considerado "a quarta força" em São Paulo e, sob o comando de Fábio Carille, acabou campeão paulista e brasileiro. Aconteceu, mas a comparação esperançosa não cabe. Naquele ano, não havia times dominantes no futebol brasileiro, nem técnicos estrangeiros fazendo a diferença por aqui - não custa lembrar, os dois últimos campeões da Libertadores (ambos com equipes brazucas) são portugueses.

Com Vágner Mancini à frente de um time limitadíssimo e poucos jogadores promissores vindos da base, o futuro corintiano em 2021 parece dos mais sombrios. Como enfrentar o Palmeiras de Abel Ferreira, o São Paulo de Hernán Crespo, o Santos de Ariel Holan (todos técnicos estrangeiros), o Atlético Mineiro de Cuca, o Grêmio de Renato Gaúcho, o Internacional de Angel Ramirez (mais um gringo) e o Flamengo de Rogério Ceni?

A disparidade de forças é colossal. Só tirando elefantes da cartola (coelhos não serão suficientes)! Mas, em sã consciência, alguém acredita que Mancini seja um "mágico" capaz de tais proezas? Periga pagar o pato e acabar demitido após o estadual...

Até porque demitir os cartolas responsáveis pela incúria financeira e as inúmeras contratações estapafúrdias dos últimos anos (o atual presidente, Duílio Monteiro Alves, era diretor de futebol de Andrés Sanchez, que ninguém se esqueça), infelizmente, não é possível. A Fiel que se prepare para mais um ano de sofrimento.

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do UOL

Renato Maurício Prado